Professor do IPOG conquista Troféu Seriema com pesquisa sobre tijolos ecológicos feitos de resíduos

O cenário da engenharia brasileira é marcado por iniciativas que tentam equilibrar tecnologia, responsabilidade social e sustentabilidade, mas nem todas conseguem avançar além do papel. É por isso que, quando um projeto rompe essa barreira e demonstra potencial real de transformação, ele se torna símbolo de algo maior.

Foi exatamente isso que aconteceu com a pesquisa do professor Hélio Elias,  Engenheiro Civil, Doutor em Ciências Ambientais pela Universidade Federal de Goiás e professor no curso de Engenharia Civil do IPOG, reconhecida nacionalmente com o Troféu Seriema, uma das premiações mais respeitadas na área tecnológica do país.

O Troféu Seriema, promovido pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (CREA-GO), nasceu para valorizar iniciativas inovadoras e socialmente relevantes. A premiação possui abrangência nacional e reconhece trabalhos que se destacam em engenharia, sustentabilidade, tecnologia e impacto social.

Todos os anos, projetos de diferentes regiões concorrem em categorias que cobrem desde pesquisa acadêmica até inovação tecnológica no setor produtivo. Na 23ª edição em que o professor Hélio foi premiado, 271 trabalhos participaram, representando instituições de todo o Brasil.

Continue a leitura e descubra o que torna essa pesquisa tão singular.

Uma pesquisa que nasce da prática

O estudo premiado propõe o reaproveitamento de resíduos da mineração de esmeraldas de Campos Verdes (GO), combinados com resíduos têxteis e pó de garrafas PET, para produzir tijolos ecológicos de alto desempenho e custo reduzido. Ainda que essa combinação pareça sofisticada, a lógica por trás do trabalho é surpreendentemente simples: transformar o que seria descartado em algo útil, resistente e socialmente relevante.

O professor Hélio sempre destacou que a pesquisa não nasceu apenas de curiosidade científica, mas de um olhar atento para problemas brasileiros reais. Ao relembrar o início do projeto, ele descreve com precisão o momento em que percebeu que o estudo poderia ultrapassar os limites acadêmicos. Em suas palavras:

“A percepção de que o resultado final desse trabalho, que na verdade se trata do conteúdo da minha tese de doutorado produzida nas instalações do Laboratório de Métodos de Extração e Separação (LAMES) da UFG, ocorreu logo de início quando eu e meu orientador conseguimos desenvolver a técnica de transformar resíduos de mineração e resíduos plásticos em um material de construção”, relata o professor.

Da experimentação ao impacto social

À medida que os testes avançaram, os resultados começaram a desenhar um cenário promissor. A pesquisa não apenas apresentava viabilidade técnica, como também abria portas para um impacto social expressivo. Foi nesse contexto que surgiu uma estimativa que amplia o horizonte do estudo e mostra sua capacidade transformadora.

Segundo o professor, “se hoje passássemos a empregar essa técnica, haveria condições de produzir tijolos suficientes para construir casas para 2.000.000 de brasileiros a cada ano. Ao mesmo tempo em que consumiríamos grandes quantidades de detritos industriais, estaríamos também combatendo a falta de moradias, especialmente para pessoas mais necessitadas”, afirma o pesquisador, destacando o alcance da proposta.

Esse número dá dimensão ao impacto potencial: dois problemas, resíduos industriais e déficit habitacional, encontram aqui uma solução única, possível e escalável. Assim, a pesquisa deixa de ser apenas uma inovação técnica e passa a ocupar um lugar central em discussões sobre sustentabilidade, políticas públicas e engenharia social.

O significado do Troféu Seriema na trajetória do pesquisador

Quando perguntado sobre a importância desse reconhecimento, o professor Hélio não hesita em atribuir ao prêmio um valor afetivo e simbólico.

“O vigésimo terceiro Troféu Seriema, organizado pelo Conselho Regional de Engenharia de Goiás, é um concurso de âmbito nacional. Nesse ano, concorreram 271 trabalhos de todo o país. Portanto, ganhar esse prêmio é uma honraria que vem coroar uma vida de dedicação à pesquisa científica e ao magistério superior,” pontua.

Logo depois, ele aprofunda o impacto pessoal que essa distinção representa, ampliando a reflexão sobre sua trajetória acadêmica. “Considero esse feito uma honra, além de que também vem agregar valor ao meu currículo e também vem trazer mais valor ao meu trabalho como professor de engenharia civil,” finaliza.

Essas palavras revelam a profundidade com que o professor vive sua trajetória e a seriedade com que encara o compromisso com a ciência. O prêmio simboliza reconhecimento, mas também renovação.

Ele mesmo reconhece essa mudança interna ao refletir sobre o impacto pessoal da conquista:

“Receber esse Troféu pela segunda vez (porque eu já tinha recebido a primeira Seriema do CREA em 2021) me faz ficar ainda mais motivado a desenvolver mais coisas, coisas novas e diferentes dessa,” destaca. O doutor em ciências ambientais acrescenta que já manifestou o desejo de orientar projetos de ciência aplicada dentro do IPOG para incentivar futuras gerações de pesquisadores.

Hélio Elias (a esquerda) segurando o troféu recebido ao lado do seu orientador, Nelson Roberto.

Um prêmio que também reconhece o papel da Faculdade IPOG

A conquista individual inevitavelmente se conecta à instituição. O professor ressalta que a vitória reforça o potencial do corpo docente da Faculdade IPOG e o compromisso institucional com pesquisa e inovação.

“Essa vitória mostra que, com o investimento certo, nas pessoas certas, com a finalidade certa, pode trazer benefícios muito interessantes para a instituição, para a ciência e para o país,” afirma.

E segue reconhecendo o valor dos colegas: “O quadro de professores do IPOG tem vários professores mestres e doutores com ampla capacidade de fazer a instituição se projetar nessa área e se diferenciar do lugar comum das outras instituições, envolvendo os alunos na busca pelo conhecimento, pela inovação e pela sustentabilidade,” conclui o professor.

Ao ouvir suas palavras, torna-se evidente que o prêmio não marca um ponto de chegada, mas um novo começo, para ele, para o IPOG e para os muitos estudantes e profissionais que poderão se inspirar no trabalho que já começou a impactar muito além das salas de aula.

 

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