Stela Rodrigues chegou atrasada. Quando entrou na sala de aula para o segundo módulo do MBA do IPOG, havia uma cadeira disponível ao lado de outra mulher que também começava o curso naquele dia. Era Raiane Vieira.
Elas não se conheciam, não trabalhavam juntas, não tinham amigos em comum e, apesar de suas trajetórias profissionais passarem pelo universo da gestão e dos números, nada indicava que os caminhos das duas fossem se cruzar. Até aquele dia.
Pouco depois do início da aula, o professor propôs uma atividade em dupla. Stela e Raiane fizeram o que parecia mais óbvio: trabalharam juntas. A atividade terminou, a dupla, não.
Quatro anos depois, aquela cadeira ocupada quase ao acaso ajuda a explicar a história de duas profissionais que transformaram uma afinidade descoberta em um projeto de empreendedorismo. Stela, administradora com mais de dez anos de atuação, e Raiane, contadora com cerca de 15 anos de experiência, tornaram-se sócias e passaram a estruturar uma consultoria voltada à gestão de empresas.
No caminho, as ferramentas aprendidas no MBA em Gestão de Negócios, Finanças e Controladoria deixaram de ser conteúdo de aula para se transformar em instrumentos testados na rotina de clientes reais. “A gente não tinha um chão, literalmente. A gente só tinha um sonho e umas planilhas”, resume Raiane.
Duas carreiras, uma inquietação em comum
Antes de existir uma sociedade, havia duas profissionais experientes vivendo momentos particulares de suas carreiras. Raiane construiu sua trajetória na contabilidade. Depois de aproximadamente 15 anos na área, percebeu que queria ampliar o olhar para além da operação e se aproximar das decisões que movimentavam os negócios.
“Eu descobri que eu estava trabalhando para o fisco e aí eu queria sempre voltar esse olhar para o empresário”, conta. Foi essa inquietação que a levou ao IPOG e à formação em Finanças e Gestão de Negócios.
Stela vinha de outro caminho, mas carregava uma busca semelhante. Administradora de empresas, com mais de dez anos de experiência em gestão financeira, controladoria e otimização de processos, ela havia decidido empreender por conta própria e percebeu que precisava atualizar conhecimentos.
A escolha pelo IPOG tinha uma razão bastante prática. Ela procurava ferramentas, não apenas conceitos para guardar no caderno ou utilizar em uma avaliação, mas recursos que pudessem de fato sustentar o negócio. Foi justamente ali que as duas trajetórias se encontraram.
Quando a segunda-feira vira parte da aula
Existe uma promessa recorrente na metodologia do IPOG: aprender algo no fim de semana e conseguir colocar o conhecimento em prática já na segunda-feira. Para Stela e Raiane, essa ideia ganhou contornos bastante literais. “A cada ferramenta nova, nós já aplicamos”, contam.
O que aparecia durante a formação passava pelo filtro da realidade: clientes, processos, custos, controles, decisões e problemas que nem sempre chegam organizados como os exercícios de uma aula.
Assim, pouco a pouco, o conhecimento adquirido começou a fazer parte da construção da própria metodologia de trabalho da dupla.
“Nosso método foi criado e está sendo desenvolvido dentro do IPOG. A cada ferramenta nova, nós já aplicamos”, conta Stela e Raiane.
A relação entre formação e negócio ficou ainda mais concreta quando apareceu o primeiro cliente. Ele também veio da sala de aula, era um aluno da própria turma. O ambiente que havia aproximado as duas profissionais começava, assim, a gerar também conexões para a empresa que estavam construindo.
Professores de mercado e problemas de verdade
Ao procurar uma nova formação, o MBA em Gestão de Projetos e Processos, Stela havia recebido uma recomendação que seria decisiva. O argumento era simples: no IPOG, encontraria uma didática dinâmica, professores com experiência de mercado e ferramentas aplicáveis à rotina profissional.
Foi essa combinação que passou a alimentar o projeto das sócias. Em vez de enxergar cada disciplina como uma etapa isolada do MBA, elas começaram a conectar os conteúdos às necessidades da consultoria.
Alguns professores ajudaram inclusive a destravar pontos que ainda limitavam o desenvolvimento do método. Stela cita, por exemplo, a contribuição de André Marques, que ajudou a rever questões que ainda representavam obstáculos no trabalho e, segundo ela, acelerou o desenvolvimento do projeto.
O aprendizado, portanto, deixou de seguir uma linha convencional – primeiro estudar, depois se formar, só então aplicar. Para as duas, essas etapas passaram a acontecer ao mesmo tempo. Aprendiam enquanto empreendiam, empreendiam enquanto testavam e voltavam à sala de aula carregando problemas que já tinham nome, prazo e cliente.
Conquista: a palavra que Stela escolhe para a trajetória
Histórias de empreendedorismo costumam parecer mais lineares depois que são contadas. Uma oportunidade aparece, uma empresa nasce e, algumas páginas depois, vem o sucesso. A trajetória de Stela e Raiane não cabe tão facilmente nessa fórmula.
O projeto que imaginaram ainda está sendo construído. A metodologia continua evoluindo. Existem ajustes a fazer, entregas a concluir e uma empresa que amadurece à medida que suas fundadoras também mudam.
Stela escolhe uma palavra para explicar esse percurso: conquista. Não no sentido de uma linha de chegada, mas das pequenas vitórias acumuladas.
“Cada semana é uma conquista de algo que a gente consegue finalizar e entregar com excelência”, afirma.
Para uma profissional acostumada à precisão da gestão financeira e da controladoria, uma das mudanças mais importantes foi aprender também a avançar sem esperar que tudo estivesse perfeito.
Seu conselho para a profissional que era alguns anos atrás cabe em quatro palavras: “Antes feito que perfeito.”
Não significa abrir mão da qualidade. Significa entender que projetos também amadurecem enquanto são executados.
Para Raiane, a palavra é propósito
Quando chega sua vez de resumir a trajetória, Raiane escolhe outra palavra. Propósito. A resposta ajuda a compreender por que aquela primeira atividade em dupla continua tão presente na memória das duas.
Havia duas profissionais buscando atualização, duas carreiras já consolidadas, duas pessoas que poderiam ter entrado na sala alguns minutos antes, escolhido cadeiras diferentes e seguido suas vidas. Mas sentaram juntas.
Da conversa veio a afinidade. Da afinidade, uma ideia. Da ideia, clientes. Dos clientes, a necessidade de criar processos. E dos processos começou a surgir um método próprio.
Para Raiane, há também uma dimensão de fé nessa construção. Ela atribui o encontro e os rumos da parceria a um propósito de Deus – algo maior do que o plano inicial que cada uma carregava individualmente.
Do MBA para uma nova trajetória profissional
Hoje, Stela continua investindo na própria formação e retornou ao IPOG para complementar sua trajetória com o MBA em Gestão de Projetos e Processos. A decisão diz muito sobre a história das duas.
O IPOG não aparece apenas como o cenário em que Stela e Raiane se conheceram. A instituição tornou-se um dos espaços onde a empresa foi sendo pensada, testada e aprimorada.
Para profissionais que já acumulavam anos de mercado, a pós-graduação não significou começar novamente, significou encontrar novas maneiras de usar tudo o que já sabiam. E, inesperadamente, encontrar uma sócia.
Quatro anos depois daquela primeira aula, Stela e Raiane ainda trabalham sobre o negócio que nasceu dessa aproximação. Há método para aperfeiçoar, empresa para estruturar e novas conquistas pela frente. Mas, quando precisam explicar como tudo começou, a história continua voltando àquela sala.
E uma pergunta que, com o tempo, virou quase um código entre as duas:
“Você quer arrumar problema?”
“Quero. Então vem comigo.”