Alunos de Psicologia do IPOG vivenciam prática da equoterapia em visita técnica
Uma clínica sem quatro paredes. Foi nesse contexto que alunos do 8º e 10º períodos do curso de Psicologia da Faculdade IPOG participaram de uma visita técnica à Caballus Equoterapia e Equitação, no Setor Jaó, em Goiânia no último sábado (19). Conduzida pelo professor Shouzo Abe, a atividade aproximou os estudantes de uma possibilidade de atuação profissional ainda pouco conhecida durante a graduação: a participação da Psicologia na equoterapia.
Ao todo, oito estudantes participaram da experiência. Durante a visita, eles conheceram a estrutura da instituição, conversaram com profissionais e acompanharam parte da dinâmica de um atendimento. Além disso, puderam observar como diferentes áreas da saúde se articulam em torno das necessidades de cada praticante.
A proposta, portanto, foi além de conhecer uma nova técnica. Para os estudantes, a visita abriu espaço para enxergar, na prática, como a Psicologia pode estar presente em contextos bastante diferentes do consultório tradicional.
O que os alunos encontraram na Caballus
A primeira etapa da visita foi conduzida pela psicóloga e gerente da Caballus, Karine Stringheta, que apresentou o funcionamento da instituição, a dinâmica dos atendimentos e a atuação da equipe multiprofissional.
A equoterapia utiliza o cavalo em uma abordagem interdisciplinar que articula saúde, educação e equitação. No Brasil, a prática é regulamentada pela Lei nº 13.830/2019, que a define como método de reabilitação voltado ao desenvolvimento biopsicossocial da pessoa com deficiência. Conforme as necessidades de cada praticante, as atividades podem envolver objetivos físicos, motores, psicológicos, cognitivos, comunicacionais, sociais e relacionados à autonomia.
Segundo o professor Shouzo, entre os públicos mais atendidos estão pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e TDAH. Nesse contexto, os estudantes conheceram também o papel da Psicologia. O profissional pode participar tanto da avaliação quanto do acompanhamento, articulando sua compreensão sobre o praticante às estratégias desenvolvidas pelos demais integrantes da equipe.
Durante a apresentação, outro ponto chamou a atenção: para atuar nesse ambiente, não basta ao psicólogo compreender apenas os aspectos clínicos do atendimento, a aproximação com o cavalo também faz parte dessa realidade profissional.
Segundo o professor Handersenn, esse foi justamente um dos elementos que surpreenderam os estudantes.
“É uma especialidade bem diferenciada, que na própria faculdade a gente não escuta muito. São psicólogos que vão aprender sobre o cavalo, ter contato com o cavalo e aprender a montar. Então, eles precisam ter um vínculo muito próximo com o animal”, explica.

Preparação da criança para o início da equoterapia, com apoio da equipe.
Da sala de aula para uma “clínica a céu aberto”
Durante a visita técnica de Psicologia, os alunos também acompanharam a preparação de uma criança para uma sessão de equoterapia e observaram a atuação dos profissionais envolvidos no atendimento. O momento permitiu perceber, de maneira concreta, aspectos como acolhimento, construção de confiança, respeito ao ritmo do praticante e comunicação entre os integrantes da equipe.
Para Handersenn, a experiência ajuda a ampliar uma percepção bastante comum durante a formação em Psicologia: a associação da prática clínica a ambientes fechados.
“Na faculdade, a gente aprende muita clínica dentro de uma sala, ou em um lugar fechado, seja uma instituição ou um hospital. Lá é uma clínica a céu aberto. Não tem quatro paredes”, afirma o professor.
É justamente essa mudança de cenário que torna a visita relevante para a formação. Afinal, embora muitos estudantes tenham como principal referência o consultório psicológico, as possibilidades de atuação da profissão atravessam diferentes instituições, equipes e formas de cuidado.
“Para o aluno, é esse desafio de ver que a psicoterapia não se restringe a quatro paredes e que pode ir muito além”, acrescenta Handersenn.
Conhecer outras possibilidades também ajuda a encaminhar pacientes
A experiência teve ainda uma relação direta com conteúdos estudados pelos alunos do IPOG. Handersenn trabalha com as turmas temas ligados ao psicodiagnóstico, processo no qual os estudantes aprendem sobre avaliação psicológica e também sobre a necessidade de encaminhamento para outros serviços quando o caso exige acompanhamento específico.
Nesse sentido, conhecer presencialmente uma instituição de equoterapia acrescenta repertório à futura prática profissional.
“Uma das nossas funções como psicólogos clínicos é saber encaminhar para lugares em que as pessoas terão suas necessidades assistidas”, explica o professor.
Assim, o estudante não precisa necessariamente escolher a equoterapia como campo profissional para que esse conhecimento seja útil. Ao compreender como o serviço funciona e quais profissionais participam do atendimento, ele passa a conhecer mais uma possibilidade dentro da rede de cuidado.
Para Handersenn, esse contato também foi novo, apesar de seus 17 anos de atuação como psicólogo.
“Eu sabia que existia, mas nunca tinha ouvido uma palestra sobre isso. É um tipo de trabalho da saúde que é pouco difundido. Muita gente sabe da existência, mas não sabe como chega, como funciona ou o que o psicólogo precisa estudar para atuar nesse lugar”, relata.

Instrutora Karine Stringheta recebe os estudantes e apresenta o funcionamento do serviço.
Uma experiência de formação conectada à prática
A visita reuniu cinco estudantes do 10º período e três do 8º período. No encerramento, o grupo fez um registro ao lado do professor Handersenn e da psicóloga Karine Stringheta. As imagens do relatório mostram, além desse momento, os estudantes durante a apresentação institucional, acompanhando a preparação para o atendimento e observando a sessão no ambiente externo da Caballus.
Segundo o professor, a reação dos alunos foi de surpresa diante de uma atuação tão diferente daquela que normalmente aparece no imaginário sobre a profissão.
Para além de apresentar uma área específica, a visita técnica permitiu colocar em perspectiva algo central para a formação: compreender que o cuidado psicológico pode dialogar com diferentes profissionais, ambientes e estratégias de atendimento.

Karine Stringheta, o professor Shouzo Abe e as alunas participantes da visita técnica.
