Inovações tecnológicas que estão revolucionando o concreto
Durante muito tempo, o concreto foi visto como um material previsível, quase estático. No entanto, quem acompanha a evolução da engenharia sabe que essa percepção ficou no passado.
Hoje, o concreto deixou de ser apenas uma mistura de cimento, agregados e água. Ele se tornou um campo ativo de pesquisa, inovação e inteligência aplicada.
Além disso, as exigências atuais são mais complexas. Não basta resistir à compressão; é preciso controlar fissuração, garantir durabilidade, reduzir impacto ambiental e, igualmente, melhorar a produtividade no canteiro.
Assim, a transformação do concreto não se limita a novas formulações ou equipamentos sofisticados; ela redefine a forma como projetamos, executamos e pensamos a vida útil das estruturas. Continue a leitura e veja como essa mudança de perspectiva impacta cada etapa do processo construtivo.
Concreto e desempenho
Durante décadas, o debate girou em torno do fck, que é a “força” do concreto, o quanto ele aguenta de pressão antes de ceder. Entretanto, limitar o desempenho do concreto à resistência mecânica é simplificar demais uma realidade que é muito mais ampla.
Hoje, fala-se em permeabilidade, retração, controle térmico, durabilidade frente a ambientes agressivos. Ou seja, o foco migrou para o comportamento ao longo da vida útil.
Consequentemente, a dosagem passou a exigir maior precisão. Ajustar relação água/cimento, selecionar adições minerais adequadas e controlar a execução deixou de ser detalhe, tornando-se estratégia.
Além disso, concretos mais resistentes nem sempre significam estruturas mais seguras. Se houver aumento de retração e fissuração, por exemplo, o ganho inicial pode comprometer a durabilidade.
Portanto, desempenho real envolve equilíbrio, entre resistência, estabilidade volumétrica e controle de execução.
Inovações tecnológicas que estão mudando o concreto
A seguir, exploramos as tecnologias que vêm redefinindo o que entendemos por concreto. Não como tendências passageiras, mas como mudanças estruturais no setor.
Concreto de baixo carbono: engenharia com responsabilidade
A indústria da construção enfrenta pressão crescente para reduzir emissões. Nesse contexto, o concreto passa a ocupar posição central. Assim, surgem soluções como a substituição parcial do clínquer por materiais suplementares e o uso de cimentos alternativos, como o LC3 – Limestone Calcined Clay Cement, ou em português, cimento de calcário e argila calcinada.
Além de reduzir a pegada de carbono, essas formulações mantêm desempenho técnico adequado, desde que bem especificadas. No entanto, é fundamental compreender que sustentabilidade não pode ser tratada como argumento de marketing. Ela precisa estar associada a critérios técnicos claros, controle rigoroso e rastreabilidade.
Impressão 3D com concreto: forma, precisão e menos desperdício
A impressão 3D aplicada ao concreto parece futurista, mas já é realidade. Nesse contexto, a tecnologia permite produzir elementos com geometrias complexas, reduzindo desperdício de material e etapas construtivas.
Além disso, o controle automatizado melhora a precisão e pode reduzir erros de execução.
Por outro lado, a formulação do concreto precisa atender requisitos específicos de extrusão, coesão e ganho de resistência. Portanto, significa que não precisa apenas imprimir, mas de repensar o material desde a dosagem.
Concreto inteligente: sensores que acompanham a estrutura
Imagine uma estrutura que “informa” seu próprio comportamento. É exatamente isso que o concreto inteligente propõe.
Sensores embutidos permitem monitorar temperatura, umidade, deformações e até tensões internas. Assim, a cura pode ser acompanhada em tempo real.
Consequentemente, decisões deixam de ser baseadas em estimativas e passam a se apoiar em dados concretos.
Além disso, essa tecnologia favorece a manutenção preditiva, reduzindo riscos e custos inesperados.
Monitoramento estrutural (SHM): dados como aliados da durabilidade
O Structural Health Monitoring, ou SHM, que significa o Monitoramento da Saúde Estrutural, amplia essa lógica. Em vez de inspecionar apenas quando surge um problema, o sistema acompanha continuamente o desempenho da estrutura.
Logo, pequenas variações são detectadas antes de se tornarem patologias relevantes. Com isso, o concreto deixa de ser um elemento passivo e passa a integrar um sistema inteligente de gestão da infraestrutura.
Concreto autorregenerável: quando o material reage
Fissuras são praticamente inevitáveis, especialmente em microescala. Entretanto, novas tecnologias incorporam agentes capazes de reagir à presença de água, promovendo o selamento automático de pequenas fissuras.
Assim, reduz-se a entrada de agentes agressivos, prolongando a vida útil. Embora ainda esteja em expansão, essa solução aponta para um futuro em que o concreto participa ativamente da sua própria preservação.
Concreto leve e translúcido: função e estética dialogando
Nem toda inovação está ligada apenas à resistência. O concreto leve, por exemplo, reduz cargas estruturais e pode facilitar logística e montagem.
Já o concreto translúcido incorpora fibras ópticas, permitindo a passagem de luz natural. Consequentemente, cria-se uma interface interessante entre robustez estrutural e expressão arquitetônica. Ou seja, o concreto também se reinventa como linguagem.
Como escolher a inovação certa
Diante de tantas possibilidades, surge uma pergunta inevitável: qual inovação faz sentido para cada projeto?
Primeiramente, é preciso analisar o ambiente de exposição. Estruturas sujeitas a cloretos, por exemplo, exigem controle rigoroso de permeabilidade.
Além disso, a capacidade de execução da equipe influencia diretamente o desempenho final. Tecnologia sem processo bem conduzido tende a gerar frustração.
Igualmente, o custo deve ser analisado sob a ótica do ciclo de vida, e não apenas do investimento inicial.
Ou seja, inovar não significa adotar tudo, mas escolher com critério técnico.
Aprofunde o debate sobre o futuro do concreto
Se esse panorama despertou sua curiosidade, vale dar um passo além.
O IPOG promove o evento “Concreto em Foco: Da Dosagem à Inovação – Desempenho, Execução e Tecnologias”, conduzido por Angélica Koppe, especialista no tema.
O encontro será gratuito, on-line e ao vivo, no dia 24/02, às 19h (horário de Brasília), via Zoom.
Durante o evento, a proposta é provocar uma reflexão sobre o que realmente é essencial no uso do concreto armado, da formulação à execução, passando pelas tecnologias que estão redefinindo o setor.
Além disso, será uma oportunidade de compreender como alinhar inovação e desempenho, sem perder de vista a responsabilidade técnica.
Sendo assim, se você atua na construção civil ou deseja acompanhar as transformações do concreto com olhar crítico e atualizado, essa é uma excelente oportunidade para aprofundar o debate. Participe, faça sua inscrição aqui.

