IPOGCast – Carreira profissional: por onde começar?

Se você está saindo da graduação sem saber qual caminho seguir, a resposta é mais simples do que parece: comece. Não com a vaga perfeita, nem com a certeza absoluta, mas com o primeiro movimento possível. A clareza costuma vir andando, não parada. Foi essa a ideia central do último  episódio do IPOG Cast sobre início de carreira, conduzido por Fabine Romão, diretora de Graduação e Extensão do IPOG, ao lado de dois convidados que olham esse caminho de ângulos opostos e complementares.

De um lado, Dadson Moraes, executivo de Recursos Humanos com mais de 25 anos de experiência, que já liderou programas de desenvolvimento de líderes e ajudou empresas a entrarem na lista das Melhores para Trabalhar pelo Great Place to Work. Do outro, Augusto Narikawa, professor do IPOG, mestre e doutorando em Educação, que pesquisa inteligência artificial aplicada ao ensino e conduz formação de equipes. Continue a leitura e confira alguns insights dessa conversa riquíssima.

Por que “descubra sua paixão” trava mais do que ajuda?

Quem está começando ouve a mesma frase constantemente: descubra sua paixão e o resto se resolve. No entanto, esse conselho raramente diz o que fazer na prática, quando a vocação ainda não está clara e a necessidade de trabalhar já é concreta. De fato, a pressão por ter certeza antes do primeiro passo costuma paralisar mais do que orientar.

O paradoxo é justamente esse. Esperar clareza total, na prática, acaba se tornando uma forma de travar. Portanto, a pergunta muda de figura: não é “como descubro o que amo”, e sim “por onde eu entro”. Quanto a isso, a boa notícia é que as portas de entrada são mais numerosas do que parecem à primeira vista.

Em abril de 2026, o Brasil chegou a 726.025 contratos ativos de jovem aprendiz, o maior número da série histórica, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. Logo, porta de entrada não falta. O que costuma faltar é alguém dizendo, sem rodeio, por onde se entra.

O que quem contrata realmente procura em um iniciante?

Um ponto do episódio contraria a expectativa de muita gente. Do lado de quem contrata, o que pesa não é o candidato saber exatamente o que quer. É a capacidade de aprender e se adaptar. Afinal, nenhum recrutador espera que um profissional em início de carreira tenha todas as definições prontas.

Faz sentido, quando você para para pensar. O iniciante que promete “certeza” mostra apenas o que sabe hoje. Já o que demonstra abertura para aprender, sinaliza o quanto ainda pode crescer dentro da empresa. Consequentemente, mostrar disposição para aprender pesa mais no início do que fingir uma convicção que ninguém tem.

Isso também redefine o velho preconceito com o estágio. Muita gente ainda acha que estágio é só fazer café e tirar xerox. Contudo, o que separa o estagiário que vira efetivo daquele que não é efetivado quase nunca é o talento nato. É a postura: quem pergunta, quem se oferece, quem entrega além do combinado começa a se diferenciar desde o primeiro mês.

Carreira se constrói com base, não com sorte

Há um trecho da conversa que resume tudo. Como observou Fabine, o aluno que cresce mais rápido raramente é o que tirou as melhores notas. É o que entendeu cedo que carreira se constrói com repertório, relação e atitude, não só com diploma. Assim, o boletim perfeito importa bem menos do que a capacidade de circular, conversar e resolver.

Augusto confirma o padrão da sala de aula. Os alunos que dão o salto costumam ser os que trazem o mundo real para dentro do curso, que fazem perguntas de quem já está pensando no mercado, não apenas na prova. Igualmente, do lado da empresa, dá para perceber quem entendeu isso e quem ainda está só atrás de um diploma para pendurar na parede.

E as chamadas soft skills entram exatamente aí. Comunicação, postura e a habilidade de lidar com pessoas não são dom reservado a alguns sortudos. Pelo contrário, treinam-se na prática, no exercício diário de se expor, ouvir e ajustar. Por isso, quem começa cedo a treinar isso larga na frente, mesmo sem perceber.

Por onde começar a carreira ao sair da faculdade sem saber o que fazer

Se você está saindo da graduação agora, estes são os primeiros passos que a conversa deixou claros, valendo para o corporativo, o empreendedorismo ou o concurso.

Movimento O que fazer na prática Por que importa
1. Entrar, não escolher o “perfeito” Aceite a primeira porta viável: estágio, aprendiz, trainee, projeto A clareza vem da experiência, não da espera
2. Tratar o estágio como vitrine Entregue além do combinado, pergunte, ofereça-se É o que separa quem vira efetivo de quem some
3. Treinar soft skills no dia a dia Exponha-se, apresente, lidere pequenas tarefas Comunicação e postura se aprendem praticando
4. Construir repertório e relação Converse com gente do mercado, participe, circule Carreira cresce por rede, não só por nota
5. Equilibrar conta e propósito Aceite o salário de agora sem abandonar a direção de longo prazo Dá para pagar as contas e construir sentido ao mesmo tempo

Assista ao episódio completo

Se há um recado para levar deste episódio, não é “tenha certeza”, é “comece”. O primeiro passo raramente é o definitivo, e não precisa ser. Ele só precisa acontecer. Afinal, a base que faz diferença no início, repertório, relação e atitude, se constrói andando, e ela fica melhor com quem já trilhou o caminho do seu lado.

Se essa conversa acendeu alguma coisa em você, ouça o episódio completo do IPOG Cast no Spotify ou assista no Youtube e conheça os cursos de graduação da Faculdade IPOG, onde quem ensina é quem vive o mercado todos os dias.

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