IPOGCast – Como desenvolver a oratória e a comunicação para crescer na carreira?
Você já teve uma ideia boa numa reunião e, na hora de defendê-la, a voz simplesmente sumiu? O raciocínio embolou, alguém menos preparado levou o crédito, e você voltou para casa se perguntando por que isso aconteceu de novo. Se essa cena parece familiar, ela não é coincidência: segundo o ranking de habilidades divulgado pelo LinkedIn em 2026, a comunicação aparece em segundo lugar entre as competências mais exigidas do mercado, atrás apenas do domínio de inteligência artificial. Não à toa, comunicação e oratória para a carreira virou tema recorrente em treinamentos corporativos — e foi exatamente esse o assunto do episódio 15 do IPOGCast.
O bate papo, apresentado por Bruno Azambuja, gerente de marketing do IPOG, recebeu duas jornalistas com trajetórias notavelmente parecidas: Liliane Bueno, fundadora da Speakers Comunicação e criadora do método de Comunicação Inteligente, e Maraísa Lima, também jornalista e hoje referência em treinamentos corporativos de oratória e professora do IPOG. Ambas passaram por redações de TV, migraram para a área de desenvolvimento humano e, ao longo da conversa, defenderam a mesma tese com exemplos diferentes: comunicação não é dom, é método.
Falar bem não é a mesma coisa que comunicar bem
O primeiro mito que as convidadas fizeram questão de derrubar foi a ideia de que comunicação e extroversão são sinônimos. Há profissionais que dominam a palavra, tomam a frente em qualquer reunião e ainda assim não entregam clareza nenhuma. Liliane vive esse contraste todos os dias em seus treinamentos corporativos, e resume bem o problema:
“Então são pessoas que fazem apresentações facilmente, vão lá na frente, tomam a palavra numa reunião. A minha pergunta é: gera resultado? É uma comunicação eficiente? É clara? Nem sempre. Então aí a gente já derruba um mito que muitos acham, que o falar bem é ser extrovertido, é ser expansivo. E não é,” explica Liliane Bueno, fundadora da Speakers Comunicação.
Na prática, isso significa que o trabalho de comunicar começa muito antes de abrir a boca — no momento em que a pessoa organiza a própria intenção, o próprio objetivo com aquela fala.
O método por trás da clareza: a pirâmide invertida do jornalismo
Maraisa trouxe para o episódio uma ferramenta que aprendeu ainda na faculdade de jornalismo e que aplica hoje em treinamentos de liderança: a pirâmide invertida. Antes de qualquer reunião, e-mail ou apresentação, ela recomenda responder primeiro ao básico, para só depois avançar aos detalhes:
“Você começa lá, o que eu quero falar, onde está envolvido esse assunto, quem está envolvido, quando, são os quatro princípios básicos. Depois, no outro nível, vem como e por quê. E por último, os detalhes – porque nós não temos mais capacidade de processamento de informações prolixas, de pessoas que não sabem de onde vem, para onde vão,” argumenta Maraisa Lima.
Ou seja, antes de treinar a voz ou a postura, vale treinar a pergunta mais simples de todas: o que, exatamente, eu quero que a outra pessoa entenda com essa conversa?
Quanto mais alto o cargo, mais tempo se gasta comunicando
Uma das partes mais reveladoras da conversa foi sobre liderança. Segundo pesquisa citada por Maraísa, executivos de alta gestão dedicam entre 90% e 100% do próprio tempo a alguma forma de comunicação: alinhar cultura, dar feedback, tomar decisões em conjunto. Por isso, quanto mais alguém sobe na hierarquia, menos a comunicação é um extra desejável e mais ela se torna, literalmente, o trabalho.
“Estamos falando de CEOs, de presidentes de conselhos consultivos, deliberativos, conselhos de administração. Quanto mais você quer subir na sua carreira, mais você vai demandar essa habilidade de comunicação, não só para feedbacks, mas também para transmitir um pensamento estratégico e uma cultura empresarial,” afirma.
Liliane complementa esse raciocínio puxando para o lado da retenção de talentos, tema que também domina as conversas de RH em 2026:
“Hoje ser um bom líder, ser um bom comunicador, bate em quais portas? Na segurança psicológica, na produtividade, nos resultados. Hoje as pessoas sabem quais são os direitos delas, o que elas vão levar para casa, o que elas não vão,” pontua.
A importância do Storytelling na comunicação
Outro momento em que o episódio ganha força é quando o assunto vira storytelling. Maraísa cita o autor Carmine Gallo, professor de Harvard, para lembrar que contar histórias segue sendo a ferramenta persuasiva mais antiga da humanidade, mas faz uma ressalva importante: história boa não é sinônimo de choro na plateia, e sim de contexto e aprendizado real por trás da narrativa.
Liliane leva esse raciocínio direto para o terreno comercial, onde vê profissionais errarem com frequência ao centralizar a própria trajetória em vez do problema de quem está ouvindo:
“No storytelling o herói é o cliente, nós somos a espada. Ele vai resolver o problema, não você, porque ele é o herói. Só que ele só se torna o herói quando ele tem você ao lado dele,” resume Liliane.
Na prática, isso muda a estrutura de qualquer apresentação comercial: em vez de abrir pelo produto, o profissional deveria abrir pelo desafio real de quem está do outro lado da mesa.
Por que copiar outro comunicador quase sempre dá errado
Por fim, as duas convidadas trataram de um problema típico das redes sociais: a tentação de imitar o estilo de outro comunicador que deu certo. Para Liliane, essa cópia tende a produzir o efeito oposto do desejado, porque afasta a pessoa da própria verdade — e a autenticidade, segundo ela, é justamente uma das duas características que estudos apontam em profissionais de alta performance, ao lado da automotivação.
“A autenticidade tem a ver com a gente se enxergar. Se você tem humor, use de humor. Se você tem força de bravura, seja dona de uma fala encorajadora. Comunicadores autênticos, eles saem na frente,” defende.
Maraísa reforça que essa autenticidade também aparece na docência, terreno em que atua há anos dentro do IPOG: entender o próprio repertório, inclusive os erros e recomeços de carreira, é parte do processo de virar um comunicador confiável — não apenas alguém que fala bem diante de uma câmera.
Assista ao episódio completo
A conversa entre Bruno Azambuja, Liliane Bueno e Maraísa Lima aprofunda ainda outros pontos, como o papel da inteligência artificial na exigência por clareza e a diferença entre liderar e gerenciar. O episódio 15 do IPOGcast está disponível na íntegra no YouTube e no Spotify. Assista a conversa completa e tenha os melhores insights de comunicação para a sua carreira.
