A professora Joelma Ferreira, coordenadora dos cursos de tecnologia da faculdade IPOG, defendeu que os fundamentos de segurança ganham ainda mais importância à medida que a inteligência artificial avança e ganha autonomia. A fala aconteceu em 25 de setembro de 2026, no painel “IA 360: Um giro por ideias, impactos e possibilidades”, durante o 4º Congresso de Direito Digital do Centro-Oeste, no Hub Goiás, em Goiânia.
Ao representar a perspectiva da cibersegurança, Joelma mostrou que a IA pode tornar golpes mais rápidos e convincentes e, por outro lado, ajudar a identificar ameaças e proteger as organizações. Além disso, destacou que os próprios sistemas de IA precisam de proteção e que checar a autenticidade das informações e manter a supervisão humana são cuidados fundamentais.
O que a professora do IPOG disse sobre IA e cibersegurança no congresso?
A mensagem central da participação, nas palavras da própria professora, resume o recado que ela levou ao painel:
“À medida que a inteligência artificial avança e ganha autonomia, os fundamentos de segurança se tornam cada vez mais importantes para orientar seu uso”, disse Joelma Ferreira, coordenadora dos cursos de tecnologia da faculdade IPOG
A IA acelera golpes, mas também ajuda a defender as organizações
Segundo a professora, a tecnologia pode tornar golpes “mais rápidos e convincentes”. Por outro lado, a mesma tecnologia ajuda a identificar ameaças e a proteger as organizações. Em outras palavras, o ganho de velocidade vale para os dois lados.
O alerta conversa com o que instituições de referência vêm observando. O CERT.br, vinculado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), disponibiliza gratuitamente guias de proteção contra golpes e fraudes digitais, que orientam como identificar fraudes com deepfakes, ou seja, áudios e vídeos falsos com vozes e rostos de pessoas reais.
Um caso noticiado em 2024 mostra o tamanho do risco. De acordo com o Canaltech, uma empresa de Hong Kong foi vítima de uma fraude em que um deepfake do suposto diretor financeiro, em videochamada, ordenou transferências bancárias, com prejuízo estimado em quase R$ 130 milhões.
Os próprios sistemas de IA também precisam de proteção
Outro ponto destacado pela professora foi a necessidade de proteger os próprios sistemas de inteligência artificial. Na prática, isso significa que não basta usar IA para defender uma organização: é preciso defender, igualmente, a IA que está em uso.
Autenticidade e supervisão humana: dois cuidados fundamentais
Joelma ressaltou que verificar a autenticidade das informações e manter a supervisão humana são cuidados fundamentais. Afinal, quanto mais convincente fica um conteúdo falso, mais importante se torna conferir a origem antes de agir.
Por que o debate sobre IA importa para advogados, juristas e empreendedores?
Além de Joelma, o painel reuniu outros seis participantes, de áreas como saúde, serviço público, empreendedorismo e comunicação. Segundo ela, essa diversidade ampliou o debate e aproximou a discussão sobre inteligência artificial de um público formado por advogados, juristas, empreendedores e profissionais de diferentes áreas.
Nesse sentido, para esse público, compreender as oportunidades e os riscos da IA ajuda a:
- tomar decisões sobre o uso da tecnologia;
- proteger informações;
- avaliar responsabilidades jurídicas e éticas.
Em outras palavras, o tema deixou de ser apenas técnico. Hoje, ele envolve decisões de gestão e, também, de responsabilidade.
Como a participação se conecta à formação em Segurança Cibernética do IPOG?
Por fim, a professora Joelma conectou o painel à formação em Segurança Cibernética da Faculdade IPOG. Segundo ela, princípios como controle de acesso, supervisão e rastreabilidade ajudam os alunos a compreender e enfrentar os desafios trazidos pela IA.
Esses princípios respondem a perguntas simples e decisivas: quem pode acessar um sistema, quem supervisiona o que ele faz e o que fica registrado? Assim, mesmo com a tecnologia mudando rápido, é possível manter critérios claros para orientar o uso da inteligência artificial.
Para a professora, participar do congresso foi, de fato, uma oportunidade de contribuir com a discussão e aproximar a formação acadêmica dos desafios enfrentados pelas organizações. A reflexão que ela considera central é esta:
“Como aproveitar as possibilidades da inteligência artificial mantendo critérios de segurança, responsabilidade e supervisão humana?”, argumenta a professora.
Como foi o painel IA 360 no Congresso de Direito Digital do Centro-Oeste?
O 4º Congresso de Direito Digital do Centro-Oeste foi realizado nos dias 24 e 25 de setembro, no Hub Goiás, em Goiânia. O evento foi promovido pelo Instituto Goiano de Direito Digital, com apoio do SEBRAE, e nasceu da necessidade de criar, em Goiás, um espaço para discutir com seriedade as transformações que a tecnologia tem provocado no Direito.
No primeiro dia, a programação abordou temas como tecnologia e eleições, proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e remoção de conteúdo da internet. Já no segundo dia, o painel “IA 360” reuniu sete especialistas, que analisaram os impactos da inteligência artificial sob sete perspectivas diferentes:
- saúde mental;
- negócios;
- cibersegurança;
- mercado financeiro;
- escritórios de advocacia;
- poder público;
- comunicação.
A programação reuniu pessoas de áreas distintas para tratar de problemas que já estão acontecendo e que exigem cada vez mais preparo dos profissionais.