2 minutos de leitura

“O farmacêutico não quer ser médico – ele quer ser um ator importante no cuidado do paciente”, afirma especialista

Nova resolução autoriza farmacêuticos a prescreverem medicamentos tarjados. Especialista explica o que muda, quem está habilitado e como o paciente pode verificar.

Com mais de 300 mil farmacêuticos atuando no Brasil, a nova Resolução nº 05/2025 do Conselho Federal de Farmácia (CFF) autorizando esses profissionais a prescreverem medicamentos tem gerado intensos debates no setor da saúde. O texto permite a prescrição de medicamentos isentos de prescrição médica (MIPs) e, em casos específicos e com qualificação comprovada, medicamentos tarjados. Mas afinal, quem está habilitado para prescrever e como o paciente pode identificar isso?

A resolução exige que o farmacêutico tenha Registro de Qualificação de Especialista (RQE) para prescrever medicamentos de uso controlado, o que garante que apenas profissionais com formação específica em farmácia clínica ou áreas correlatas possam exercer essa função, seguindo protocolos bem definidos. Segundo o CFF, o paciente poderá consultar quais farmacêuticos são prescritores no próprio site do CFF.

De acordo com o Dr. Marcelo Polacow, presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP) e coordenador do MBA em Farmácia Clínica e Gestão Farmacêutica do IPOG, a decisão não visa competir com médicos, mas sim ampliar o cuidado com a saúde da população, de forma colaborativa e segura.

“O farmacêutico não quer ser médico — ele quer participar das decisões da saúde da população e ser um ator importante no cuidado do paciente. Ele quer contribuir com a saúde de forma colaborativa e integrada. Hoje, o trabalho multiprofissional é uma realidade no mundo todo. A saúde não tem dono, o paciente não tem dono, todos os profissionais são importantes para alcançar os objetivos de recuperação, promoção da saúde e prevenção de doenças”, afirma Polacow.

A resolução consolida um movimento que já acontece em programas oficiais do Ministério da Saúde, como na profilaxia pré e pós-exposição ao HIV e no tratamento da tuberculose latente, onde farmacêuticos já atuam como prescritores. “Essa atuação já existe. A nova norma apenas regulamenta e qualifica ainda mais esse processo, exigindo formação adicional para medicamentos tarjados”, explica.

Modelos semelhantes são adotados em países como Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, onde o farmacêutico prescreve dentro de limites técnicos definidos. Polacow reforça que, com a farmácia sendo um dos pontos de saúde mais acessíveis da população, essa mudança pode ajudar a desafogar o SUS e combater a automedicação.

“Enquanto o paciente vai ao médico, em média, duas vezes ao ano, ao farmacêutico ele vai toda semana. Somos o profissional de saúde mais próximo da população”, destaca.

Frente às críticas da classe médica, Polacow pondera que há desinformação sobre os reais limites da resolução:

“Não é qualquer farmacêutico, nem qualquer medicamento. Há protocolos, há limites e há ética profissional. Nosso objetivo é somar, não substituir.”

A Resolução nº 05/2025 é vista por especialistas como um divisor de águas para o cuidado farmacêutico no Brasil. Com a exigência do RQE, a proposta busca garantir que a prescrição ocorra com segurança, preparo e dentro da legalidade, um avanço no modelo de atenção primária à saúde, sem abrir mão da responsabilidade profissional.

Artigos relacionados

Você conhece as novas regras para a utilização das técnicas de reprodução assistida? A infertilidade humana é um problema de saúde, e de acordo com dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), atinge cerca de 20% dos casais, ou seja, 1 em cada 5 casais, têm ou terão dificuldades na procriação. Porém, a medicina consegue resolver e...
“Escolhi o IPOG por ser uma instituição na qual eu confio”: conheça as razões para fazer a pós-gradu... Já pensou em fazer um curso no qual você tenha contato com pessoas de diversas áreas, conhecimento aprofundado sobre o ser humano e possibilidade de networking com profissionais de todo o país? Foi esse cenário que Carinna Alves encontrou ao se matricular ...
Transtornos mentais estão entre as principais causas de afastamento do trabalho Cobranças excessivas, sentimento de desgaste, falta de reconhecimento, acúmulo de funções, metas inatingíveis, falta de recursos para executar atividades, tudo isso pode levar um indivíduo a desenvolver ou intensificar doenças mentais. De acordo com dados lev...

Sobre Assessoria de Comunicação

Equipe de produção de conteúdo IPOG. Responsável: Jhenifer Fernandes - Analista de Comunicação jhenifer.fernandes@ipog.edu.br