O que é o TDAH e qual o impacto do transtorno na vida dos pacientes?
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11 de junho de 2018

O que é o TDAH e qual o impacto do transtorno na vida dos pacientes?

Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade

Segundo a quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-5), o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno do neurodesenvolvimento. Portanto, os primeiros sintomas do transtorno aparecem durante a infância e podem acompanhar o indivíduo ao longo de toda a vida. Durante muito tempo o TDAH foi compreendido como uma doença que acometia crianças e, seus sintomas deveriam desaparecer a medida em que o indivíduo se tornava adulto.

Esta mudança de compreensão se deu a partir de pesquisas cientificas realizadas durante a revisão dos critérios diagnósticos para o DSM-5. Até a quarta edição revisada do DSM existia a compreensão de que esse transtorno era específico da infância, ou seja, somente crianças apresentariam esses sintomas. Porém, nas últimas décadas, com as pesquisas realizadas, os pesquisadores identificaram é que o TDAH inicia-se na infância e pode acompanhar o indivíduo por toda a sua vida. Para saber mais informações sobre este diagnóstico e seu impacto na vida dos pacientes e seus familiares, continue lendo esse artigo.

As principais características e sintomas dos pacientes com TDAH

As principais características do TDAH são padrões de comportamentos de desatenção, hiperatividade e impulsividade. Estes sintomas podem acontecer em diferentes contextos, isto é, em casa, na escola e em quaisquer outras atividades que o paciente realize. Existem algumas diferenças no aparecimento dos sintomas do TDAH em crianças e adultos.

Em crianças, os sintomas de desatenção são:

  • Incapacidade para manter o foco da atenção nas tarefas que precisa realizar;
  • Não conseguem prestar atenção em atividades que exijam concentração;
  • Se distraem facilmente com barulhos e situações à sua volta;
  • Tem dificuldade para prestar atenção mesmo quando uma pessoa fala diretamente com ela;

Já nos adultos os sintomas de Desatenção são:

  • Se distraem facilmente durante as tarefas de trabalho;
  • Não se lembram de fatos e datas importantes;
  • Tem dificuldades para responderem e-mails e telefonemas;
  • São incapazes de organizarem a rotina;
  • Apresentam baixa produtividade;
  • Procrastinam para iniciar tarefas que consideram difíceis ou que exijam grande capacidade intelectual.

Os sintomas de Hiperatividade / Impulsividade em crianças são:

  • Agitação motora excessiva (fica mexendo pés e mãos, não consegue ficar sentado);
  • Apresentam dificuldades para permanecerem quietas e realizarem tarefas “tranquilas” de lazer;
  • Não conseguem esperar a vez para jogos e brincadeiras;

Já nos adultos os sintomas de Hiperatividade / Impulsividade são:

  • Agitação mental (pensa várias coisas ao mesmo tempo, sendo incapaz de concluir uma tarefa);
  • Apresentam características de impulsividade (dificuldade para seguir regras e normas sociais);
  • Iniciam várias tarefas ao mesmo tempo antes mesmo de concluir as tarefas iniciadas;

Com base na frequência e intensidade dos sintomas apresentados pelo paciente é possível classificar o subtipo do TDAH como predominantemente desatento (quando os sintomas de desatenção são mais evidentes), predominantemente hiperativo / impulsivo (quando os sintomas de hiperatividade / impulsividade são mais intensos) ou do subtipo combinado (quando os dois grupos de sintomas são observados no paciente. Além disso, também é possível identificar o nível de manifestação do TDAH como sendo leve, moderado e severo. Os sintomas devem ter aparecido antes dos 12 anos de idade e devem ser observados em pelo menos dois contextos diferentes.

Taxas de ocorrências do TDAH

Apesar de os primeiros sintomas aparecer durante a infância ou início da adolescência, este transtorno pode acompanhar o paciente ao longo de toda a sua vida. De acordo com algumas pesquisas epidemiológicas, aproximadamente 5% da população infantil mundial apresenta os sintomas de TDAH, e, cerca de 60% destes indivíduos continuam apresentando os sintomas do transtorno na vida adulta. Diante deste alto índice de ocorrência do TDAH e considerando que o indivíduo diagnosticado com o transtorno sofre inúmeras consequências negativas causadas por ele, é muito importante que pais, psicólogos, educadores e outros profissionais possam estar preparados para o diagnóstico e tratamento.

Impacto do TDAH na vida humana

Em função dos sintomas apresentados, os pacientes diagnosticados sofrem um grande impacto nas atividades diárias. O que para muitas pessoas pode parecer ser algo simples, como exemplo, prestar atenção em uma conversa e organizar as tarefas ao longo da semana, para um paciente com TDAH essas são tarefas muito complexas. Os pacientes têm grande dificuldade em prestar atenção em detalhes e em atividades que exigem organização.

Os sintomas de TDAH geram ao paciente muitas dificuldades para fazer as coisas no dia a dia. Muitas vezes os pacientes com TDAH não conseguem cumprir prazos, se esquecem de compromissos importante, como por exemplo pagar contas e datas comemorativas. Em outros casos, os prejuízos são maiores nos casos de pacientes que perdem a carteira ou o carro no estacionamento do shopping.

Todas essas dificuldades acarretarão ao pacientes sérias consequências em diferentes contextos. No ambiente familiar as relações são marcadas por discussões e cobranças sobre a falta de organização. No trabalho o paciente geralmente não consegue cumprir prazos, apresenta mais lentidão do que as outras pessoas, o que o torna menos eficiente e em alguns casos, resulta na demissão. Na escola os pacientes tem dificuldades para prestar a atenção na aula e, consequentemente, para aprender, além de ser visto como o aluno problema. Por conta desses impactos, as pessoas com TDAH são afetadas psicologicamente por se sentirem incapazes, por não terem autonomia e confiança para exercer atividades ou tarefas importantes em função do grande número de erros cometidos e das dificuldades vividas.

Importância do diagnóstico e do tratamento

Sabendo que os impactos do TDAH na vida do paciente são bastante sérios e que muitas vezes as consequências psicológicas afetam o desenvolvimento saudável do paciente, é de extrema importância que o diagnóstico seja feito de maneira precisa, o que por sua vez permitirá um plano de tratamento mais adequado e eficiente para cada caso.

Neste sentido, os neuropsicólogos(as) tem um papel importante na vida dos pacientes com TDAH. Em primeiro lugar porque na maioria dos casos, antes de saber que eles tem o diagnóstico, muitos pacientes são discriminados ou sofrem as consequências de serem pessoas “desorganizadas”. Quando o paciente recebe o diagnóstico e compreende os motivos para tais comportamentos, eles se sentem mais seguros e capazes de combaterem os sintomas do TDAH.

O diagnóstico do TDAH feito ainda na infância pode contribuir para que as consequências psicológicas negativas (sentimos de baixa autoestima, incapacidade) sejam evitadas durante o desenvolvimento. Uma vez que com o acompanhamento adequado, a chance da pessoa chegar à fase adulta e estar bem orientada, conhecendo a sua própria condição e adquirindo os melhores recursos para poder lidar com as dificuldades que são oriundas do diagnóstico, também são maiores.

Cuidar do TDAH é muito importante, pois na medida em que o indivíduo cresce e não existe uma atenção para o desenvolvimento e curso desse sintoma na vida do paciente, a probabilidade do indivíduo que não foi diagnosticado e tratado adequadamente apresente maiores dificuldades e prejuízos também é maior.

Se você deseja adquirir mais conhecimento nessa área, aproveite e leia o artigo:  Neuropsicologia Infantil: dificuldades de aprendizagem, diagnóstico e intervenção

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Sobre Jonathan Baccioti

Psicólogo graduado pela Fundação Hermínio Ometto – Uniararas (2012). Mestre em Psicologia com ênfase em Avaliação Psicológica pela Universidade São Francisco – USF (2014), recebendo financiamento da Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoas do Nível Superior (CAPES). Especialista em Neuropsicologia e Reabilitação Cognitiva pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-FMHCUSP) e do Núcleo de Estudos Dr. Fernando Gomes Pinto (2018). Atualmente realiza o doutoramento em Psicologia com ênfase em Avaliação Psicológica pela Universidade São Francisco, sendo membro da linha de pesquisa de construção, validação e padronização de instrumentos de medida. Participa de pesquisas de caráter psicométrico e clínico. Autor do Inventário de Rastreamento do TDAH em Adultos (IR-TDAH). É idealizador do NATEPsi - Neuropsicologia e Desenvolvimento Humano. Tem experiência em atendimento clínico e com avaliação psicológica e neuropsicológica em diferentes faixas etárias, sobretudo na investigação diagnóstica dos transtornos do desenvolvimento e quadros neurológicos e psiquiátricos.

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