Psicologia Criminal: tudo que você precisa saber para se especializar
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06 de agosto de 2019

Psicologia Criminal: tudo que você precisa saber para se especializar

Psicologia Criminal: tudo que você precisa saber para se especializar

O último Atlas da violência no Brasil, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), exibe índices alarmantes sobre crimes cometidos em território nacional. 

Esses dados são uma mostra dos problemas de caráter sistêmico da segurança pública no Brasil e, diante desse cenário, a Psicologia Criminal tem muito a contribuir seja nas investigações criminais, seja na ampliação da pesquisa na criminologia.

Fonte: Especiais.g1.globo.com

O referido cenário de violência no Brasil, com altos índices de assaltos e crimes violentos, indica que a sociedade está falhando na hora de propor e executar ações e políticas eficazes no combate à criminalidade e na promoção da segurança pública nacional.

Nesse viés, a rede  de aspectos históricos, sociais e econômicos que envolve o universo criminal e de segurança pública no Brasil demanda uma qualificação diferenciada dos profissionais atuantes na área para uma compreensão mais assertiva dos problemas e elaboração de soluções mais eficazes. 

Nesse universo, a Psicologia Criminal no Brasil, enquanto parte que se relaciona com a área jurídica e forense, vem trazendo contribuições importantes para subsidiar a pesquisa e a análise de casos que envolvem o comportamento criminoso.

Psicologia Criminal, Psicologia Jurídica e Psicologia Forense

É muito comum vermos estes termos utilizados de maneira intercambiável. Isso ocorre porque eles se sobrepõem e dialogam de tal forma que, às vezes, é realmente difícil traçar fronteiras entre eles.

Assim, nem sempre, o uso destes termos alternativamente acarreta prejuízos. 

No entanto, alguns estudiosos costumam ofertar distinções.

O professor Leonard Lin Ching Céspedes, em seu livro Psicología Forense. Principios Fundamentales, faz a seguinte diferenciação:

  1. A psicologia jurídica é a teoria que se vale dos conhecimentos da psicologia e tem como objetivo aplicá-los à prática do direito;
  2. A Psicologia Criminal é a teoria que se volta para as manifestações de determinados delitos e a delinquência, em geral;
  3. Psicologia forense é um tema mais amplo de estudo que está circunscrito dentro do marco de um processo policial, judicial entre outros. 

Céspedes faz ainda uma distinção entre psicologia forense e a psicologia pericial forense, detalhando que última trata da disciplina aplicada responsável  pelas perícias que baseiam para a tomada de decisões por parte do juiz, no âmbito do direito penal.

A importância da Psicologia Criminal na investigação policial

A Psicologia Criminal é a área da psicologia que se ocupa da produção de conhecimento sobre o comportamento e os processos psicológicos ligados à orquestração e perpetração de atos criminais. 

É uma contribuição teórica da Psicologia ao universo da administração da justiça e do direito, já que aborda a criminalidade em toda sua dinâmica biopsicossocial.

O profissional qualificado em Psicologia Criminal ou Psicólogo Criminal é quem tem conhecimento para traçar perfis criminosos, a partir da análise de fatores externos e internos.

Ele pode contribuir ativamente em processos jurídicos e periciais oferecendo técnicas, metodologias e procedimentos que dão respostas aos porquês para imputação ou não de responsabilidade. 

A investigação criminal pode se beneficiar dos serviços e do conhecimento desse ramo da psicologia. Infelizmente, na esfera pública, nem sempre há recursos financeiros disponíveis para trazer profissionais capacitados aos processos.

Isso é uma perda significativa, pois o conhecimento de Psicologia Criminal é imprescindível para uma compreensão especializada e eficaz dos problemas e situações do âmbito criminal.

Além disso, esse campo do saber também é a linha de frente dos debates sobre o crime como conjunto psicossocial. A Psicologia Criminal também se ocupa de pensar temas como a ineficácia do sistema carcerário no processo de ressocialização.


Quais as áreas de atuação para o Psicólogo Criminal?

Saber onde trabalha o Psicólogo Criminal é uma dúvida recorrente. A verdade é que são múltiplas as possibilidades de atuação.

Perícia Criminal 

Uma das possibilidades de atuar na área é através do ingresso na Polícia Civil ou Federal por meio de concurso público. Essa seleção não exige graduação específica e várias áreas são contempladas, incluindo a psicologia.

Servidor Público

Além das polícias, a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), as Forças Armadas e os Tribunais de Justiça são também opções em concurso público. Há ainda seleções para atuar em presídios, unidades de detenção de menores entre outros.

Assistente técnico

O Psicólogo Forense, outra denominação que aparece frequentemente associada à profissão de Psicólogo Criminal, pode ser contratado como assistente técnico para auxiliar e avaliar laudos do psicólogo perito. 

De forma independente

Os profissionais podem ainda atuar de forma autônoma oferecendo serviços de consultoria no âmbito da investigação forense e criminal, atuando também na área de segurança para empresas privadas. 

Como está o mercado de trabalho em Psicologia Criminal?

Psicologia Criminal: tudo que você precisa saber para se especializar

A demanda por psicólogos de uma forma geral tem crescido bastante nos últimos anos e a competitividade também. 

Há quem fale em saturação no setor, mas isso não é propriamente um fato e menos ainda no segmento criminal, que é uma área com carência de profissionais qualificados, já que áreas de atuação como a psicologia clínica costumam receber mais profissionais.

O mercado em Psicologia Criminal segue crescendo em face às crescentes demandas e desafios, em especial no contexto da segurança pública.

Embora ligado a esse cenário difícil, é importante lembrar que a Psicologia Criminal é parte essencial na elaboração de medidas preventivas com relação ao universo criminal.

Segundo o Prof. Dr. Marco Antonio Gomes, coordenador do curso de Psicologia Criminal do IPOG, o mercado de trabalho é promissor nos setores público e privado por estar diretamente ligados à segurança e também às universidades. Houve o aumento de disciplinas atreladas ao estudo da criminologia.

Portanto, fica claro que destacar-se no mercado como um bom profissional é substancial para obter um melhor salário e investimentos em cursos de qualificação, como especializações, mestrado, doutorado são preponderantes.

Qual o salário de um Psicólogo Criminal?

Segundo o site salario.com.br, a média salarial do Psicólogo Criminal é de R$ 3.877, 21. Já o teto salarial está em R$ 5.859,35, considerando profissionais em regime CLT.

Conheça a pós graduação em Psicologia Criminal do Instituto de Pós-Graduação e Graduação (IPOG)

A Psicologia Criminal enquanto ramo majoritariamente focado em compreender o universo psíquico de atos criminosos pode estar na linha de frente das áreas do saber com impacto efetivo na realidade vivida pela sociedade brasileira.

Isso ocorre considerando que a área transita entre teoria e prática, propondo linhas de reflexão e ressignificação mais verticalizadas sobre o comportamento criminoso e o âmbito da violência social. 

São os estudos desse campo que  podem determinar mais estrategicamente quais as propostas de intervenção e reformulações na área jurídica e forense com vista à melhorias para o complexo contexto de criminalidade no Brasil.

Foi pensando nisso que o IPOG criou o curso de especialização em Psicologia Criminal para qualificar profissionais interessados tanto na área da pesquisa, quanto no campo de cooperação com processos judiciais e perícias.

Com esse curso, você será equipado com conhecimento essencial para investigações e análise do perfil criminoso, além de preparação para a implementação de ações de cuidado e prevenção da violência na sociedade em seus diferentes segmentos. 

Quais os requisitos e para quem esse curso é destinado?

  • Profissionais da área da Saúde, Psicólogos e Psiquiatras Clínicos ou forenses;
  • Profissionais da área da Segurança Pública e de Serviços de Inteligência;
  • Profissionais da área Jurídica, Promotores, Juízes e Defensores Públicos;
  • Profissionais Militares e Civis da área de Investigação e Perícia Criminal. 

Como é possível perceber, vários profissionais podem se beneficiar de um curso de especialização em Psicologia Criminal. 

Mesmo que a atuação na área específica não seja propriamente o objetivo, há o incremento de conhecimentos avançados que podem instrumentar melhor o exercício de várias profissões.

Grade curricular

  1. Avaliação Psicológica Criminal;
  2. Antecedentes da Sociologia e Criminologia: Correntes Criminológicas;
  3. Comunicação Social e Marketing Público em Segurança Pública;
  4. Desenvolvimento Integral do Potencial Humano;
  5. Sociedade, Cidadania e Violência na Contemporaneidade;
  6. Violência Familiar, Escolar e de Gênero;
  7. Neuropsicologia;
  8. Psicopatologia Forense;
  9. Perícia e Análise Comportamental do Crime;
  10. Vitimologia;
  11. Psicologia Penitenciária;
  12. Direito Penal e Investigação Judiciária;
  13. A Atividade de Inteligência em Segurança;
  14. Constituição e os Direitos Humanos;
  15. Medicina Legal;
  16. Toxicomanias;
  17. Grupos: Torcidas Organizadas, Seitas e Grupos de Extermínio;
  18. Diagnóstico e Prevenção em Segurança Pública.

São 18 disciplinas na medida certa para instrumentar os profissionais com conhecimentos avançados e estratégicos, numa abordagem contemporânea e interdisciplinar, alinhada com as demandas reais do cenário brasileiro.

Ainda segundo o Prof.Dr. Marco Antonio Gomes, ao final do curso, os profissionais estarão capacitados para:

  • colocar em prática conhecimentos aplicados avançados e especializados em um corpo de conceitos, procedimentos, técnicas e atitudes que permitam desenvolver-se no âmbito da Psicologia Criminal e segurança pública;
  • abordar os diversos problemas que podem ocorrer a partir do âmbito criminal e da violência social, sendo capaz de assumir a autonomia necessária para tomar decisões, fazendo uso dos recursos científicos e profissionais necessários para este fim;
  • compreender e analisar a complexidade da imputabilidade nas causas penais;
  • distinguir entre lesões psíquicas e sequelas, podendo avaliar adequadamente as vítimas de delitos;
  • dar parecer a respeito das consequências jurídicas no campo da imputabilidade de distintos transtornos psicopatológicos;
  • criar estratégias e aplicar técnicas que permitam realizar uma intervenção apropriada no terreno da justiça penal;
  • intervir na avaliação de detentos em prisões e desenvolver as diversas técnicas de tratamento penitenciário;
  • atuar na promoção e prevenção da violência doméstica escolar e social;
  • contribuir em ações e estratégias voltadas para o âmbito da Segurança e saúde pública.

Se você gostou deste artigo, não deixe de conferir esse e muitos outros assuntos no blog do IPOG!

IPOG – Instituto de Pós-Graduação e Graduação

Instituição de ensino com tradição e reconhecimento no mercado, o IPOG fará total diferença no seu currículo. Afinal, não adianta ter uma certificação se a organização não é reconhecida pelos recrutadores.

O IPOG possui diversos cursos de ensino superior e tem em seu quadro professores de excelência com renome e experiência no mercado. A proposta do IPOG é de um ensino contemporâneo e humanizado, que estimula o desenvolvimento das potencialidades de cada aluno e otimiza o seu plano de carreira.  

O Instituto está presente nos 26 estados do país e no Distrito Federal. São quase 20 anos de experiência na qualificação de especialistas que se tornam referência nas suas áreas.

Os projetos pedagógicos conduzidos na instituição são diferentes dos já existentes no mercado. Isso possibilitou que alcançássemos o status que temos hoje.

Não deixe de investir no seu futuro e se tornar o profissional que você sempre sonhou!

 

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Sobre Marco Antonio Gomes

Doutor em Psicologia pela Universidade de São Francisco, Itatiba, SP (2015) ênfase em Avaliação Psicológica. Mestrado em Educação, Educação Inclusiva e Políticas Públicas pela Universidade Metodista de Piracicaba (2002). Especialização em Educação Especial e Políticas Públicas pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, MS (2000). Especialização em Psicologia da Educação pela Fundação Educacional de Caratinga MG (1992). Graduação em Psicologia pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora, Juiz de Fora, MG (1988). Psicólogo Perito Examinador de Trânsito pela Universidade Católica de Brasília, Brasília, DF (2010). Avaliador ad hoc do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (BASis) - Instrumento de Avaliação de Cursos de Graduação (IACG) para atos de autorização de cursos representando o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais. INEP/MEC. Conteudista /Autor da Dtcom - Direct To Company S/A - EAD. Pesquisador e docente do Centro Universitário de Caratinga - UNEC. Experiência em projetos de ensino, pesquisa e extensão desde 2006. Docente no curso de Psicologia e Coordenador e docente do curso de Pós Graduação em Saúde Mental do Centro Universitário de Caratinga - UNEC. Professor Convidado no curso de Pós Graduação em Saúde Mental na Universidade de Vassouras (Vassouras-RJ). Professor convidado no curso de Pós Graduação em Docências do Ensino Superior e Educação Inclusiva na Universidade Presidente Antônio Carlos - UNIPAC (TOMG). Experiência em Pesquisa e Extensão. Atuando principalmente nos seguintes temas: Psicologia clínica; Psicologia Comunitária; Psicologia Criminal; Avaliação Psicológica; Saúde Mental; Psicologia da Educação; Educação Inclusiva e Metodologia da Pesquisa.

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