Você sabe controlar os custos da obra?
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14 de junho de 2018

Você sabe controlar os custos da obra?

custos da obra

Falar sobre economia na obra é sempre bem atrativo, não é mesmo? Afinal, conseguir fechar as contas no azul ainda é um desafio tanto para pequenos construtores, como para empresas que trabalham na execução de grandes empreendimentos.

Mas qual será o segredo para controlar os custos de uma obra?

De forma geral, a grande questão em relação a controle de custos da obra é, com base no planejamento, com base nas metas estabelecidas de custos, fazer um combate total aos desperdícios na obra e buscar aumento na produtividade. É o que explica o professor do IPOG, Gilberto Porto.

Segundo ele, o primeiro passo é desenvolver um entendimento de que nem todos os custos são problemáticos. “O problema são aqueles custos que não agregam valor ou que são despesas desnecessárias, como despesas que não estavam no orçamento, que não foram programadas”, pontua.

Vilãs dos custos da obra:

  • Retrabalho (execução de serviço que foi mal feito e por isso precisa ser refeito)
  • Perda de produtividade
  • Prazos que se estendem além do previsto, aumentando os custos da obra

Gilberto Porto ainda destaca que outros custos são necessários, como por exemplo, aquisição de areia, cimento, contratação de mão-de-obra. Por isso, o engenheiro precisa ter clareza sobre a diferenciação dessas despesas quando o assunto são os custos da obra.

3 estratégias para controle de custos da obra

1) Reconhecimento

Essa etapa envolve o reconhecimento dos documentos, o reconhecimento do empreendimento. Enfim, trata de entender o que será feito e qual a documentação e os parâmetros que o profissional terá para a realização da obra.

Gilberto Porto explica que o objetivo nessa etapa é estabelecer as metas. “Eu não consigo estabelecer metas se eu não conheço o projeto, as especificações, os memoriais, e até o mesmo orçamento – se é que ele foi elaborado”.

Ele ainda pontua que se o orçamento já foi elaborado, é preciso fazer um estudo minucioso dele para fazer a avaliação. Como por exemplo, saber se ele é viável, se está bom ou não, baseado nos projetos. No caso do orçamento ainda não ter sido elaborado, é preciso fazer uma análise minuciosa porque é desse orçamento que saem as metas de custos da obra.

Portanto, o que é importante analisar nessa fase de reconhecimento dos custos da obra:

  1. Documentação: projetos, editais, etc.
  2. Cronograma físico e financeiro da obra
  3. Avaliação do fluxo de caixa

Esse terceiro item, segundo o engenheiro e professor do IPOG, é muito importante, pois é a partir dele que se sabe se vai haver dinheiro para construir o empreendimento dentro desses custos da obra que foram previstos.

Lembre-se: Quando há menos fluxo de caixa, quando a entrada de dinheiro é menor, o empreendimento tende a ficar mais caro. Isso porque o prazo de execução precisará ser maior, portanto o período de execução tende a se arrastar por mais tempo.

Quanto maior o tempo de execução, maiores serão os custos da obra”.

Trace as metas de custos da obra

Gilberto Porto explica que depois desse estudo sobre orçamento ter sido feito, chega a hora de traçar as metas sobre os custos da obra.

  • Fixar o orçamento: qual o orçamento “meta” da obra?
  • Qual o índice de correção monetária? (Correções de acordo com a inflação, INCC, entre outros)
  • Estabelecer meta geral (até a previsão de conclusão da obra)
  • Estabelecer metas mensais
    • Qual o valor mensal previsto no cronograma financeiro?
    • Medição de obra: quanto a obra precisa evoluir (avanço físico) dentro de 30 dias?

2) Execução

Quando a obra começa a ser executada é preciso haver um acompanhamento com base nas metas que foram estabelecidas na etapa anterior sobre os custos da obra. É preciso acompanhar:

  • Compras de insumos
  • Compras de materiais de construção
  • Contratação de mão-de-obra

Todos estes itens devem se encaixar dentro do valor previsto no orçamento. Dessa maneira, o que vai ser realizado deve estar alinhado com o memorial descritivo. Ou seja, é preciso haver acompanhamento para que tudo siga de acordo com os parâmetros preestabelecidos.

A execução da obra precisa obedecer o que foi traçado durante o planejamento”.

Além disso, Gilberto Porto alerta que todo mês é preciso fazer um acompanhamento criterioso dos resultados:

  • O que estava previsto para aquele mês?
  • O que foi executado?

Segundo o professor do IPOG, fazendo este comparativo, é possível perceber a curto prazo se os custos da obra estão seguindo o que foi previsto e, caso não estejam, o engenheiro tem prazo hábil para fazer os ajustes. As correções e o reajuste do planejamento podem evitar grandes prejuízos.

A mesma análise também é importante quando a meta mensal na obra é alcançada. É preciso perguntar: “Qual foi o nosso diferencial?”, “O que fizemos certo que podemos repetir no próximo mês?”. Assim, é possível manter o bom rendimento e repetir os resultados positivos, afirma Gilberto Porto.

3) Análise do Resultado Final

Em geral, nessa terceira e última etapa é feita uma verificação das lições apreendidas pelo profissional que está a frente do empreendimento e para toda a equipe. O que aprenderam que pode ser aplicado para melhorar a condução e os custos da obra que virá em seguida?

Passos para análise do resultado final:

  • Fazer uma avaliação final dos resultados, baseada no planejamento que foi feito lá no início da obra
  • Fazer a consolidação do resultado final do empreendimento
  • Quais foram os custos da obra?
  • Tudo se deu como foi planejado?
  • As entregas foram feitas dentro do prazo previsto?

Por que fazer essa análise?

  • Para saber se o planejamento foi seguido
  • Criar um registro de lições aprendidas naquele empreendimento para os próximos que serão realizados:
    • Segundo o professor do IPOG, a criação desse material é muito importante, pois será um “patrimônio” da empresa de gestão do conhecimento para os empreendimentos futuros.

Seguindo estes passos, é possível realizar uma obra enxuta sem prejudicar a qualidade da execução. Além de combater os desperdícios e é claro, o prejuízo também! E aí, que tal colocar em prática?


Sobre Gilberto Porto

Professor IPOG em várias Pós-Graduações de Engenharia, Engenheiro Civil, Especialista em Planejamento Estratégico Empresarial e em Gestão Empresarial de Negócios. Atua na indústria da construção e no mercado imobiliário há 30 anos. Também atua em treinamentos e formação de equipes de alto desempenho.

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