Fachadas ventiladas: uma estratégia que gera economia
4 minutos de leitura
26 de julho de 2018

Fachadas ventiladas: uma estratégia que gera economia

Fachadas Ventiladas

A sustentabilidade tem se tornado uma tendência mundial quando o assunto é moda, gestão de empresas, da carreira e na construção não é diferente.

Já parou para pensar o quanto consumimos de energia para amenizar a temperatura na nossa sala do trabalho ou até mesmo do nosso quarto em casa? Grande parte da energia que usamos para ascender uma lâmpada, carregar o celular, ligar o maquinário de uma fábrica vem das hidrelétricas.

Em meses de estiagem e que muitas vezes são acompanhados pelo tempo seco e quente, torna-se indispensável o uso do ar-condicionado. Mas será que dá pra ser sustentável mesmo levando em consideração esses fatores adversos? É possível diminuir os custos com o ar-condicionado em uma empresa, mesmo em dias em que a temperatura fica próxima aos 30ºC?

Dá sim! Graças a uma estratégia que vem ganhando o mercado e que une arquitetura e engenharia civil, as chamadas ‘Fachadas Ventiladas’. Você já conhece?

Fachadas Ventiladas:  o que são e como funcionam?

As fachadas ventiladas auxiliam na melhoria do conforto térmico e podem reduzir de 30 a 50% do consumo de energia de um prédio. A técnica cria uma espécie de segunda pele em relação a fachada principal de um edifício.

Quem vê pelo lado de fora pode pensar até que a armação – que muitas vezes é feita de alumínio ou aço inoxidável – é uma espécie de proteção da estrutura do prédio, uma vez que a estrutura mantém a fachada afastada da alvenaria de vedação.

Essa armação/estrutura quase nunca é visível pelo lado de fora. O que se vê de fora é já o revestimento em si. Essa armação/estrutura só é visualizada durante a execução da fachada ventilada. Uma vez instalada, essa estruturação desaparece.

As fachadas ventiladas funcionam da seguinte forma: entre o revestimento e a parede forma-se um vazio que canaliza a circulação do ar pelo chamado efeito chaminé, no qual o ar frio entra pela parte inferior do vão e o aquecido sai pela parte superior.

Desse jeito, forma-se o chamado ‘colchão’ que isola termicamente a construção. Esse direcionamento do ar ocorre devido a diferença de pressão.

O sistema respirante ajuda na dispersão do vapor presente no interior das paredes de modo que também atua eliminando a umidade dos edifícios. Parte do vapor de água que é formado dentro do estabelecimento também pode ser eliminado através das paredes, o que acaba contribuindo para conservar a estrutura.

Materiais das fachadas ventiladas

Além da diminuição do consumo de ar-condicionado do prédio, o material utilizado na estrutura formada por painéis e dispositivos de fixação é 100 % reciclável.

Podem ser utilizados para o revestimento da fachada diversos componentes tais como: porcelanato, cerâmica, fibrocimento.

A escolha vai depender da exigência de eficiência térmica do projeto. Lembrando que a sustentação do sistema é feito por dispositivos metálicos. Já os selantes estruturais podem variar de acordo com o revestimento e podem ser necessário para a fixação dos painéis.

Vantagens das fachadas ventiladas:

A estrutura que compõe a fachada ventilada, bem como o projeto em si possui inúmeras vantagens, além daquelas que já falamos no início do material. As principais são:

  • A facilidade de limpeza: que pode ser feita pela água da chuva;
  • Alta durabilidade;
  • Facilidade de manutenção e instalação: inclusive a reposição das placas é feita de forma independente;
  • Variedade de cores, formatos e texturas, o que permite formas arrojadas e personalizadas. Pode atender também demandas específicas de projetos em relação ao design;
  • Cavidades podem ser utilizadas como shaft de instalações elétricas, hidráulicas, de ar-condicionado, tratamento de isolamento acústico e muitos outros;
  • Painéis são resistentes às intempéries;
  • Se bem instaladas, a fachada ventilada pode controlar a água da chuva e diminuir ou até mesmo eliminar infiltrações;
  • A técnica é muito procurada por garantir uma obra seca e com menor geração de resíduos.

O que deve conter em um projeto e instalação de fachadas ventiladas?

A parte da instalação deve ser feita sempre depois do projeto executivo estar pronto e aprovado para reduzir custos, tempo e até mesmo mão-de-obra.

O primeiro passo que diz respeito sobre o planejamento deve conter de forma detalhada como será feita a fixação e modulação das placas.  A segunda etapa é sobre a pré-fabricação. A questão de cortes de placas de revestimento pode ser feita na própria fábrica onde os componentes foram feitos.

Já o trabalho de execução deve ser realizado sempre por um profissional qualificado. Já que nesta etapa serão instalados os componentes de fixação, alinhamento e o prumo de fachada.

Atenção! Nessa fase do trabalho os colaboradores responsáveis pela execução devem se locomover por andaimes, plataformas elevatórias, entre outros.

Apesar do crescimento da procura pelas fachadas ventiladas, ainda não existem normas técnicas específicas sobre o sistema.

Quais edifícios podem aderir a técnica?

As fachadas ventiladas podem ser usadas em vários tipos de edificação, desde as residências, comerciais, hotéis, hospitais e até mesmo equipamentos urbanos. No caso dos prédios de unidades de saúde, é possível ainda o uso de revestimentos anti-bactericidas.

E aí, gostou da ideia? Deixe seu comentário!


Sobre Lorí Crízel

Arquiteto e Urbanista graduado pela Universidade Católica/RS; Mestre em Conforto Ambiental pela UFRJ; Membro do Comitê Especial Europeu de Pós-Graduação tendo atuado em: Inglaterra, Escócia, País de Gales e França; HA e Concept Designer – País de Gales, Inglaterra e França; Professor, Coordenador de Cursos e do Programa de Viagens de Estudos Internacionais do IPOG; Sócio-Proprietário do Escritório Crízel & Uren Arquitetos Associados detentor do Selo CREA/PR de Excelência em Projeto Arquitetônico; Atividades de imersão nos escritórios de Norman Foster (Londres), Zaha Hadid (Londres), Christian de Portzamparc (Paris), BIG (Copenhague), Hassell Studio (Cingapura), AEDAS Architecture (Cingapura), Architects 61 (Cingapura), Design Link Architects (Cingapura), Tandem Architects (Bangkok), DBALP Jam Factory (Bangkok) e X Architects (Dubai); Atividades Institucionais junto ao POLI.Design do Instituto Politécnico de Milão (Itália), McGill University (Canadá) e Universidade do Porto (Portugal).

Comentários