O que realmente forma um vendedor fora da curva?
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O que realmente forma um vendedor fora da curva?

vendedor de alta performance

Em algum momento, quase todo mundo já cruzou com aquele vendedor que fala sem parar, segue um roteiro engessado e, no fim, culpa o “mercado difícil” por não bater a meta. Ao mesmo tempo, empresas seguem repetindo a mesma pergunta: onde estão os profissionais realmente preparados?

O contexto mudou e rápido. Hoje, 43% das buscas já terminam sem clique, e 37% dos usuários recorrem à IA em vez da busca tradicional. Ou seja, respostas rasas já não sustentam relevância. Em vendas, acontece algo semelhante: discurso vazio não gera confiança.

Neste artigo, você vai entender o que realmente forma um vendedor fora da curva a partir das reflexões do último episódio do IPOG Cast, apresentado por Gustavo Ferreira, diretor comercial e de marketing do IPOG, com a participação de Adriano Borges -empresário, diretor comercial da unidade IPOG Vitória e professor da instituição e Thiago Malta, CEO do Grupo B2 e, sobretudo, como aplicar esses insights de forma prática na sua rotina de vendas.

O que diferencia um vendedor mediano de um vendedor de alta performance?

A resposta pode surpreender. Não é pelo talento nato, nem por sorte. É, principalmente, pelo método.

Adriano Borges, empresário, mentor e professor da Formação em Vendas do IPOG, é direto: “O que difere um vendedor mediano de um que tem alta performance é que ele não confia no improviso”, destaca. Os profissionais com mais resultado são aqueles que estudam um método, constroem um sistema de atendimento e repetem esse sistema de forma escalável.

Além do método, há um elemento estrutural: o comportamento. Pesquisas apontam que 75% do resultado de qualquer profissional de alta performance vem do comportamento, e não da técnica. “A gente costuma treinar a técnica e achar que comportamento é papo de coach”, observa Adriano.

Segundo ele, a alta performance em vendas está ancorada em um tripé básico: método, processo e mentalidade.

Autorresponsabilidade: o ingrediente mais raro nas vendas

Thiago Malta, empreendedor há mais de 15 anos e CEO do Grupo B2, vai ainda mais fundo. Para ele, além da ambição, o que mais faz falta no vendedor hoje é a autorresponsabilidade.

“É raro você ver um vendedor que entende que não bateu a meta porque não fez a pergunta certa, porque não se preparou”, afirma Thiago. Ele ressalta que a primeira objeção do cliente raramente é o problema real, o problema, muitas vezes, está na preparação de quem vendeu.

Por isso, a preparação pré-reunião não é opcional. Thiago afirma nunca entrar em uma reunião sem antes pesquisar a empresa, checar as redes sociais do interlocutor e entender o contexto da conversa.

Como transformar escuta em proposta de valor?

Aqui está um dos maiores gaps do mercado. Boa parte dos vendedores ouve o cliente, mas não escuta. A diferença parece sutil, mas na prática é abissal.

Thiago Malta descreve bem o problema: “O vendedor vem com um roteiro, mas não está te escutando. Ele vai seguir as 10 perguntas que tem que fazer sem conseguir entender, no final das contas, qual é a dor do cliente”. O resultado? Uma proposta genérica, desconectada da realidade de quem está do outro lado.

A solução passa por controlar a ansiedade de vender. Adriano Borges aponta que a principal falha está justamente nisso: “A pessoa não está lá para entender o cliente verdadeiramente, ela está muito mais para vender”, observa. E quando isso acontece, o vendedor argumenta antes de compreender.

Da característica ao benefício: como agregar valor de verdade

Adriano traz uma distinção fundamental: a diferença entre falar de características e falar de benefícios.

Dizer que um curso oferece networking é uma característica. Transformar isso em benefício é mostrar ao profissional como aquele contato específico vai resolver um desafio real que ele enfrenta hoje. “Agora eu fiz você fazer alguma coisa com essa característica. Isso é benefício de verdade”, explica Adriano.

Na prática: escute o que o cliente trouxe, retome esses pontos e mostre como você ajuda naquela realidade específica. O pitch genérico é ego disfarçado de argumento.

Ambição é necessária ou é superestimada em vendas?

Ser ambicioso é necessário. Mas a ambição sozinha não garante resultado e, pode confundir os próximos passos do vendedor.

Para Thiago Malta, o que precisa existir junto com a ambição é uma meta muito clara. “Não é a meta que a empresa te passa, é a sua meta, onde você quer chegar, o que é bom para você sem olhar pro lado”, define ele.

Adriano complementa: os profissionais com mais resultado sentem desconforto quando não atingem a meta. Eles não aceitam a estagnação. Portanto, a ambição saudável não é comparar-se com os outros, é um compromisso consigo mesmo.

“Mais forte que a vontade de ter resultado tem que ser a vontade de me preparar para ter ele”, declara Adriano.

Por que estudar faz parte da rotina do vendedor de alto nível?

Um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento em vendas é a resistência ao estudo. A objeção mais comum: “Se eu parar para treinar, vou perder cliente”.

Adriano refuta essa lógica com uma referência relevante: Yako Vanandercoi, fundador da Winner by Design, consultoria de vendas reconhecida globalmente, defende que “4 dias de vendas mais um de treinamento geram mais resultado do que 5 dias de vendas”. Parar para estudar não é custo, é investimento com retorno mensurável.

Gustavo Ferreira compartilhou uma virada de chave pessoal: durante muito tempo resistiu aos livros, até descobrir que seu jeito de aprender era diferente e que o estudo com conexão à aplicação imediata fazia mais sentido para ele. “Depois que eu entendi que desse jeito eu aprendia e destacava, o livro veio como consequência”, reflete.

A mensagem é clara: estudar não é sinônimo de ler livros, é avaliar como você conduz suas reuniões, como escreve seus scripts, onde estão os gargalos do seu processo. Isso também é estudo.

Como migrar de vendedor para gestor comercial?

À medida que o vendedor evolui, surge um novo horizonte: a gestão. E esse caminho tem suas próprias exigências.

Adriano Borges estrutura esse desenvolvimento em quatro pilares: pessoas, processos, gestão e tecnologia. Em cada um, o futuro gestor precisa se perguntar o que ainda precisa desenvolver, técnica e comportamentalmente.

Uma dica prática: comece preenchendo bem o CRM. “Ninguém quer saber que você ligou. A gente quer saber o que você conversou na ligação”, ressalta Adriano. Quem não tem esse hábito como vendedor dificilmente terá autoridade para cobrá-lo como gestor.

Thiago Malta complementa com um princípio de liderança: “Você precisa ter sensibilidade para tratar o liderado como ele precisa ser tratado, alguns precisam de mais rigor, outros de mais flexibilidade, outros de mais autonomia”. O bom líder é, antes de tudo, um bom ouvinte – exatamente como o bom vendedor.

Você se torna gestor muito antes do papel chegar

Adriano tem uma visão que muda a perspectiva: liderança não começa no cargo, começa nas atitudes. “A gente se tornou gestor muito antes de ser de fato no papel”, recorda ele, referindo-se à trajetória dentro do IPOG, onde tanto ele quanto Gustavo Ferreira já exerciam influência no time antes de qualquer promoção formal.

Na ausência do gestor, era o comprometimento – e não o cargo – que definia quem conduzia o time.

Vendedor fora da curva não nasce pronto

A conclusão do episódio do IPOGCast é também a conclusão mais honesta sobre vendas: ninguém chega à alta performance por acidente.

Essa construção exige técnica, estudo, autoconhecimento e prática constante. Adriano Borges encerra com uma frase que remonta ao filósofo São Beda, retomada pelo palestrante Mário Sérgio Cortella:

“Existem três trilhas virtuosas: ensinar o que se sabe, praticar o que se ensina e perguntar o que se ignora.”

Ensinar o que se sabe é generosidade. Praticar o que se ensina é coerência ética. E perguntar o que se ignora é humildade intelectual – a qualidade mais rara em um mundo onde todos querem parecer que sabem tudo.

Se este tema provocou reflexões em você, vale aprofundar a conversa. O episódio completo do IPOG Cast sobre “O que realmente forma um vendedor fora da curva?” está disponível no YouTube, com o debate na íntegra entre Gustavo Ferreira, Adriano Borges e Thiago Malta. Você também pode ouvir no Spotify e acompanhar os principais insights.

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