Ensino e aprendizagem por meio de metodologias ativas!
6 minutos de leitura
20 de agosto de 2018

Ensino e aprendizagem por meio de metodologias ativas!

Metodologias Ativas

As mudanças ocorridas nos últimos anos têm afetado de modo importante à educação e a forma como os estudantes têm se comportado no ambiente escolar. Os alunos estão “hiperconectados” e com acesso à informação por meio das tecnologias portáteis, dos quais fazem uso diário, se faz necessário o uso de metodologias ativas no processo de aprendizagem. Esse cenário tem se tornado cada vez mais constante e real nos dias atuais.

Em decorrência disso, tornou-se um grande desafio para os educadores desenvolverem estratégias de ensino que atraiam a atenção dos discentes. Santos e Soares (2011) acredita que a evolução da tecnologia, juntamente com as mudanças sociais desenvolveram um novo tipo de aluno, mais crítico, mais informatizado e com alto nível de entendimento. Neste sentido, o desafio das instituições educacionais é buscar por metodologias inovadoras que proporcionem a prática pedagógica, permitindo aos professores alternativas para associar os métodos tradicionais de ensino às metodologias ativas de aprendizagem. Assim, o professor se torna agente/facilitador e o aluno se transforma em protagonista no processo de ensino aprendizagem.

Para isso é necessário ampliar a visão das Instituições de Ensino desenvolvendo a cultura de espaços compartilhados e adoção de sala de aula invertida como prática de metodologia ativa, através do meio híbrido e também digital. A metodologia ativa conforme Marin (2010) vem como alternativa para atender as demandas em relacionar ensino teórico e prático de modo ativo na sala de aula, e também fora dela.

O que são as metodologias ativas?

As metodologias ativas fundamentam-se em estratégias de ensino baseadas nas concepções pedagógicas reflexivas e críticas, onde se pode interpretar e intervir sobre a realidade, promover a interação entre as pessoas e valorizar a construção do conhecimento, os saberes e as situações de aprendizagem. O princípio associado ao uso das metodologias ativas consiste em deslocar o eixo principal da responsabilidade pelo processo de aprendizagem do professor para o aluno.

A sua proposta procura apresentar situações de ensino que despertem o senso crítico do estudante com a realidade, que o faça refletir sobre problemas desafiadores, a identificar e organizar determinadas hipóteses de soluções que mais se enquadrem a situação, e a aplicação destas.

Quais os principais objetivos das metodologias ativas?

O objetivo é fazer com que o aluno seja o personagem principal da relação de ensino aprendizagem, cujo professor contribua no processo participando de outras formas.

Para Berbel (2011), a metodologia ativa tem como intuito buscar favorecimento na motivação autônoma do aluno, extraindo o potencial do mesmo, despertando curiosidade para descobrir novos conceitos, inserindo o conhecimento teórico e possibilitando uma perspectiva própria e diferente do professor.

A autora afirma que nesse estilo de metodologia o professor tem papel de mediador, ou seja, ele deixa de ser a única fonte de informação do aluno colocando-o para pensar, pesquisar e desenvolver sua própria análise crítica, com isso o objetivo do aprendizado estabelecido é mais facilmente alcançado e de forma desafiadora. O ensino passa a ser mais explorado, uma vez que o aluno passa a entender com mais propriedade os conteúdos ministrados.

Princípios que constituem as metodologias ativas:

  • Aluno visto como centro do ensino e aprendizagem;
  • Autonomia;
  • Reflexão;
  • Problematização da realidade;
  • Trabalho em equipe;
  • Inovação (TIC tecnologia da informação e comunicação);
  • Professor como mediador, facilitador

As metodologias ativas estimulam o professor a explorar a experiência dos alunos como ponto de partida para a construção do conhecimento, oferecendo a eles ferramentas para utilizarem a vivência e as ideias próprias como forma de questionar o que está estabelecido, em busca de validação, ou de novos meios de se pensar a ciência. Dessa forma, o professor contribui para promover a autonomia do aluno em sala de aula quando:

  1. nutre os recursos motivacionais internos (interesses pessoais);
  2. oferece explicações racionais para o estudo de determinado conteúdo ou para a realização de determinada atividade;
  3. usa de linguagem informacional, não controladora;
  4. é paciente com o ritmo de aprendizagem dos alunos;
  5. reconhece e aceita as expressões e sentimentos dos alunos.

Como posso utilizar as metodologias ativas em sala de aula?

Para colocar em prática o conceito defendido pelas metodologias ativas é importante conhecer a sua tipologia, para que seu uso em sala de aula seja adequado e eficaz.

Buscamos trazer algumas delas para inspirá-lo a adotar diferentes formatos de condução de aula junto aos seus alunos.

PBL – Problem Based Learning

A PBL (problem based learning), que na tradução livre significa aprendizagem baseada em problemas, tem o objetivo de desenvolver as habilidades e atitudes de forma integrada do estudante e obter conhecimentos por meio de resolução de problemas. São selecionados problemas mal estruturados, na maioria das vezes multidisciplinares, e o professor entra como o orientador no processo de aprendizagem, conduzindo um interrogatório completo na conclusão da experiência de aprendizagem. Nas aulas, os alunos e o instrutor discutem os detalhes do conteúdo, mergulhando em conversas semelhantes às que seriam feitas na vida profissional.

A sua proposta busca apresentar situações que despertem o senso crítico do estudante com a realidade, e o faça refletir sobre os problemas desafiadores, a identificar e organizar hipóteses de soluções que mais se enquadrem a situação. (DIAZ-BORDENAVE; PEREIRA, 2007). Na PBL, a construção de um currículo fundamentado em problemas é necessário, pois a concentração na resolução dos problemas seria a diretriz norteadora em todo o processo educativo, porque busca confrontar os estudantes com situações vivenciadas diariamente no seu campo profissional.

TBL – Team Based Learning

A TBL (Team Based Learning), ou aprendizado baseado em equipes tem uma abordagem centrada no aluno, que instiga a sua curiosidade e que se desenvolve com base no debate de concepções individuais sobre o tema de estudo. A ideia é que o aluno esteja mais motivado tanto para preparação individual quanto a construção de conhecimentos por meio do grupo (MICHAELSEN; KNIGHT; FINK, 2002).

A metodologia se baseia no construtivismo e na resolução de desafios, estimulando ao aluno a desenvolver, processar, discutir e, como resultado, aumentar a sua capacidade cognitiva sobre um determinado assunto, sempre na forma de uma dinâmica de equipe (GOPALN; FOX; GAEBELEIN, 2013). Na TBL, por mais que a atividade seja realizada em grupo, o foco está no desempenho do indivíduo e em sua aprendizagem por meio e com o auxílio da equipe.

A sua implementação em sala de aula requer algumas etapas: preparação (sala de aula invertida); garantia da participação (concept teste individual e grupal – com uso de ferramentas adequadas); aplicação (atividades aplicadas); avaliação (anônima e em pares).

Para isso, o aluno precisa cumprir todas as etapas, principalmente com sua preparação individual. O professor também precisa verificar e garantir esse preparo. É importante destacar que, a implantação do TBL ainda requer quatro princípios fundamentais: equipe heterogêneas, mantidas ao longo das atividades; responsabilidade e comprometimento do aluno, individual e em grupo; atividades que promovam a aprendizagem e o crescimento da equipe; e oferta constante de feedback por parte do professor (michaelsen; knight; fink, 2002).

PI – Peer Instruction

O Peer Instruction (instrução entre pares) é um método de ensino interativo, baseado em evidência e faz que os alunos aprendam enquanto debatem entre si, instigados por perguntas de múltipla escolha, que indicam as dificuldades e promove ao estudante uma oportunidade de pensar sobre conceitos desafiadores. A técnica promove a interação em sala de aula para envolver os discentes a abordar aspectos críticos da disciplina. Inicialmente o professor apresenta o tema, e logo após o foco muda do instrutor para o aluno, com a apresentação do Concep Test ao participante.

A interatividade entre aluno e professor acontece constantemente, pois os discentes são incentivados a discutirem suas questões (do concept test) com seus pares e com outros grupos, a fim de encontrarem respostas diferentes das suas, para refletir sobre a melhor opção de resposta. O facilitador então, circula entre as equipes incentivando as discussões de forma produtiva, e orientando os estudantes na forma de pensar.

Sala de aula invertida

A sala de aula invertida é uma categoria do e-learning na qual os conteúdos são estudados on-line pelo aluno antes de ir para a sala de aula. Dessa forma, a sala de aula passa a ser o local de realização de atividades práticas, debates, discussões sobre o conteúdo já estudados.

A inversão ocorre quando o professor não é o transmissor ativo do conteúdo. Assim, o aluno estuda o conteúdo após a aula, para que no momento de discussão, seja verificado a assimilação do conteúdo pelo discente. O professor trabalha as divergências dos alunos ao invés de exibir todo o conteúdo da disciplina (EDUCAUSE, 2012). Isto permite aulas mais interativas e maior fixação dos conteúdos ministrado.

Entenda por que você deve começar a usar o storytelling na sala de aula!

Quer conhecer sobre a gamification? Clique aqui.


Artigos relacionados

9 benefícios incríveis da gamificação na educação Antes de falarmos da gamificação na educação, precisamos perguntar: você sabe o que é a gamificação? https://www.youtube.com/watch?v=l_Vsm67oYqE É uma técnica que adapta conceitos e ideias do universo dos jogos para o mundo real, com o objetivo de incent...

Sobre Nayra Menezes

Professora de Pós-graduação do IPOG e fundadora e Diretora Executiva na WINNER Gamificação, Educação e Negócios. Doutoranda em Psicologia na linha de oncentração OBM Análise de Comportamento pela PUC-GO. Membro associado da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental.

Comentários