O que há em comum entre os 12 escritórios de Arquitetura mais promissores do Brasil?
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19 de julho de 2017

O que há em comum entre os 12 escritórios de Arquitetura mais promissores do Brasil?

Escritórios de Arquitetura

Recentemente, uma lista sobre os 12 escritórios de Arquitetura mais promissores do país foi divulgada neste site. Entre as semelhanças está o fato de todos terem surgido de 2000 pra cá e a maneira como se posicionam diante da nova dinâmica do mercado.

Para entender melhor a razão de tamanho sucesso, convidamos o professor da Pós-Graduação do IPOG Master em Arquitetura e Lighting, Oliveira Jr, para falar sobre as razões do crescimento destes escritórios e dar dicas para quem também deseja se destacar profissionalmente na área. Oliveira Jr, além de dar aulas, também atua como Arquiteto e Urbanista.

Confira abaixo a lista dos 12 escritórios de arquitetura considerados como os mais promissores no país e na sequência, a entrevista com Oliveira Jr.

12 escritórios de Arquitetura mais promissores do país

1. Ar Arquitetos

Fundado em 2008 por Juan Pablo Rosenberg e Marina Acayaba, em São Paulo, foi selecionado pela revista francesa Architecture Dáujour’dui como um dos escritórios da Nouvelle Vague Brasileira. Desenvolvendo projetos em diferentes escalas e usos, venceu premiações como “Jovens Arquitetos” do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), ficou em 2º lugar no Prêmio de Arquitetura AkzoNobel de 2014, pela obra Casa dos Pátios, e foi finalista da edição de 2015 pela obra Atelier Aberto.

2. Nitsche Arquitetos

Formado em 2000 pelos irmãos Lua e Pedro Nitsche, o escritório busca associar técnica e arte em suas obras. Desenvolve diferentes tipos de projeto, de casas e mobiliários a edifícios e cidades. Ficou em 2º lugar no prêmio Jovens Arquitetos do IAB-SP de 2007 pela obra Casa em Iporanga e recebeu menção honrosa na edição de 2009 pelo Edifício Comercial João Moura — projeto que também recebeu destaque na categoria Edifícios do prêmio IAB de 2012.

3. Tacoa Arquitetos Associados

Foi fundado em junho de 2005 e tem como sócios os arquitetos formados pela FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo), Rodrigo Cerviño e Fernando Falcon. Dentre seus principais projetos, destacam-se a Galeria Adriana Varejão, vencedora do Prêmio Rino Levi IAB-SP de 2008 e d’O Melhor da Arquitetura de 2010; e a Vila Aspicuelta, conjunto horizontal de casas geminadas que oferecem à cidade de São Paulo uma amigável fachada verde e portões transparentes que permitem a comunicação com a via pública.

4. Estúdio Guto Requena

Possui práticas que transitam entre objetos, interiores, edifícios e cidades, procurando refletir sobre cibercultura e narrativas poéticas digitais no design. O estúdio também busca uma brasilidade contemporânea e original para desenvolver projetos, com uma metodologia de criação associada à prática de pesquisa. Em 2012, Guto foi selecionado para projetar o escritório do Google no Brasil. Em 2013, foi a vez do Walmart.com o convidar para desenhar sua sede. Foi responsável, ainda, pela reforma na fachada do edifício WZ Hotel, cujas luzes instigam a movimentada avenida Rebouças, em São Paulo.

5. Metro Arquitetos Associados

Fundado em 2000, o escritório atua em projetos que vão desde instalações temporárias até intervenções urbanas, procurando promover o uso coletivo dos espaços construídos, sejam eles públicos ou privados. Seus projetos são ligados, principalmente, à área cultural, como os conjuntos do Espaço Itaú de Cinema, em São Paulo — cuja unidade da rua Augusta foi considerada a melhor sala de cinema de São Paulo pelo Guia da Folha, em 2013. Desde a fundação, o Metro mantém parceria com o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, vencedor do Pritzker Prize de 2006, com quem desenvolveu projetos paralelos, como o Cais das Artes e a Galeria Leme.

6. SIAA – Shundi Iwamizu Arquitetos Associados

Dirigido por Cesar Shundi Iwamizu, o escritório desenvolve projetos em diversas áreas, visando sintetizar soluções arquitetônicas. O processo de trabalho ocorre de maneira coletiva e interdisciplinar, valorizando a cooperação entre diversas áreas da ciência. Participou dos projetos do Sesc de Franca e de Ribeirão Preto, ambos vencedores em 2013; foi responsável pela Casa Yamada, projetada em terreno irregular e vencedora do prêmio Jovens Arquitetos do IAB de 2004, e pelo Edifício Anexo da Biblioteca Nacional, projeto feito em parceria com o Eduardo de Almeida Arquitetos e que ficou em 2º lugar no concurso nacional promovido pelo IAB-RJ.

7. Apiacás

Fundado em 2000, é dirigido pelos arquitetos Anderson Freitas, Pedro Barros e Acácia Furuya, desenvolvendo projetos institucionais, residenciais e comerciais para os setores público e privado. Entre eles, destacam-se o Sesc de Franca, vencedor do concurso, e o Bar Mundial, ganhador do prêmio Melhor da Arquitetura 2014. O Apiacás também conquistou a 2º colocação nos concursos para o Centro Cultural de Eventos e Exposições de Paraty e para o Hotel Complexo Paineiras no Rio de Janeiro. Em 2015, também ficou com o 2º lugar no Prêmio de Arquitetura Instituto Tomie Ohtake AkzoNobel pela obra Estúdio Madalena.

8. BCMF Arquitetos

Estabelecido em 2001 pelos sócios Bruno Campos, Marcelo Fontes e Silvio Todeschi, o escritório desenvolve projetos que variam entre arquitetura de interiores, edifícios residenciais, comerciais e até obras de grande porte. Foi responsável pelo Complexo Esportivo de Deodoro, construído para os Jogos Pan-Americanos Rio 2007; foi contratado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para desenvolver a maioria dos estudos conceituais da Candidatura Rio 2016 e, em 2010, foi contratado pelo consórcio Minas Arena para projetar o Novo Mineirão, um dos estádios da Copa do Munda da FIFA de 2014. No mesmo ano do megaevento, o BCMF foi incluído no ranking anual da FAST COMPANY como uma das 10 empresas mais inovadoras da América Latina.

9. Grupo SP

O escritório é fruto da associação de arquitetos que se reuniram, em 2004, para o desenvolvimento de concursos e projetos. O grupo tem se dedicado a elaborar concursos de arquitetura, projetos para ONGs e instituições públicas, além de incorporar no cotidiano de suas atividades a participação em pesquisas e docência. Recebeu o segundo prêmio no Concurso Público Nacional para Moradia Estudantil UNIFESP em Osasco, do IAB-SP de 2015; e o Prêmio las mejores de la arquitectura y el urbanismo ibero-americanos na VIII BIAU (Bienal Iberoamericana de Arquitectura y Urbanismo), em 2012, pela Sede do SEBRAE Nacional e pelo Edifício Habitacional na Rua Simpatia.

10. Triptyque Architecture

Franco-brasileiro, o escritório foi fundado por Grégory Bousquet, Carolina Bueno, Guillaume Sibaud e Olivier Raffaelli, com sedes em Paris e São Paulo. Com obras contemporâneas e experiência na construção sustentável, a Triptyque foi convidada a realizar instalações e performances apresentadas na Bienal de Hong Kong/Shenzen em 2009, no museu Guggenheim de Nova York, no Festival of Architecture e no Victoria & Albert Museum em 2010, ambos em Londres; além de estar presente na coleção permanente do Centro Pompidou em Paris desde 2014. Um de seus projetos de maior notoriedade é a Base Brasileira na Antártica – Estação Antártica Comandante Ferraz.

11. FGMF Arquitetos

Formado há 15 anos pelo trio Fernando Forte, Lourenço Gimenes e Rodrigo Marcondes Ferraz, o escritório nasceu com a premissa de ser reconhecido pela academia e pelo mercado. Dessa forma, desenvolve desenhos em todas as escalas e programas e já soma mais de 280 projetos arquitetônicos em seu portfólio, que reforçam a variedade de programas com que o escritório trabalha. Em 2014, recebeu 20 prêmios, sendo que três deles alcançaram as principais categorias do 8º Prêmio AsBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura): Edifício Corujas (premiado), Casa das Pérgolas e Restaurante Deliqatê (menções honrosas).

12. Arquitetos Associados

Estúdio colaborativo sediado em Belo Horizonte (MG), que define uma organização de trabalho específica para cada projeto, permitindo a formação de equipes variadas e até mesmo eventuais participações de colaboradores externos. Desenvolvido em paralelo à prática docente, o trabalho do escritório lida com uma extensa variedade de escalas e programas. Com participação intensa em concursos, o Arquitetos Associados coleciona diversas premiações. No ano de 2010, venceu a 12ª Premiação de Arquitetura IAB-MG em quatro categorias com as obras Residência FM, Estúdios Terra 240 e Centro Educativo Burle Marx. Em 2015, ficou em primeiro lugar no concurso para a Moradia Estudantil Unifesp, em São José dos Campos.

Qual o motivo para tanto destaque destes escritórios de Arquitetura?

Confira agora a análise do professor do IPOG, Arquiteto e Urbanista, Oliveira Jr, sobre a trajetória e atuação desses 12 escritórios.

– O que os 12 escritórios de arquitetura mais promissores têm em comum?
Oliveira Jr:
Os escritórios mais promissores do país tem em comum o fato de desenvolverem um trabalho de arquitetura bastante criativo, com grande rigor técnico e com base em uma sólida fundamentação teórica.

– Qual o diferencial para se destacar da maneira como fizeram?
Oliveira Jr: O diferencial consiste em manterem-se conectados com o que acontece no mundo, sem perder a conexão com o seu próprio lugar.

– Observando estes exemplos, a forma de trabalhar tem mudado. Parece que é preciso ser mais flexível, como no exemplo da Arquitetos Associados. É isso mesmo?
Oliveira Jr: As novas tecnologias de informação e comunicação mudaram a forma dos arquitetos trabalharem e derrubaram as barreiras do território, tornando o mundo uma verdadeira aldeia global. Os desafios também ficaram maiores e o objeto de intervenção extrapolou o objeto arquitetônico e seu entorno imediato para transfigurar-se na cena urbana dinâmica e caótica da cidade em que vivemos. Para enfrentar esses novos desafios da profissão é necessário redesenhar o modelo do processo de desenvolvimento do trabalho e incorporar novos termos como interdisciplinaridade e transdisciplinaridade.

O profissional solo não tem mais espaço dentro dessa complexidade e as equipes atualmente são compostas por profissionais com uma maior diversidade de conhecimentos e habilidades.

O crescimento de oportunidades por meio de concursos de projeto também contribuiu para que a produção de espaço se tornasse cada vez mais coletiva e colaborativa.

– Analisando este cenário, que dicas você dá para quem busca abrir o próprio escritório e sonha em se destacar no mercado? 
Oliveira Jr: Ao todo, são 6 dicas:

  1. Investir em educação continuada, pois o profissional de sucesso nunca para de estudar;
  2. Construir e manter redes de relacionamento, inclusive dentro da própria cadeia produtiva, para identificar possíveis parcerias de trabalho;
  3. Manter-se atualizado quanto as mudanças que acontecem cotidianamente no mundo, no país e na região onde vive para antecipar-se às sensíveis variações nas necessidades do mercado e identificar novas oportunidades de negócio;
  4. Manter-se atualizado diante das novas formas de tecnologias de informação, comunicação e de consumo;
  5. Fomentar parcerias colaborativas com múltiplas inteligências;
  6. Criar novas realidades.

E aí, gostou das dicas? Compartilhe aqui logo abaixo quais têm sido seus maiores desafios no mercado e o que você admira nestes escritórios que têm se destacado.

 


Sobre Oliveira Jr

Professor na Pós-Graduação IPOG Master em Arquitetura e Lighting, Arquiteto e Urbanista (1991) e mestre em Engenharia Urbana (2006) pela Universidade Federal da Paraíba. Coordena o escritório de arquitetura 7S34W onde desenvolve projetos desde a escala do edifício à escala da cidade.

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