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18 de maio de 2017

Por que alguns líderes conseguem estragar tudo?

Se você se sentiu atraído pelo título desse texto é porque, com certeza, em algum momento da sua vida já fez essa pergunta ou porque se deparou com um chefe que pôs tudo a perder!

Talvez você seja um gestor que em alguns momentos sente que não tomou a melhor decisão, ou quem sabe, até prejudicou sua equipe por isso. Mas calma! Independente de qual seja a sua situação, você não está sozinho. Afinal, liderar não é uma atividade fácil e se trata de lidar com pessoas, um desafio milenar.

Por isso, este texto traz algumas reflexões sobre os hábitos de uma liderança que muitas vezes acaba estragando tudo no final. Seja por culpar a equipe pelos fracassos ou por não ser bom em gestão de pessoas… Não importa! O que vale aqui é aprender com os erros dos outros – quem sabe até identificar uma falha semelhante que você mesmo tenha cometido – e mudar a sua história daqui pra frente. Vamos lá?

A primeira razão para que isto aconteça pode estar na falta de atenção dos gestores para com as suas equipes. Foi o que provou uma pesquisa realizada pela empresa de planejamento e pesquisa Cristina Panella, em parceria com a agência LeadPix. 1200 profissionais em cargos de liderança e funcionários de empresas brasileiras participaram e o resultado foi impressionante.

41% dos gestores afirmaram que dedicam muita atenção aos seus funcionários. Só que apenas 9% dos funcionários concordaram.

Mas como explicar uma diferença tão grande? A resposta pode estar na busca apenas pela eficiência e autonomia, hábito comum entre líderes. Dessa maneira, se consideram atenciosos com a equipe, quando na verdade estão oprimindo seus liderados em busca de resultados. No entanto, o efeito observado nestes casos é o oposto: pessoas oprimidas não desempenham o melhor de si.

Segundo o especialista em Liderança e Diretor de Metodologia do IPOG, Luciano Meira, a liderança se sustenta em relações humanas. As pessoas que se sentem lideradas, atribuem a alguém essa liderança. “Quando alguém não se vê representado, não se vê inspirado, isso não é liderança. Isso é imposição de um cargo. Existe só um cargo de chefia e um vazio nessas relações”, pontua o especialista.

E aí está o erro de tantos gestores. Se consideram atenciosos, se veem como líderes, mas não são inspiradores. Apenas impõem um cargo com cobranças aos seus liderados. E essa negligência por parte dos chefes influencia diretamente na motivação e confiança no trabalho dos seus colaboradores. De acordo com esta mesma pesquisa,

40% dos funcionários acham que teriam mais motivação para trabalhar se o seu superior lhe dedicasse mais atenção.

Então já fica essa primeira dica!

Um outro problema grave é a falta de inteligência emocional, que também está relacionada à falta de atenção citada anteriormente. Líderes são seres humanos, ou seja, são vulneráveis, corajosos, inspiradores e complexos. Logo, diante do desafio de liderar pessoas, de exercer influência sobre elas, essa capacidade precisa estar estruturada sobre o próprio desenvolvimento do líder.

“Esta pessoa [líder] precisa ser alguém que amadureceu, resolveu questões internas, evoluiu. Tem alto grau de autocontrole e autoconhecimento. Ele precisa destes resultados para conseguir influenciar as pessoas”, explica o professor especialista em Liderança e diretor de Metodologia do IPOG, além de sócio fundador da empresa Caminhos – Vida Integral, Luciano Meira. Para ele, a inteligência emocional é uma competência essencial para se tornar um líder. É como um ingresso que lhe dá acesso a um evento, sem ele você não entra.

Luciano Meira ainda afirma que a inteligência emocional é a base de uma liderança sustentável. E tudo começa pela autoconsciência. “É eu entender minhas próprias emoções, ter consciência clara sobre meus valores, minhas forças, minhas fraquezas. Quando tenho consciência disso, desenvolvo o autocontrole e consigo liderar”, explica.

A inteligência emocional também é uma forte aliada para líderes em momentos de decisão, pois de acordo com o especialista, até para saber quando ser mais firme é preciso tê-la. O mesmo vale para momentos de feedback e para consquistar a confiança da equipe.

Quantos gestores você conhece que ficam extremamente irritados quando são criticados? Ou que então são tirânicos e não aceitam que ninguém fale mal deles? Pois é. Este é um sério sintoma de falta de inteligência emocional e de maturidade. Líderes reconhecem o poder de um elogio e afastam-se da bajulação.

Uma última dica é sobre chamar a responsabilidade para si. O diretor de Metodologia do IPOG destaca que maturidade é quando alguém é capaz de realizar escolhas conscientes, assumindo a responsabilidade por elas. Portanto isso é fundamental para um líder. Pois quando ele não chama a responsabilidade para si, não se sente responsável por suas próprias escolhas, ele se vitimiza. E isso é grave! Principalmente em uma posição de liderança. Além de também ser falta de inteligência emocional.

Hoje a realidade não é de uma equipe ignorante sendo orientada por um líder sábio. O conhecimento e a informação estão tão disseminados que você é um líder que sabe alguma coisa, cercado por outras pessoas que também sabem alguma coisa. E você precisa facilitar esse conhecimento para que ele leve a resultados. Portanto, essa posição de facilitador é de vulnerabilidade. De saber ser frágil, saber ouvir, agregar, aglutinar, saber trazer a participação dos outros.

Por isso, se você não deseja ser visto com um líder que estraga tudo, mas pelo contrário, como alguém que inspira e engaja seus liderados, é hora de se desenvolver. Busque se conhecer melhor para assim, lidar melhor com as diferentes pessoas que compõem ou que irão compor sua equipe.

Sobre Luciano Alves Meira

Formado em Letras e Especialista em Liderança e Gestão Organizacional; já treinou líderes de diversas grandes empresas, a exemplo de: Volkswagen, Embraer, Kimberly Clark e Faber Castell; coordenador do curso de MBA Executivo em Liderança & Gestão Organizacional (FranklinCovey) e do Curso de Curta Duração de Liderança Integral do IPOG, onde também atua como Diretor de Metodologia; Sócio Fundador da Caminhos Vida Integral.

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