Você já sabe tudo sobre a Farmacovigilância?
2 minutos de leitura
02 de maio de 2018

O que é Farmacovigilância?

Os medicamentos têm o objetivo de promover a saúde da população. Para desenvolvê-los são necessários anos de pesquisa e testes para garantir a sua qualidade, segurança e eficácia antes de serem comercializados.  Porém, mesmo com todos os cuidados aplicados no processo pré, durante e pós-fabricação, os medicamentos podem causar efeitos indesejáveis no organismo humano durante o seu uso. E é nesse âmbito que a Farmacovigilância entra em ação.

O que é e qual a importância da Farmacovigilância?

Esse é um tema extremamente importante para o sistema de saúde.  A Farmacovigilância é uma ação de saúde pública que visa identificar, qualificar, avaliar e prevenir efeitos adversos decorrente do uso de medicamentos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a Farmacovigilância como:

“Ciência e atividades relativas à identificação, avaliação, compreensão e prevenção de efeitos adversos ou quaisquer problemas relacionados ao uso de medicamentos”.

A resolução – RDC nº 4, de 10 de fevereiro de 2009, dispõe sobre as normas de Farmacovigilância para os detentores de registro de medicamentos de uso humano distribuídos ou comercializados no Brasil.

É um sistema de monitoramento que permite durante a etapa de uso observar a sua segurança e detectar efeitos adversos não previstos nos testes e estudos, além de interações medicamentosas e outros problemas relacionados ao seu uso.

A Farmacovigilância está integrada em um ciclo que acompanha a fabricação, armazenamento, transporte, comercialização e administração do medicamento. Quando os processos não são realizados adequadamente, pode comprometer a eficácia e segurança do medicamento.

Todos os profissionais da saúde têm papel fundamental na Farmacovigilância, pois são profissionais habilitados para fazer análise de causalidade das reações adversas.

Principais resultados da Farmacovigilância:

  • Uso racional, seguro e efetivo de medicamentos;
  • Redução de taxas de mortalidade e morbidade;
  • Cuidado e segurança do paciente;
  • Melhora da saúde pública;

Quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza a comercialização de um medicamento, o mesmo passa por um rigoroso processo científico, de registro e de regulamentação. O órgão tem a relação dos riscos e benefícios do produto, e nessa análise, verifica se ele tem mais benefícios que riscos na sua ação no organismo humano.

Para que a Farmacovigilância funcione é preciso do comprometimento e integração entre o paciente, médico, farmacêutico, profissionais da Saúde, indústria farmacêutica, hospitais e Governo para notificar e reportar a Anvisa os efeitos adversos e problemas relacionados ao uso dos medicamentos

Além disso, cabe à indústria farmacêutica promover também o chamado ‘Plano de Minimização do Risco’ que compreende desenvolver ações de educação e capacitação clínica para profissionais da saúde e pacientes referente ao uso correto do medicamento.

O paciente também precisa ter autonomia para fazer a notificação para o médico, farmacêutico, indústria farmacêutica ou diretamente para a Anvisa.

Como notificar eventos adversos de medicamentos para a Anvisa?

Além de aprovar e registrar os medicamentos para a comercialização, a Anvisa também é responsável por monitorar os produtos no mercado.

Para cumprir com essa responsabilidade, a agência reguladora criou o Notivisa: sistema informatizado desenvolvido pela Anvisa para receber notificações de incidentes, eventos adversos (EA) e queixas técnicas (QT) relacionadas ao uso de produtos e de serviços sob vigilância sanitária.

Por meio do Notivisa, a agência reguladora recebe e avalia diariamente as notificações de reações e eventos adversos decorrentes do uso de medicamentos e toma as medidas cabíveis e ações pertinentes para cada caso, podendo até suspender a comercialização do medicamento.

O Notivisa pode ser acessado pelo Portal da Anvisa http://portal.anvisa.gov.br/notivisa e qualquer pessoa pode cadastrar e notificar um caso. Os esforços para a Farmacovigilância é global e depende da responsabilidade de cada um.


Artigos relacionados

9 dicas para ser um bom gestor de saúde De acordo com dados de maio/2018 disponibilizados pelo Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), no Brasil existem mais de 320.600 estabelecimentos de saúde nos setores público e privado cadastrados no Ministério da Saúde. Esse número demonstra a ...
Especialista tira as principais dúvidas sobre a vacina contra H1N1 Uma possível epidemia já tem levado muitas pessoas para as portas de laboratórios em busca da vacina contra H1N1. Segundo dados do último boletim da Secretaria Estadual de Saúde (SES), subiu para 25 o número de mortes confirmadas pelo vírus em Goiás, e há mais...
Home Care: o plano de saúde é obrigado a pagar? Home care é o atendimento médico realizado em domicílio. Por meio desse tratamento, o paciente recebe cuidados profissionais em sua própria casa. É uma opção segura que evita o risco de infecção hospitalar e proporciona um atendimento mais eficaz a partir de u...

Sobre Roberta Simões

Farmacêutica, Mestre e Doutora em Farmacologia, Anestesiologia e Terapêutica pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP e coordenadora do curso de pós-graduação em Gestão Industrial Farmacêutica.

Comentários