Especialista tira as principais dúvidas sobre a vacina contra H1N1
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24 de abril de 2018

Especialista tira as principais dúvidas sobre a vacina contra H1N1

Uma possível epidemia já tem levado muitas pessoas para as portas de laboratórios em busca da vacina contra H1N1. Segundo dados do último boletim da Secretaria Estadual de Saúde (SES), subiu para 25 o número de mortes confirmadas pelo vírus em Goiás, e há mais de 139 casos sob investigação. Em algumas unidades de saúde, existem listas de espera para quem pretende se imunizar.

Apesar da vacina ser um grande aliado contra a doença, a enfermeira e especialista de Controle de IrAS (infecções relacionadas a assistência à saúde), Juliane Santana, explica que não há necessidade deste frenesi todo. Ela ressalta ainda que existem muitos mitos relacionados a imunização que ainda necessitam ser esclarecidas. São elas:

Quais são os tipos de vacina contra H1N1?

Conforme Juline, as vacinas contra gripe podem ser: trivalente – esta imuniza contra os dois tipos de influenza A (H1N1 e H3N2) e um tipo de influenza B. Ela pode ser aplicada a partir dos 6 meses de idade e é liberada para adultos. Esta última (H3N2), está inserida na vacina de 2018, disponibilizada na rede pública. Quadrivalente/ tetravalente – protegem dos quatro tipos de influenza, com duas cepas de vírus A e duas cepas de vírus B. Ela é liberada para crianças a partir dos três anos de idade e adultos.

Os subtipos mais comuns da gripe B são o Yamagata e o Victoria, e nem sempre é possível estabelecer qual influenza B está circulando em uma determinada época, portanto, é interessante receber sim uma dose da Tetravalente para aumentar a cobertura, e esta deve ser feita 4 semanas após a trivalente.

Existem quantos tipos de vírus?

A especialista explica que existem três tipos de vírus influenza: A, B e C. O vírus influenza C causa apenas infecções respiratórias brandas, não possui impacto na saúde pública e não está relacionado com epidemias. Já os vírus influenza A e B são responsáveis por epidemias sazonais.

O vírus influenza A é responsável pelas grandes pandemias e recebe o nome de gripe suína, entre eles encontramos os subtipos H1N1 e H3N2. Se a pessoa vacinar com a vacina trivalente ela estará protegida contra o H1N1, H3N2 e contra um tipo de influenza B, ficando susceptível ao outro tipo da gripe pelo vírus B.

Já fazendo o uso da quadrivalente/tetravalente, a pessoa ficará protegida contra o H1N1, H3N2 e as duas cepas do vírus B. A eficácia da vacina contra o influenza chega ao máximo em 70%. Há poucos casos em que ela não surte efeito.

Quem pode tomar a vacina?

A especialista alerta que qualquer pessoa que tenha mais de seis meses de idade pode se imunizar. Entretanto, nos casos onde o paciente apresenta febre é necessário esperar o quadro de saúde normalizar para tomar a vacina.

A vacina contra H1N1 deverá ser tomada todos os anos, porque o nível de anticorpos se reduz ao longo dos meses. Mesmo fora do grupo de risco algumas pessoas podem evoluir com quadros mais complicados de gripe, portanto, mesmo não estando no grupo de risco a pessoa pode vacinar, desde que tenha mais de seis meses de idade. Além disso, quanto mais pessoas vacinadas, menos infectados teremos e, consequentemente, menor circulação do vírus.

Existem os chamados grupos de risco. As pessoas pertencentes aos grupos mencionados abaixo“ obrigatoriamente” deverão se vacinar:

  • Crianças de 6 meses a 5 anos
  • Gestantes
  • Mulheres que deram à luz nos últimos 45 dias
  • Profissionais da saúde
  • Professores da rede pública e particular
  • População indígena
  • Portadores de doenças crônicas, como diabetes, asma e artrite reumatoide
  • Indivíduos imunossuprimidos, como pacientes com câncer que fazem quimioterapia e radioterapia
  • Portadores de trissomias, como as síndromes de Down e de Klinefelter
  • Pessoas privadas de liberdade
  • Adolescentes internados em instituições socioeducativas.

A escolha desses grupos se deve ao fato de eles serem mais vulneráveis aos efeitos da gripe e sofrerem mais com seus sintomas e desdobramentos. A principal contraindicação é o caso de pessoas com algum tipo de alergia a ovo.

Quais são os efeitos colaterais da vacina?

A vacina contra H1N1 não provoca efeitos colaterais, em casos raros, a pessoa pode experimentar uma pequena alergia na pele, no local da aplicação. Juliane afirma que a vacina não provoca gripe: “Como ele é feito com o vírus inativado, não há nenhum risco de ele causar qualquer chateação”, aponta.

O que pode acontecer, segundo ela, é que o sistema imune demora alguns dias para contrapor o influenza — e pode ser que o indivíduo tenha entrado em contato com o vírus no ambiente nesse meio tempo. O imunizante só está proibido para quem tem alergia severa ao ovo (ele é fabricado dentro da casca e se replica a partir da gema e da clara).

A detecção de anticorpos em adultos saudáveis protetores se dá entre 2 a 3 semanas após a vacinação, e apresenta, geralmente, duração de 6 a 12 meses. O pico máximo de anticorpos ocorre após 4 a 6 semanas após a vacinação.

A vacina contra a gripe é atualizada todo ano. A Organização Mundial de Saúde (OMS) informa quais são os tipos de vírus que estão circulando e, com base nesta informação, as vacinas são produzidas.

Assim, a cada ano, a cada nova temporada de gripe, todos devemos nos vacinar, portanto, neste momento não há motivos para corre-corre, embora a busca por imunização seja recomendada para toda a população – como já ocorre em todos os anos. Esta é sempre realizada antes do início do inverno, que iniciará em 21 de junho de 2018.

A partir de quanto tempo a vacina contra H1N1 começa a fazer efeito e por quanto tempo ela é válida?

A  vacina contra H1N1 passa a fazer efeito após até 15 dias da sua administração. Já a validade da mesma pode variar de acordo com o lote do medicamento. Em média, a imunização pode durar entre 10 meses a um ano.


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Sobre Juliane Santana

Enfermeira e Especialista de Controle de IrAS ( infecções relacionadas á assistência à saúde) Coordenadora da CCIrAS da MNSL ( Comissão de Controle de Infecções Relacionadas á Assistência à Saúde) – Maternidade Nossa Senhora de Lourdes da Secretaria do Estado da Saúde de Goiás.

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