Gerenciamento de Obras: o caminho para a eficácia passa pela gestão
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27 de março de 2018

Gerenciamento de Obras: o caminho para a eficácia passa pela gestão

Que qualidades um engenheiro precisa ter para fazer um bom gerenciamento de obras? A resposta é capacidade de gestão, segundo Luís Barros, professor do MBA Gerenciamento de Obras, Qualidade e Desempenho da Construção do IPOG.

Ele, que além de engenheiro também é mestre em Engenharia Elétrica, destaca o fato da maioria dos profissionais da área não serem ensinados a agir como gestores. E a consequência de uma má gestão, é principalmente o desperdício, além dos vários problemas noticiados frequentemente.

Luís Barros explica que antigamente a Engenharia tinha uma deficiência muito grande. Ela formava técnicos.

“Eu mesmo fui um excelente engenheiro eletricista, mas um mau gestor. Os engenheiros têm uma força muito grande de saber fazer, mas gerenciam muito mal, com muito desperdício. Eram eficazes, faziam o empreendimento, mas não eram eficientes, não faziam da melhor maneira”.

Ele ainda chama a atenção: “Imagine os desperdícios, como não se tinha concorrência de alto desempenho, ela era nivelada por baixo. As melhores empresas eram ruins”, relembra com tristeza.

A dica é buscar sempre fazer o melhor, ou seja, fazer mais, melhor e por menos. Estar competindo em alto desempenho quando o assunto é gerenciamento de obras. Luís Barros defende que quem age assim, mesmo que esteja em último lugar, ainda é muito bom. Imagine estar numa final olímpica e ser o último. Que gratificação! Mas parece que as pessoas não entendem isso.

Como é possível fazer um bom gerenciamento de obras?

Imagine a criança no útero da mãe, preparada, protegida e saudável. Se ele tiver ali no útero com as emoções e fisicamente bem, já é o primeiro passo para ela ser uma pessoa saudável durante sua vida toda, explica o professor. Segundo ele, da mesma maneira ocorre com uma obra, um produto.

Tudo começa ainda no nascimento, desde a concepção da especificação técnica, do seu projeto básico, dos projetos executivos, da realização da obra ou montagem do produto, até seu uso, operação e manutenção.

É a soma de todos os capitais despendidos no suporte desse ativo desde a sua especificação, passando pela operação até o fim da sua vida útil e desativação. Também é importante que haja processos de controle de qualidade.

É possível reduzir custos e manter a qualidade?

Já falamos várias vezes sobre como o bom gerenciamento de obras é importante para reduzir os custos e aumentar a qualidade de de uma obra. Já que é possível sim ter uma construção enxuta, economizando sem perder a qualidade da obra.

Mas como isso é possível?

A primeira questão é a qualidade do desempenho da obra. Usar materiais melhores e buscar inovação tecnológica também é parte de um gerenciamento de obras eficaz. Toda empresa deveria prospectar novos materiais, segundo Luís Barros. “Hoje é possível ter materiais e métodos que fazem a obra com melhor qualidade, menor custo e menor tempo. As empresas precisam buscar a sua modernização tecnológica”, esclarece.

Por outro lado, a direção deve definir o sistema da qualidade e/ou o modelo de gestão empresarial, de preferência da excelência, com a implementação de melhores práticas, conseguindo direcionar seus colaboradores para ações preventivas, estabelecendo um modelo proativo e diferenciado para reduzir desperdícios e obter mais lucro. Inclusive promovendo sustentabilidade empresarial.

“Tem que ter ambos compromissos: a tecnologia e a gestão.  Um sem o outro não adianta.Todo mundo pensa: “A gestão da qualidade revolucionou o Japão”, Não é bem assim. Não foi apenas a gestão da qualidade por meio de seus gurus, Deming, Phillip Crosby,  Juran, Ishikawa, Tagushi e etc, que mudou  o Japão. O Japão aprendeu gestão de qualidade e a praticou com maestria, mas também mandou milhares de japoneses irem para os Estados Unidos conhecerem tecnologia, informática, computadores. Eles fizeram mestrados, doutorados, visitas técnicas em fábricas etc. Fizeram de forma invisível. Por quê? Por que só gerir é sonho, não se vai a lugar nenhum. E somente tecnologia sem gestão, sem organização torna-se um desperdício sem fim”.

Desta forma o mundo empresarial vai conhecendo uma empresa diferenciada e competitiva. Tudo isto deve ser feito com ajuda de um consultor e com ênfase em resultados de médio e longo prazo. Não se estabelece alto desempenho empresarial em curto prazo.  

Vale a pena se especializar em gerenciamento de obras?

Ao falar sobre a sua história, Luís Barros conta que era engenheiro e chegou a trabalhar na área de manutenção de uma empresa, só que não tinha especialização nessa área na Engenharia. Foi nessa situação que ele sentiu a importância de se qualificar. “Minha graduação não me ensinou nada sobre este tema. Que ignorância senti, bom demais não?! Uma grande oportunidade de aprendizado. Fui fazer um mestrado para me desenvolver nessa área e gostei muito da gestão e da manutenção”, comemora o professor do IPOG que hoje pode falar com autoridade sobre o gerenciamento de obras.

Desenvolveu-se profissionalmente, escreveu livros, participou da Associação Brasileira de Manutenção (ABRAMAN) e a partir daí foi desenvolvendo em algumas áreas, como gestão de qualidade e gestão estratégica. São muitos trabalhos, práticas e estudo.

“Tomei a decisão certa e me motivo com isso, quando transformo o pensamento das pessoas me realizo. Muitos alunos me disseram “o senhor foi inspirador para minha decisão profissional”, bom ouvir isso, porque sinto que estou agregando para sociedade”.

E ele ainda continua:

“Antes eu era somente um engenheiro eletricista e depois que fui para a área de gestão, trabalho em qualquer ramo. Tive um ótimo desenvolvimento que não acaba nunca mais. Sou muito feliz”.

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Sobre Luis Cordeiro de Barros Filho

Possui graduação em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Pernambuco (1982) e mestrado em Engenharia Elétrica - Modalidade Sistemas pela Universidade Federal de Pernambuco (1995). Atualmente é professor adjunto da Universidade de Pernambuco POLI/UPE e FCAP/UPE. Tem experiência na área de Engenharia de Produção, com ênfase em GESTÃO DA EXCELÊNCIA EMPRESARIAL, PLANEJAMENTO, GESTÃO DA MANUTENÇÃO e QUALIDADE. Tem aperfeiçoamento em Gestão da Manutenção pela Universidade do Porto FEUP Portugal. É Instrutor Internacional de TPM certificado pelo JIPM do Japão. Consultor em Pensamento Sistêmico pela Valença & ASSOCIADOS. Diretor Presidente- CEO do IBEC- Instituto Brasileiro de Educação Corporativa; Professor do Instituto de Pos Graduação – IPOG; Auditor Líder de Sistemas de Gestão, certificado pela Nigel Bayer e IRCA International Register of Certificated Auditors. Autor do livro Diretrizes Gerais para implementação da Gestão da Manutenção em Micro e Pequenas Empresas, SEBRAE –PE , Recife - PE. (2004), Instrutor e Consultor Ad Hoc do Ministério das Cidades na área de Gestão Pública, desde março de 2005, sendo um dos Autores do Caderno Técnico de Gestão em Saneamento (2006). Muitos trabalhos publicados em congressos e trabalhos de monografias de pós-graduação e graduação orientadas.

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