Papiloscopia: o que é e quais os desafios para trabalhar nessa área
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21 de agosto de 2017

Papiloscopia: o que é e quais os desafios para trabalhar nessa área

Papiloscopia área

Se você abriu esse artigo é porque, provavelmente, possui interesse em ser ou talvez já seja um Papiloscopista. Você está no caminho certo. Chegou o momento de saber as principais informações e desafios do universo da Papiloscopia. Boa leitura!

Para entendermos melhor o que é a Papiloscopia, como atuar nessa área e quais os principais desafios, é importante saber um pouco da sua história. Vamos lá! Vou contextualizar de forma resumida como essa profissão se iniciou e como chegou no Brasil.

Um pouco de história da Papiloscopia

A Papiloscopia é uma ciência que começou a ser utilizada no Brasil a partir de 1903, pelo Dr. Felix Pacheco, chefe do Gabinete de Identificação do Estado do Rio de Janeiro, naquela época.

O método de identificação até então utilizado era a antropometria, criado em 1879, por Alphonse Bertillon, na França.  Consistia na tomada de medidas do corpo e marcação fotográfica de sinais particulares das pessoas que eram presas, era amplamente aceito e considerado como meio definitivo de identificação.

Porém esse método apresentou falhas e foi contestado a partir de um caso que ocorreu na Penitenciária Leavenworth, Kansas nos Estados Unidos. Veja o que aconteceu:

O caso de Will & William West

Um homem chamado Will West foi preso e, devido à semelhança fotográfica e das marcações das medidas de seu corpo com o de outra pessoa, ele foi confundido com William, que já havia sido preso naquela Penitenciária.

Por sorte, na época da prisão do primeiro, o diretor daquele presídio, tomando conhecimento de uma nova técnica que fora desenvolvida por um chefe de polícia na Argentina e que consistia no uso das marcas das pontas dos dedos para identificar detidos, resolveu aderir também a esse método e fez um teste na penitenciária, tomando as impressões digitais de todos ali presos.

Na ficha de William já havia suas impressões digitais registradas. Então, quando foram coletadas e analisadas as impressões de Will West, verificou-se que estavam ali duas pessoas diferentes.

Esse fato mostrou que antropometria, diferente do que se pensava, não era um método conclusivo de identificação, mas sim auxiliar. A partir desse fato, a identificação por meio de impressões digitais começou a ser utilizada em todo o mundo.

O que é a Papiloscopia? 

A Papiloscopia é um método técnico-cientifico de identificação humana por meio de impressões papilares, ou seja, são reproduções dos desenhos encontrados nas papilas dérmicas palmares (mãos) e plantares (pés), sendo as impressões digitais (dedos) as mais difundidas.

É um método comparativo entre uma impressão papilar de autoria desconhecida em relação a outra já conhecida. Desse exame, será elaborado um Laudo Pericial Papiloscópico, que será sempre conclusivo. Esse laudo afirmará se a impressão sob questionamento pertence ou não a determinado dedo. Quando não for possível afirmar de modo positivo ou negativo, significa que não há condições técnicas suficientes para análise.

Por que as impressões digitais são tão precisas e confiáveis?

As impressões digitais se formam entre o terceiro e o quarto mês de vida intrauterina e só desaparecem depois da putrefação cadavérica. Nesse intervalo de tempo elas não modificam seu desenho, a não ser por influência externa como, por exemplo, cortes ou queimaduras que deixam cicatrizes.

A impressão digital de cada dedo é exclusiva. Ela não repete nem de uma pessoa para outra pessoa, nem de um dedo para outro dedo da mesma pessoa. Isso acontece também com os desenhos da palma da mão e da planta dos pés.

Desafios da Papiloscopia

O Brasil utiliza uma tecnologia avançada nesse aspecto. Além disso, existem profissionais especializados, tanto na Polícia Federal quando nas Polícias Civis. Existe, ainda, um banco de dados de impressões digitais robusto, contendo milhões de registros, e que cresce diariamente.

Esse banco de dados tem utilização variada, tanto na esfera civil, quanto na criminal, ou seja, pode ser utilizado para a emissão de carteira de identidade, de passaporte ou de título de eleitor, ou na identificação de suspeitos a partir de impressões digitais encontradas em uma cena de crime, dentre outras aplicações.

Diante disso, pense no seguinte questionamento: a impressão digital tem poder de dar autoria de crime? A resposta é não. Encontrar uma impressão digital em uma cena de crime, por exemplo, é somente um indício de que a pessoa que a produziu provavelmente esteve naquele local. Mas este é apenas um elemento a mais para a autoridade policial poder investigar.  Quem dá autoria de crime, na verdade, é a investigação.

No Brasil, as técnicas de revelação e de coleta de impressões palmares e plantares em cenas de crime estão bastante evoluídas.  Em praticamente toda superfície que tocamos, as nossas impressões digitais ficam registradas. O desafio dos Papiloscopistas é realizar adequadamente a revelação, coleta e/ou registro fotográfico para posterior análise em laboratório específico para esse fim.

Atualmente, o maior desafio enfrentado é a falta de conhecimento da sociedade acerca da importância da preservação dos locais de crime. Existe uma máxima popular que diz: “o criminoso sempre assina o local do crime”. A função do corpo pericial é ler essas “assinaturas”. Quando uma cena de crime não é preservada, corre-se o risco de perder os vestígios que possivelmente ali estão.

E você, que leu esse post e se interessa por esse assunto, quer se aprofundar mais nas técnicas da Papiloscopia? O curso pós-graduação em Perícia Criminal e Ciências Forenses do IPOG oferece um módulo exclusivo de Papiloscopia. Será uma honra compartilhar mais conhecimentos com você em sala de aula. Até mais!


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Sobre Brasílio Caldeira Brant

Diretor do Instituto Nacional de Identificação, Graduado em Gestão de Segurança Pública pela Universidade do Sul de Santa Catarina (2012), atuando principalmente nos seguintes temas: impressões digitais, papiloscopia, retrato falado, A.F.I.S. e biometria. Palestrante e professor de Perícia Papiloscópica e Representação Facial Humana. Professor do curso de Pós graduação em Perícias Forenses, na matéria "Fundamentos da Pericia Papiloscópica e Representação Facial Humana".Diretor do Instituto Nacional de Identificação, Graduado em Gestão de Segurança Pública pela Universidade do Sul de Santa Catarina (2012), atuando principalmente nos seguintes temas: impressões digitais, papiloscopia, retrato falado, A.F.I.S. e biometria. Palestrante e professor de Perícia Papiloscópica e Representação Facial Humana. Professor do curso de Pós graduação em Perícias Forenses, na matéria "Fundamentos da Pericia Papiloscópica e Representação Facial Humana".

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