Professor do IPOG publica estudo sobre tijolos ecológicos em revista internacional
Pesquisa transforma rejeitos de Brumadinho e plásticos descartados em tijolos ecológicos e pode revolucionar a construção civil e levar inovação sustentável ao mundo
A ciência brasileira avança no cenário internacional com uma inovação que pode transformar a construção civil. O pesquisador e professor do curso de Engenharia Civil do IPOG, Hélio Elias da Silva, teve seu estudo sobre tijolos ecológicos feitos a partir de resíduos de mineração e plásticos, publicado nesta quarta-feira (11) na Revista Remediation, da editora Wiley, um dos periódicos científicos mais prestigiados da área ambiental.
A pesquisa representa um grande avanço para a ciência brasileira, ao oferecer uma solução concreta para um problema ambiental urgente: o descarte inadequado de resíduos industriais. “Podemos converter resíduos de mineração e de plásticos, amplamente disponíveis no planeta, em materiais de construção ambientalmente amigáveis, além de oferecer materiais tecnicamente adequados”, explica o pesquisador.
O impacto da inovação vai muito além dos laboratórios. Segundo Hélio, se essa tecnologia for aplicada em larga escala, o Brasil poderia produzir materiais suficientes para construir casas populares para 2 milhões de pessoas por ano, apenas reutilizando resíduos industriais.

Pesquisa sobre tijolos ecológicos sustentáveis, desenvolvida pelo professor Hélio Elias da Silva, é publicada na prestigiada revista científica Remediation, da editora Wiley
Uma resposta sustentável para tragédias ambientais
A pesquisa tem um diferencial poderoso: além de reutilizar resíduos plásticos, ela aproveita rejeitos da mineração de ferro de Brumadinho (MG), provenientes do rompimento da barragem da Vale, em 2019. “Essa mistura é aquecida sob baixa temperatura e, depois de apenas três horas, o tijolo está pronto”, detalha o professor do IPOG.
O produto final tem resistência comparável aos tijolos tradicionais e pode ser utilizado na construção de muros e moradias populares. Mais do que isso, a técnica evita a extração de argila das margens dos rios e a derrubada de árvores para a queima de tijolos cerâmicos, preservando ecossistemas inteiros.
“Se tivermos uma produção em massa, podemos eliminar os resíduos de mineração e os plásticos espalhados pela natureza, além de zerar o déficit habitacional do país”, projeta o pesquisador.
Do laboratório para o mundo: rumo a Berlim?
Além da publicação na Remediation, o projeto de Hélio Elias também foi selecionado entre os 15 melhores do Brasil no Falling Walls Lab Brasil, uma das principais competições científicas do mundo. Caso avance para a próxima fase, ele representará o país na final global em Berlim, na Alemanha, ao lado de cientistas de diversos países.
“Ser ranqueado entre os 15 melhores projetos do país foi uma honra. Poder levar um projeto brasileiro para um palco global significa dar visibilidade a inúmeros outros colegas pesquisadores do Brasil. Em verdade, o pesquisador brasileiro é muito bem cotado internacionalmente, pois ele consegue, com poucos recursos técnicos e financeiros, produzir praticamente sozinho, resultados expressivos,” declara o professor doutor.
A conquista é um marco não apenas para o pesquisador, mas para Goiás, que ganha destaque no cenário internacional da ciência aplicada.
O desafio de transformar inovação em realidade
Apesar do reconhecimento acadêmico, a transição da pesquisa para o mercado ainda enfrenta desafios no Brasil. “Todo trabalho científico acadêmico é feito em escala de bancada, com pequenas quantidades. Para essa descoberta se transformar numa solução disruptiva, é necessário que uma empresa abrace a causa e instale uma fábrica para produzir os tijolos ecológicos. Sem um investidor, será mais um projeto guardado na prateleira,” pontua o pesquisador.
A viabilização da produção desses tijolos sustentáveis pode representar um avanço significativo na redução de resíduos, na preservação ambiental e na democratização da moradia popular, especialmente para famílias de baixa renda.
Uma mensagem para os futuros cientistas
Ao longo de sua trajetória, Hélio Elias precisou de determinação e dedicação para desenvolver uma pesquisa inovadora que pode mudar por completo a construção civil no Brasil e alcançar reconhecimento internacional. Para os jovens pesquisadores que sonham em transformar o mundo por meio da ciência, ele deixa um conselho inspirador:
“A única receita que eu conheço é o trabalho incansável. Significa estudar mais horas que os outros, abrir mão da diversão, do tempo perdido com redes sociais ou jogos, e focar naquilo que pode fazer a diferença. Não é fácil… mas a recompensa vem.”
Com isso, a ciência goiana acaba de dar um passo importante para o futuro da sustentabilidade, mas para que essa inovação realmente tenha impacto, é fundamental que chegue até o setor produtivo. Sem a participação da indústria e investidores dispostos a apostar em novas tecnologias, descobertas como essa correm o risco de permanecer apenas no meio acadêmico. A conexão entre pesquisa e mercado é essencial para transformar conhecimento científico em soluções concretas para a sociedade, promovendo avanços ambientais e sociais altamente relevantes.

O professor e pesquisador Hélio Elias da Silva
Alunos do IPOG são inspirados a inovar e transformar a sociedade
Além de ser um marco para a ciência goiana, essa conquista também impacta diretamente os alunos do IPOG, onde o professor Hélio Elias ministra aulas no curso de Engenharia Civil. Ao levar para a sala de aula discussões sobre inovação, sustentabilidade e ciência aplicada, ele inspira futuros engenheiros a enxergarem além da teoria e a buscarem soluções reais para os desafios do país.
A presença de um pesquisador com reconhecimento internacional no corpo docente fortalece a cultura da iniciação científica, incentivando os alunos a desenvolverem projetos que possam transformar o setor da construção civil e outras áreas da engenharia.
Quando um professor consegue mostrar aos alunos que é possível inovar e fazer a diferença, ele está formando profissionais preparados para lidar com desafios emergentes e impactar positivamente a sociedade.
No IPOG, a pesquisa e a inovação são pilares fundamentais na formação de engenheiros capazes de atuar com responsabilidade ambiental e visão de futuro. E conquistas como essa mostram que a ciência brasileira tem força para transformar não só o mercado, como também a vida das pessoas.