Saiba como organizar as finanças pessoais na prática
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05 de março de 2018

Como organizar as finanças pessoais na prática

Você sabe organizar as suas finanças pessoais? Todo início de ano é comum vermos a grande maioria dos brasileiros alegando um elevado grau de endividamento. Como se já iniciassem um novo ano sempre no vermelho, pedindo socorro para pagar contas que são plenamente previsíveis, como os impostos sobre propriedades e bens móveis (IPTU, ITR, IPVA), e as mensalidades reajustáveis como aluguel, condomínio, escola, dentre outras.

Isso deve-se à falta de planejamento financeiro – uma conduta que não foi incorporada à cultura do brasileiro – e que é potencializado pela euforia causada diante do recebimento do décimo terceiro salário, que transmite a falsa sensação de que há dinheiro sobrando, logo, por que não gastá-lo?

Toda a empolgação provocada pelas festas de final de ano e pela troca de presentes e viagens de férias caem por terra quando se chega o boleto de pagamento do IPTU, ou quando se faz uma cotação nas papelarias da lista de material escolar.

Como lidar com as finanças pessoais desde o início do ano?

Como profissional da área financeira, despertei-me para esses cuidados ao longo da minha trajetória de vida, dando o devido crédito e valor ao planejamento de gastos domésticos. Costumo afirmar que:

“Ter as contas em dia é algo que nos confere segurança moral e garante o sono bem dormido ao final do dia.”

Não precisa ser um profissional da área contábil para organizar as finanças pessoais e adotar medidas simples que auxiliam a evitar o endividamento. Nesta postagem vou compartilhar com você dicas que vão fazê-lo olhar seu dinheiro com mais cuidado e aplicá-lo de forma a garantir tranquilidade, mesmo diante das inúmeras contas a pagar no decorrer do ano. Que tal por em prática após a leitura? Sempre há tempo que se aprender a lidar melhor com o dinheiro que ganhamos.

Reserva financeira

Todo trabalho nos rende um salário ou ganho mensal (no caso de empreendedores), que será utilizado para bancar o nosso padrão de vida. É fundamental que as pessoas que queiram viver de forma mais tranquila em relação às suas finanças pessoais tenham em mente a seguinte proporção:

  1. até 60% do ganho mensal deve ser utilizado nas despesas correntes, ou seja, do dia a dia;
  2. os outros 40% devem ser revertidos para investimentos e reservas no estilo poupança/aplicação financeira.

Quando dizemos que 40% dos rendimentos mensais devem ser poupados, estamos afirmando que eles não devem ser contabilizados para gastos cotidianos. É como se a pessoa simplesmente não recebesse aquela parte do pagamento, transformando-o em uma reserva. Esse dinheiro será a sua segurança diante de mudanças de cenário como um desligamento da empresa, a aquisição de um imóvel, a troca de um carro, entre outros investimentos.

Dica importante: Recomenda-se que a pessoa mantenha uma poupança (reserva) equivalente a seis meses dos seus gastos mensais, para poder se recolocar com tranquilidade no mercado de trabalho, diante de uma eventual demissão.

Iniciando o ano com tranquilidade

Todo início de ano é permeado pelo pagamento de impostos como IPTU, ITR e IPVA. Assim como a morte, não temos como fugir dos impostos. Sabendo disso, é preciso sempre ter uma reserva financeira, que pode até vir do décimo terceiro salário, para garantir o pagamento destes tributos.

O cálculo a ser feito é simples: quando oferecido um desconto a partir de 10% no valor total pago à vista, vale a pena quitar o imposto em parcela única. Isso se explica porque mesmo que esse dinheiro fique aplicado para pagar ao longo do ano em várias parcelas, ele não vai render esse percentual de 10%, que justifique pagar o imposto em doses homeopáticas. A não ser que você seja inquilino e que possa entregar o imóvel antes do vencimento do contrato.

Caso o desconto oferecido pelo pagamento à vista seja menor do que 10%, daí sim a opção de pagar em parcelas não será algo desvantajoso. Eu adotei a postura de quitar débitos, sempre que possível, à vista. Assim inicio o ano sem arrastar parcelas por meses a fio.

Encarando os reajustes anuais

O grande benefício de ser um bom pagador é poder contar com a atenção das empresas que reajustam suas mensalidades anualmente como aluguel, escola dos filhos, entre outros. O reajuste é algo compreensível. Alguns deles inclusive são calculados com base em índices macroeconômicos como o aluguel, que tem como base o IGPM.

No entanto, é possível apresentar contrapropostas ou requisitar descontos para tentar amenizar a subida de preços. Esse mérito só é concedido para bons pagadores. Afinal, quem dá trabalho para quitar as contas não costuma receber muito crédito nestas negociações.

Fugir do cheque especial e parcelamento do cartão de crédito

O primeiro fantasma quando pensamos em organizar as nossas finanças pessoais é sem dúvida o temido cheque especial. Muitas pessoas veem este recurso como um complemento do dinheiro necessário para pagar as contas rotineiras. Enquanto o cheque especial é um dos recursos mais caros disponibilizados na atualidade. Ele deve ser visto com um socorro em casos emergenciais, e nunca como um dinheiro a ser utilizado todos os meses.

Dessa forma também deve ser encarado o cartão de crédito. É comum as pessoas recorrerem ao valor disponibilizado em compras pelo cartão de crédito como algo complementar às suas finanças. E depois, fazer o parcelamento do pagamento, protelando sua quitação. Se você se identificou com essas atitudes, não se esqueça:

“Os juros cobrados pelas operadoras de cartão de crédito e do cheque especial cobrados pelos bancos são os mais caros praticados no mercado financeiro. ”

Atualmente, o juros cobrado pelo uso do cheque especial ultrapassa 300% ao ano, enquanto o do cartão de crédito supera 400% ao ano. Não compre nada que exceda seu orçamento, contando com o cheque especial ou mesmo o cartão de crédito pois você estará suscetível a pagar essas altas taxas de juros caso não consiga honrar o pagamento.

Aumentar os ativos lucrativos

Observe como está aplicando seu dinheiro. Ele vem sendo aplicado em ativos que lhe rendem dinheiro? Ou lhe rendem despesas? Por exemplo: uma pessoa que mantém um lote sem utilização tem um ativo que só gera despesas pois está sujeito ao pagamento anual do ITR e da taxa de limpeza deste lote. Reforçando que o ITR é um dos impostos mais caros praticados para imóveis.

Já uma pessoa que aplicou seu dinheiro na aquisição de uma sala comercial que está em pleno funcionamento tem um ativo que lhe rende dinheiro mensal. É muito importante saber identificar a fonte mais lucrativa para se aplicar o dinheiro. Na linguagem do meio financeiro chamamos de ativos-ativos aqueles que rendem ganhos, além de valorizarem; e de ativos-passivos aqueles investimentos que nos oneram.

Saúde financeira

A melhor dica quando se trata de finanças pessoais é sempre agir com cautela, de forma preventiva. Ter uma poupança, algum dinheiro aplicado e ainda conseguir pagar as contas em dia é o ideal para se ter uma vida financeira saudável. Gastar dentro do limite de seus ganhos é fundamental.

Saiba todos os detalhes para fazer a sua Declaração de Imposto de Renda.

Quer aumentar sua produtividade em 2018? Fique atento nestas dicas.

 


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Sobre Camilo Cotrim

Formado em Administração de Empresas, pós-graduado em Estratégia, especialista em Finanças, mestrando em Contabilidade e Coordenador do curso de MBA Gestão de Negócios, Controladoria e Finanças Corporativas do IPOG.

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