Líderes não motivam ninguém. Saiba como motivar os seus colaboradores
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20 de junho de 2017

Líderes não motivam ninguém!

líderes não motivam ninguém

Os líderes costumam ser muito cobrados em relação à motivação da equipe. A busca por resultados exige destes gestores que eles sejam capazes de sempre garantir um alto nível de engajamento entre os colaboradores.

No entanto, será mesmo que a motivação parte da liderança? Segundo o professor do IPOG e Psicólogo Organizacional Flávio Costa, a resposta é não. Isso porque a motivação é um processo interno, endógeno, nasce em cada pessoa e tem a ver com o que lhe dá prazer.

Motivação está relacionada ao que te deixa em Flow. Segundo a Psicologia Positiva, Flow é o estado no qual a pessoa se encontra completamente absorvida por uma atividade extremamente agradável. A satisfação do indivíduo é tão grande, que as tarefas são executadas com fluidez.

Mas onde entra os líderes nessa história?

Flávio Costa explica que o papel do líder é ajudar a identificar como o colaborador se sente realizado no ambiente de trabalho. O que lhe traz emoções positivas?

“Aí a gente entra no conceito de Liderança em Gestão Motivacional. Um líder não motiva ninguém. Ele faz uma gestão de processos motivacionais buscando com você identificar aquilo que te motiva”, ressalta o professor e palestrante.

Ele ainda destaca um provérbio árabe que diz: “Você pode até levar um camelo à beira do rio, mas jamais poderá obrigá-lo a beber a água. Para fazer isso, ele precisa ter sede”. O mesmo acontece nas equipes. A motivação precisa partir de cada profissional para que haja bem-estar e satisfação no ambiente de trabalho.

Mas como fazer, se não depende de mim?

Antes de compreendermos como o líder pode interferir no processo de motivação da equipe, Flavio Costa destaca que é preciso quebrar alguns paradigmas.

1) Liderança inata

O professor pontua que a Liderança não é uma característica do indivíduo. É um fenômeno que tem origem na relação interpessoal. Flávio Costa justifica citando que se a gente entender a liderança como uma característica do indivíduo, tal como introversão, extroversão, empatia, um líder seria líder de qualquer pessoa e em qualquer lugar, pois a “competência” estaria nele. No entanto, não é o que acontece. “Eu posso ter liderança com você e não ter com outros grupos. Posso ter com esse grupo numa determinada situação e não ter em outras. Isso caracteriza, portanto, que o fenômeno não é meu”, reforça o consultor.

Segundo ele, o conceito de liderança hoje é uma relação de influência que se construiu com alguém. “Eu tenho a capacidade de influenciar alguém, em um determinado contexto. Eu não consigo liderar qualquer grupo, assim como os mesmos grupos não serão liderados por mim em qualquer situação. Eu lidero em alguns contextos”, detalha o professor do IPOG.

2) Rigidez na Liderança

O professor ainda pontua que o líder precisa se ajustar a esse processo de influência de acordo com sua equipe, conforme o nível de maturidade que ela possui.

Logo, aquela visão de que o gestor é aquele que vai sempre a frente, conduzindo a equipe já está relativamente ultrapassada. O líder também precisa ser flexível, maleável e se adaptar de acordo com a equipe que coordena. Ele também se adapta à situação do grupo.

Flávio Costa ainda destaca que “Tudo isso é maravilhosamente explicado na teoria da Liderança Situacional. A minha liderança deve ser sempre ajustada ao nível de maturidade da minha equipe”.

Como exemplo, o professor cita Bernardinho, ex-técnico da Seleção Masculina de Vôlei do Brasil. Durante uma entrevista nas Olimpíadas no Rio de Janeiro, em 2016, ele foi questionado por estar trabalhando seu time de forma diferente como que costumava agir com outras equipes olímpicas no passado. O repórter teria dito que estava mais tranquilo, gritando menos. O jornalista então perguntou o motivo da mudança, se seria mais maturidade, cansaço, ou quietude. A resposta do técnico, como de costume, foi direta: “Não, eu não mudei. Eu sou o mesmo. O que mudou foi a minha equipe. A anterior trabalhava de uma maneira que aquela minha atitude conseguia extrair dela o melhor resultado. A de hoje é diferente”.

Percebam que Bernardinho não exalta e nem desvaloriza nenhum dos jogadores. Como líder, ele apenas reconhece as diferenças. Consegue identificar com quem pode agir com mais pressão na busca por resultados e com quem deve prosseguir de maneira mais cautelosa.

Trata-se de um processo de ajuste, que responsabiliza em grande parte a consciência dos líderes sobre a necessidade de se adaptarem às suas equipes.
“Isso é o que preconiza a Liderança Situacional, entendendo a Liderança como um fenômeno de relação interpessoal construído na própria relação para determinados contextos. Então não é uma coisa minha. É algo que se dá no processo de interação humana. É isso que deve se pensar como liderança pra começar a entender bem a prática do que é considerado hoje a gestão mais estratégica de pessoas para um grande sucesso profissional e institucional.”

 

Quebrando dois paradigmas, o da Liderança Inata e o da Rigidez na Liderança, o líder começa a se enxergar como um facilitador para ajudar a equipe a descobrir o que a motiva.

Através da relação de influência, o líder constrói um processo para ajudar o liderado. “Ou seja, Gestão do Processo Motivacional está longe de ser pagar (caro!) por uma palestra motivacional para minha equipe, pois isso certamente não fará os profissionais trabalharem mais motivados e realizados em suas atividades”, adverte o professor Flávio Costa.

O desafio do líder está em fazer uma Gestão COM Pessoas e não a Gestão de Pessoas. Trata-se de um trabalho lado a lado, em que o maior objetivo é descobrir algo que está dentro de cada um. E para exercer esse papel com maestria, o líder precisa entender quem ele é, já ter passado por este processo, para só então auxiliar outras pessoas. Ser uma Liderança Plena.


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Sobre Flávio Costa

Especialista em Gerência Empresarial com ênfase em execução, Formação em storytelling (Storytelleres) (McSill Studios), Formação em Eneagrama (Instituto Treinare) e professor de técnicas de teatro e ciclo de aprendizado experiencial para professores do curso de práticas docentes do IPOG.

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