Planejamento financeiro para driblar os efeitos da crise
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09 de junho de 2017

Planejamento financeiro para driblar os efeitos da crise

Planejamento Financeiro, Gestão

Dizem que o ano só começa depois do Carnaval, então não há mais desculpas: 2017 chegou. É hora de trabalhar firme e fechar muitos negócios. Os três últimos anos de recessão causaram bastante desconforto no cenário nacional, e muitas empresas acabaram pegas de surpresa, já que não estavam esperando uma crise de tamanha proporção. Houve queda significativa no produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, redução das ofertas de crédito, queda no número de negócios, o que acabou culminando no fechamento de muitas empresas. O resultado foi o que todo mundo viu, uma quebradeira geral e desemprego em alta.

Para o coordenador do curso de MBA Gestão de Negócios, Controladoria e Finanças Corporativas do IPOG, Camilo Cotrim, o último triênio deixa ao país uma lição: “é preciso planejar e gerir bem os recursos”. De acordo com o especialista, diferente dos anos anteriores, a projeção é de que o Brasil comece a retomar o crescimento em 2017, mas de forma ainda muito tímida. Diante desta expectativa, recomenda-se que empresas e gestores usem recursos de maneira coerente. “Muitas empresas quebraram porque não fizeram o dever de casa. Deixaram de controlar bem os seus fluxos de entrada e de saída. Faltou o planejamento financeiro, não estavam preparadas para o momento econômico difícil”, analisa Cotrim.

O especialista reforça que é papel do gestor ver a empresa no detalhe e o planejamento financeiro deve ser levado a sério, feito antes do início de cada ano. Os gestores precisam programar todas as receitas para o ano e os respectivos custos e despesas da empresa. “Esse é o modelo ideal, mas sempre é tempo de organizar”, reforça Camilo. Ele explica que é importante que os gestores e executivos tenham a noção de que não pode sair dando tiro para tudo que é lado. “Ter uma projeção do negócio e os números que vão acontecer é muito importante para que as decisões sejam mais assertivas para levar a empresa a resultados melhores que em 2015 e 2016”, afirma.

A boa notícia é que o ano não está totalmente perdido para as empresas que ainda estão sem um planejamento financeiro. “É preferível fazer um planejamento parcial, que contemple os meses que ainda não chegaram. Deixar de fazê-lo é muito temerário para empresas que querem sobreviver à crise do país”, enfatiza.  Cotrim conta ainda que é muito comum encontrar no mercado administradores com pouca técnica e muito empirismo. “As empresas, de forma geral, precisam tomar um chá de profissionalização”, orienta.

O professor usa de analogia para simplificar o entendimento sobre o planejamento financeiro. Um médico não trata um paciente sem saber como estão os exames clínicos, uma empresa também não deve tomar uma decisão sem saber dos seus próprios exames, sem fazer os relatórios. Assim como o médico faz para medir a vitalidade de uma pessoa, os gestores também precisam medir a vitalidade da empresa.

“Tomar decisões sem conhecimento prévio do negócio é o mesmo que andar em um mundo de riscos. Isso porque o cenário econômico não está favorável para arriscar decisões aleatórias”, conta o coordenador do IPOG. Segundo o professor, o recomendável é que uma empresa que nunca teve o cuidado de fazer um planejamento estratégico o faça para pelo menos dois anos. Para aquelas que já fazem, o ideal é uma projeção dos cinco ou dez próximos anos. Ele conta ainda que tem empresas que projeta até os 50 anos seguintes. “Tem empresas japonesas que tem planos para os próximos 250 anos, isso não é normal, foge um pouco da curva”, diz.

O importante é planejar sempre

Tem empresa que está começando a implantar a cultura do planejamento agora e é natural errar o alvo nos primeiros traçados. Nesse caso, a dica é começar com projeções de dois anos, isso porque, com prazos um pouco menores, é possível ajustes de rota. “Por princípio, planejamento é flexível”, conta Cotrim, que garante: “É uma ferramenta importante, mas não é a única que o gestor deve colocar em prática. Deve-se trabalhar um conjunto de ferramentas para tomada de decisões mais assertivas”, acrescenta.

Neste caso, de nada vai adiantar o planejamento financeiro se práticas erradas forem aplicadas à gestão do negócio. Veja algumas das orientações do especialista sobre o que fazer para garantir a saúde  da empresa.

  • Descapitalizar o negócio

O dinheiro da empresa deve ser da empresa, por isso nunca tire o capital de giro para o patrimônio pessoal.

  • Endividamento elevado

Evite financiamentos e compromissos financeiros muito alto e a longo prazo. Se o investimento pode esperar, aguarde.

  • Equilíbrio de caixa

O ideal é um fluxo de caixa projetado para no mínimo três meses. É importante fazer a programação de tudo que vai entrar de receitas e despesas nesse prazo.

  • Conheça o negócio e de onde vem o lucro

Avalie sobre o mix de produtos. Tem que vender o que é saudável para o negócio. Para as empresas comerciais, a gestão adequada do estoque é importante.

  • Gerencie custos

Esse é um dever de casa que todos tem que fazer, tanto quem está bem, como quem não está. Todos os gastos devem ser geridos para que não haja despesas ineficientes. É importante comprar e negociar bem.


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Sobre Camilo Cotrim

Formado em Administração de Empresas, pós-graduado em Estratégia, especialista em Finanças, mestrando em Contabilidade e Coordenador do curso de MBA Gestão de Negócios, Controladoria e Finanças Corporativas do IPOG.

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