ESG: como tornar sua empresa mais sustentável com ações concretas
Você saberia responder, sem hesitar, qual é a ferramenta de gestão mais demandada pelas empresas neste início de século? A resposta pode surpreender quem ainda associa competitividade apenas a números e margens de lucro.
A resposta é ESG – Environmental, Social and Governance, ou, em português, Ambiental, Social e Governança. E não se trata de modismo, trata-se de uma transformação profunda na forma como o mercado avalia, valoriza e decide em quem investir.
No Brasil, sete em cada dez empresas já adotam diretrizes ESG. Isso significa que, se a sua organização ainda não iniciou essa jornada, ela está, provavelmente, ficando para trás. Mas não se preocupe: nunca é tarde para começar e este artigo foi feito exatamente para isso. Continue a leitura e descubra.
O que é ESG e por que vai muito além do ‘plantar árvores’?
A sigla ESG ganhou força a partir de 2004, quando 50 CEOs das maiores instituições financeiras do mundo se reuniram com a ONU para discutir algo incomum: como as empresas poderiam contribuir para a sociedade para além da geração de lucro.
O resultado dessa provocação foi um conjunto de diretrizes que integram, dentro do planejamento estratégico das organizações, ações voltadas ao meio ambiente, às pessoas e à governança ética. Ou seja, ESG não é um departamento isolado, é uma filosofia de gestão.
Mallu Mendonça, doutora em Agronegócio, especialista em Planejamento Estratégico e professora no curso de Administração do IPOG, resume bem essa amplitude. “No que tange a questão ambiental, é importante pensarmos que a sustentabilidade voltada para o meio ambiente vai para além do plantio de árvores. É tudo que envolve práticas como mitigação de gases de efeito estufa, destinação correta de resíduos e uso de energias renováveis“, afirma.
Portanto, quando falamos em ESG, estamos falando de gestão estratégica aplicada ao dia a dia da empresa.
Quais são os três pilares do ESG e como cada um funciona na prática?
E — Ambiental: qual é o impacto real da sua operação no meio ambiente?
O pilar ambiental vai muito além de campanhas de reciclagem ou painéis solares na fachada. Ele exige que a empresa avalie sistematicamente como suas operações impactam o ecossistema.
Algumas perguntas práticas para você começar a reflexão: a sua empresa possui um comitê ou auditor ambiental? Quais são os resíduos gerados e para onde vão? Existe alguma política de redução de emissões? Esses questionamentos, aliás, são exatamente os que o mercado e os investidores farão antes de fechar negócio.
S — Social: quem são os stakeholders e como sua empresa cuida deles?
Mallu Mendonça explica que o pilar social envolve reconhecer quais são os “fatores humanos diretamente e indiretamente envolvidos nas ações da empresa”. Isso inclui colaboradores, fornecedores, clientes e até concorrentes.
Na prática, isso se traduz em políticas de equidade salarial entre homens e mulheres, promoção da diversidade etária e cultural, combate a práticas análogas ao trabalho escravo e cumprimento rigoroso das obrigações trabalhistas.
Consequentemente, empresas que investem no pilar social tendem a atrair talentos melhores, reduzir rotatividade e fortalecer sua reputação no mercado.
G — Governança: sua empresa é transparente o suficiente para atrair investidores?
Até pouco tempo atrás, bastava ser lucrativo. Hoje, o mercado quer saber como esse lucro foi gerado. A governança trata exatamente disso: princípios éticos, transparência de relatórios e segurança jurídica para quem investe.
“Ser e parecer honesto. A sua empresa é assim? Ela tem um comitê, ela tem auditores?”
A pergunta, feita pela professora Mallu, toca num ponto sensível para muitas organizações. Afinal, governança não é burocracia, é confiança. E confiança, no mundo dos negócios, vale mais do que qualquer balanço impresso.
Sua empresa já pratica ESG sem saber? Como identificar ações existentes
Antes de criar novos programas, vale fazer um diagnóstico honesto do que já existe. Muitas empresas, principalmente as de pequeno e médio porte, já praticam ações alinhadas ao ESG, apenas não as organizam dessa forma.
Por exemplo: se você tem uma política de banco de horas justa, se separa o lixo da empresa, se promove treinamentos para os colaboradores ou se divulga suas finanças de forma transparente para sócios e investidores, você já começou.
O próximo passo é mapear, formalizar e comunicar essas práticas. Assim, elas passam a gerar valor de marca e não apenas de consciência.
Sua empresa já pratica ESG sem saber? Como identificar ações existentes
Antes de criar novos programas, vale fazer um diagnóstico honesto do que já existe. Muitas empresas, principalmente as de pequeno e médio porte, já praticam ações alinhadas ao ESG, apenas não as organizam dessa forma.
Por exemplo: se você tem uma política de banco de horas justa, se separa o lixo da empresa, se promove treinamentos para os colaboradores ou se divulga suas finanças de forma transparente para sócios e investidores, você já começou.
O próximo passo é mapear, formalizar e comunicar essas práticas. Assim, elas passam a gerar valor de marca e, não apenas de consciência.
Quais são os benefícios concretos do ESG para a competitividade da empresa?
O retorno do ESG não é apenas simbólico, ele se manifesta em competitividade real. Mallu Mendonça afirma que a adoção dessas práticas proporciona “melhor performance e participação de mercado”, além de atrair clientes e investidores comprometidos com valores semelhantes.
Entre os benefícios mais concretos, destacam-se: acesso facilitado a investimentos nacionais e internacionais; valorização da marca junto a consumidores cada vez mais exigentes; redução de riscos operacionais e jurídicos; atração e retenção de talentos que buscam propósito; e maior resiliência em cenários de crise.
No que diz respeito ao mercado internacional, esse ponto merece atenção especial. Investidores estrangeiros fazem questão de analisar o posicionamento ESG antes de fechar qualquer parceria ou aporte. Ignorar esse critério é, portanto, fechar portas antes mesmo de abrí-las.
Perguntas frequentes sobre ESG e sustentabilidade empresarial
ESG e sustentabilidade são a mesma coisa?
Não exatamente. Sustentabilidade é um conceito mais amplo, relacionado ao equilíbrio entre desenvolvimento e preservação de recursos para as gerações futuras. ESG é uma estrutura prática de métricas e critérios que operacionaliza a sustentabilidade dentro das organizações, tornando-a mensurável, auditável e comunicável.
ESG é obrigatório no Brasil?
Ainda não há uma legislação federal que torne o ESG obrigatório para todas as empresas. No entanto, empresas listadas na B3 já seguem diretrizes de governança e transparência, e o mercado financeiro — nacional e internacional — vem tornando o ESG um critério cada vez mais decisivo para concessão de crédito, investimentos e parcerias comerciais.
Quanto custa implementar ESG?
O custo varia muito de acordo com o porte da empresa e o estágio atual das práticas. Em muitos casos, os primeiros passos não exigem investimento financeiro significativo — apenas reorganização de processos já existentes, formalização de políticas e treinamento de equipes. O maior investimento é de tempo e comprometimento.
ESG também é para você
Seja você um gestor de uma startup em expansão ou o dono de uma empresa familiar com décadas de história, o ESG oferece um caminho para tornar o seu negócio mais relevante, mais confiável e mais preparado para o futuro.
Mallu Mendonça deixa isso claro. “Se você considera sua organização ou você um gestor competitivo, eu te convido a conhecer mais sobre as ferramentas que validam e reconhecem o ESG,” afirma.
O convite está feito. E o primeiro passo pode ser mais simples do que parece: comece com um diagnóstico honesto, trace um plano realista e avance com consistência. O mercado e as próximas gerações já estão observando.
Sobre a autora:
Mallu de Mendonça Barros é Administradora, Doutora em Agronegócios pela UFG com pesquisa em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional, e Mestre em Conservação e Preservação do Cerrado. Acumula especializações em Gestão da Qualidade, Políticas Públicas e Planejamento Estratégico.
É servidora da Prefeitura de Goiânia, lotada na Agência Municipal de Meio Ambiente (AMMA), onde coordena o Programa Municipal de Educação Ambiental e lidera pesquisas de levantamento florístico em áreas de conservação do Cerrado. Docente do IPOG nos cursos de Gestão e Negócios, atua como ponte entre o conhecimento técnico-científico, as políticas públicas e a sociedade civil.
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