Qualidade de vida no trabalho: como a logoterapia ajuda a obtê-la?
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08 de fevereiro de 2018

Qualidade de vida no trabalho: como a logoterapia ajuda a obtê-la?

Cada vez mais tem se falado sobre ser feliz no trabalho, sobre propósito e desenvolvimento do potencial humano. Mas será que é realmente possível ter qualidade de vida no trabalho?

Afinal, a primeira coisa que nos vem à cabeça quando falamos de trabalho são obrigações a cumprir, um chefe a responder e um salário a receber no fim do mês, certo? Calma aí, pode não ser bem assim…

Mas por que as empresas precisam se preocupar com qualidade de vida no trabalho? Dados do Ministério do Trabalho apontam que o estresse hoje é a 3ª causa de afastamento do trabalho. A projeção é de que em 2020 seja a 1ª. Por isso, os donos das empresas e gestores precisam estar atentos ao que oferecem em suas organizações para que os colaboradores tenham mais saúde e qualidade de vida.

Empresas que se preocupam com a qualidade de vida no trabalho

Várias empresas têm se destacado por conseguir fazer do trabalho um sinônimo de qualidade de vida. Confira dois exemplos:

1) Google

Um dos casos mais famosos atualmente é o da Google. A empresa investe pesado e oferece aos seus colaboradores escritórios nada convencionais. Esses ambientes estimulam as pessoas a permanecerem ali por mais tempo. Consequentemente, trabalham e produzem mais, mas não se dão conta disso porque se sentem satisfeitas.

Sergey Brin e Larry Page, criadores da empresa que nasceu em 1998, sempre defenderam o desafio de atrair e reter talentos, além é claro, de sempre ter uma equipe motivada. Para isso, o ambiente deveria ser um local onde as pessoas gostassem de trabalhar, se divertissem e que tivessem ali, novas ideias. E o melhor, sabendo que ao final, seriam recompensadas pelo esforço e dedicação.

2) HP

Outro exemplo é o da HP. A empresa conta com uma política de trabalho flexível. 40% dos colaboradores trabalham de forma remota e outros 2% prestam serviço sem sair de casa.

Segundo gestores da empresa, a política aumenta a produtividade, pois diminui o número de deslocamentos, uma vez que muitos funcionários precisavam ir até as casas dos clientes, por exemplo.

Mas será possível ter qualidade de vida no trabalho?

Quando olhamos os exemplos citados acima, parece estarmos diante de uma realidade um pouco distante. Mas segundo a Coordenadora do MBA Executivo em Desenvolvimento Humano e Psicologia Positiva do IPOG, Poliana Landin, é perfeitamente possível encontrar no ambiente de trabalho a oportunidade de ter mais qualidade de vida.

Segundo ela, quando falamos de qualidade de vida no trabalho, falamos de aspectos relacionados ao próprio indivíduo (como ele percebe o ambiente, encara e sente as emoções naquele trabalho), mas também de fatores relacionados à organização e ao que a empresa pode fazer como por coisas básicas (disponibilizar um ambiente adequado, que não seja insalubre, se preocupar com a saúde dos trabalhadores, inclusive psicológica e emocional).

Desafio grande

Poliana Landin explica que o maior desafio está relacionado ao indivíduo perceber o quanto aquele trabalho está adequado dentro da perspectiva que cada um deseja para a própria vida.

“Porque, às vezes, a empresa pode até oferecer um ambiente de trabalho mais favorável, e mesmo assim, o colaborador ainda não se sentir satisfeito ou se sentir infeliz”, destaca ao ressaltar que a consequência será uma sensação de que não existe qualidade de vida no trabalho em questão.

Como saber se tenho qualidade de vida no trabalho?

A mestre em Psicologia pontua que a métrica está entre o que a empresa oferece e o que indivíduo busca pra si, por isso estão envolvidos tantos aspectos individuais. Não basta a empresa oferecer o melhor ambiente do mundo se aquilo não for o que o profissional busca para ele.

“O caminho é realmente o foco no autoconhecimento. Se perceber, entender o que eu desejo pra minha carreira e para a minha vida”, explica Poliana Landin. Para ela, a partir do momento em que a pessoa se compreender melhor, vai entender suas potencialidades e conseguir identificar se o que a empresa oferece está alinhado com suas perspectivas.

Existem casos em que a pessoa está insatisfeita com o trabalho, mas o problema não está na empresa em si, mas sim, no departamento em que o profissional está atuando, por exemplo. Se conhecendo, é possível identificar se em outro departamento a pessoa se adequará mais, produzindo melhor, se sentindo mais engajada, satisfeita e com muito mais emoções positivas.

“O primeiro movimento é interno [autoconhecimento] e só depois, externo [mudanças na empresa]”

Mas cuidado!

A coordenadora do MBA no IPOG faz um alerta importante! Muitas pessoas se sentem insatisfeitas no trabalho porque buscam para elas a perspectivas de outras pessoas. Como assim? É simples!

Muitas pessoas se submetem a um emprego, a uma função sem se perguntar se aquilo é o que realmente querem e o que lhes faz bem. Na verdade, muitas vezes, ela se encontra realizando o desejo de amigos, parentes, cônjuges. “Eu só posso buscar na empresa aquilo que eu tenho certeza que é necessário para mim, se não eu novamente vou buscar aquilo que é interessante na perspectiva de outras pessoas”, lembra.

“Por isso, o caminho é realmente o autoconhecimento. Entender que aquilo que às vezes é adequado para o seu colega de trabalho, pode não ser, na sua individualidade, aquilo que vai lhe trazer mais realização”.

Identificando se tenho qualidade de vida no trabalho

Uma boa dica para tangibilizar o que parece estar muito no campo das ideias, é colocar no papel. Poliana Landin sugere fazer uma lista com comparativos. Colocar no papel o que gosta e o que não gosta no trabalho, o que faz e que não faz bem.

Dessa maneira, é possível visualizar e trazer para a sua consciência o que realmente você quer e tem no local onde trabalha atualmente. Da mesma maneira é possível identificar o que falta e saber o que é preciso para ter mais qualidade de vida no trabalho.

“É uma maneira mais prática e visual de entender o que me falta, para que eu possa buscar focada naquilo, ou de entender aquilo que já tenho, que já é meu, que muito me agrada”, explica.

Fazendo isso, o indivíduo pode perceber que às vezes o que lhe falta é só uma realocação ou uma nova forma de trabalho como um horário mais flexível, por exemplo.

Poliana Landin ainda faz mais um alerta! Muitas vezes, quando pensamos em qualidade de vida no trabalho, logo pensamos em empresas que estão no Great Place to Work ou que aplicam o jeito Google de ser.

“Oferecer uma boa estrutura, boas ferramentas ou um bom lugar de descanso é importante, mas se não houver uma conexão interna, pode ser que até nesses ambientes algumas pessoas se sintam desmotivadas, sintam que estão adoecendo”, esclarece.


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Sobre Poliana Landin

Mestre em Psicologia com ênfase em Avaliação Psicológica, sócia-fundadora do Instituto Goiano de Psicologia Positiva (IGPP) e coordenadora dos cursos de Desenvolvimento Humano e Psicologia Positiva; Avaliação Psicológica; e Neuropsicologia do IPOG.

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