A estética nunca esteve tão em evidência. Basta observar o crescimento de clínicas, cursos, tecnologias e conteúdos nas redes para perceber a força desse mercado. No entanto, por trás do brilho, das promessas de transformação e da estética perfeita que circula online, existe uma realidade bem mais complexa, feita de escolhas, preparo, responsabilidade e visão de longo prazo.
Neste episódio do IPOG Cast, o tema “Estética: o que realmente move este mercado em alta” conduz uma conversa que vai além do superficial. Sob a condução de Fabine Romão, diretora de graduação do IPOG, o debate reúne Wilson Cruvinel (biomédico, doutor em imunologia e coordenador do curso de Biomedicina do IPOG); Vanessa Ferreira (biomédica especialista em estética avançada e mestre em ciências médicas); Karla Gomes (fundadora da rede Posê Beleza), que trazem olhares complementares sobre formação, prática clínica e gestão de negócios em um dos setores que mais crescem no Brasil e no mundo.
Ao longo do episódio, diferentes perspectivas se encontram para discutir o que, de fato, diferencia profissionais e negócios em um mercado cada vez mais competitivo. A seguir, exploramos os bastidores desse setor em alta, os aprendizados do episódio e os pilares que sustentam uma atuação sólida, ética e preparada para o futuro.
Um mercado que cresce, mas exige maturidade
O avanço da estética impressiona, mesmo em cenários de crise, o setor segue em expansão. Isso acontece porque o cuidado com o corpo e o bem-estar deixou de ser luxo e passou a integrar a rotina de muitas pessoas.
No entanto, como a própria Fabine alerta no episódio, o glamour esconde uma realidade complexa. Há clínicas irregulares, procedimentos mal indicados e uma sensação de saturação que assusta quem está começando. Portanto, crescer nesse mercado exige mais do que acompanhar tendências ou investir em equipamentos caros.
Consequentemente, o diferencial passa a ser outro: preparo, consciência e visão de longo prazo.
Estética além do espelho: a força da escuta
Um dos pontos mais sensíveis da conversa é a ideia de que estética não começa na agulha, nem no aparelho, mas na escuta. O professor Wilson Cruvinel reforça isso ao afirmar que “o foco precisa estar no paciente, na necessidade dele”. Parece simples, mas muda tudo.
Muitas vezes, o profissional é pressionado a vender um procedimento que não responde à queixa real do paciente. Assim, cria-se frustração dos dois lados. Além disso, há situações em que nenhum procedimento estético vai resolver a dor apresentada, porque ela não é apenas física.
Por isso, Wilson destaca a importância de uma base psicológica no atendimento. Com isso, entender limites, expectativas e sinais de alerta faz parte do cuidado integral. A estética, nesse contexto, deixa de ser impulso e passa a ser responsabilidade.
Formação integral: onde muitos tropeçam
Se existe um gargalo evidente no mercado de estética, ele está na formação. A professora Vanessa Ferreira observa que há muita ansiedade para se destacar, mas pouco repertório para sustentar esse destaque ao longo do tempo.
Ela explica que, no atendimento, busca integrar conhecimentos de bioquímica, imunologia e inflamação, sempre conectando tudo à queixa principal do paciente. Além disso, reforça a importância da anamnese bem feita, com perguntas claras e, quando necessário, exames laboratoriais.
Wilson complementa essa visão ao lembrar que hábitos como sono ruim, alimentação desequilibrada ou consumo excessivo de álcool impactam diretamente o resultado dos tratamentos. Ou seja, sem escuta e investigação, o profissional perde informações valiosas e compromete o resultado final.
Risco, erro e responsabilidade
Nenhuma prática está livre de intercorrências. Carla, empresária do setor, fala disso com naturalidade e maturidade. Segundo ela, o mais importante não é fingir que erros não acontecem, mas oferecer assistência rápida e orientação clara ao cliente.
Esse cuidado, aliás, constrói reputação. Portanto, protocolos bem definidos, parceiros qualificados e atenção real ao pós-atendimento reduzem riscos e fortalecem a confiança. Na estética, credibilidade se constrói no detalhe.
Os pilares que sustentam quem cresce
Ao longo da conversa, fica claro que a estética moderna exige múltiplas competências. Wilson resume bem ao afirmar que a formação não é apenas técnica. Ela envolve prática real, gestão, comunicação, ética e um olhar jurídico atento.
Isso inclui termos de consentimento, protocolos de segurança, vigilância sanitária e até noções de suporte básico de vida. Parece muita coisa, e é mesmo. Por isso, ele defende que tudo seja construído por partes, com paciência e consistência.
Vanessa acrescenta outro ponto sensível: muitos profissionais sabem atender, mas não sabem vender. Falta entendimento de custos, margem, compras e precificação. Assim, mesmo com agenda cheia, o negócio não se sustenta.
Credibilidade, posicionamento e relacionamento
Na estética, vender não é convencer, é transmitir segurança. A confiança nasce da postura, da clareza e da honestidade em dizer “isso não é o melhor para você” quando necessário. Vanessa ressalta que nem tudo é injetável e nem todo resultado depende de tecnologia.
Carla reforça essa ideia ao falar de posicionamento. Para ela, estratégia pesa tanto quanto equipamento. Não adianta esperar que o cliente apareça espontaneamente. É preciso se movimentar, criar conexões, servir pessoas e construir experiência.
Começar com o que se tem, segundo ela, é mais inteligente do que esperar o cenário perfeito. Uma limpeza de pele bem-feita, uma avaliação cuidadosa, um atendimento humano já colocam o profissional em movimento.
Crescer sem pressa, mas com intenção
Outro ponto que atravessa todo o episódio é a crítica ao crescimento acelerado e sem estrutura. Carla é direta ao afirmar que crescer rápido demais não se sustenta. Conhecimento, segundo ela, é libertador, e o caminho sólido é feito de passos pequenos, porém constantes.
Nos conselhos finais, os convidados convergem. Wilson sugere foco e respeito às atribuições da própria categoria. Vanessa destaca o valor do networking e das parcerias interdisciplinares. Carla lembra que ninguém cresce sozinho e que cada cliente é, antes de tudo, uma oportunidade de construir algo maior.
A estética que realmente prospera é aquela que entende pessoas antes de procedimentos. Ela une técnica, escuta, ética e visão de negócio, sem pressa, mas com intenção clara. O glamour pode até atrair, mas é a consistência que mantém.
Como bem resume Fabine ao longo da conversa, o dinheiro vem como consequência de um atendimento bem feito. Isso significa que, quem trata a estética como atuação séria, humana e estratégica encontra espaço, mesmo em um mercado competitivo.
Quer se aprofundar ainda mais?
O episódio completo do IPOG Cast – “Estética: o que realmente move este mercado em alta” está disponível no Spotify e no YouTube. Vale a pena ouvir com calma, porque a conversa amplia o olhar, provoca reflexões e ajuda a enxergar a estética para além do óbvio.
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