Domoterapia: a arte de curar ambientes ao longo da História
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08 de novembro de 2017

Domoterapia: a arte de curar ambientes ao longo da História

O termo DOMOTERAPIA, deriva do Latim “DOMUS”, que significa Casa, Imóvel e da palavra Grega “THERAPEI”, que significa cura.

”DOMUS”’ era o nome dado às as casas particulares, onde moravam os cidadãos mais ricos no tempo do Império Romano. É uma das artes mais antigas na terra, desde quando o homem vivia em cavernas e escolhia seus locais de pouso. Por isso hoje refere-se à “DOMOTERAPIA como a arte de curar ambientes.

Como funciona a Domoterapia?

A Domoterapia aborda como os aspectos existentes em cada ambiente interferem na vida dos que habitam nesses espaços. A utilização conjunta das técnicas pode corrigir e anular eventuais tipos de problema que podem refletir diretamente na saúde e bem-estar do ser humano. Nós já falamos aqui no Blog IPOG sobre como a decoração dos lares diz muito sobre seus moradores.

Por isso além de uma boa arquitetura, o profissional deve oferecer cores, sons, cheiros, texturas e sabores para as residências.

Portanto, a Domoterapia, como ciência, já é utilizada há muito tempo em países desenvolvidos como Alemanha, Espanha, Bélgica, França, sendo matéria obrigatória em algumas universidades de Engenharia e Arquitetura.

E para mostrar como essa influência vem sendo observada ao longo da existência humana, abordaremos o tema ao longo de dois textos a partir de uma análise feita pelo professor da Pós-Graduação do IPOG em Master em Arquitetura & Lighting, Glaucus Cianciardi.

Embarque conosco nessa viagem arquitetônica à História!

A Domoterapia ao longo do tempo

O surgimento dos primeiros lares: cavernas

Há mais de 150 milhões de anos, quando os primeiros hominídeos descobriram as cavernas como um meio de proteção contra as intempéries, as tribos inimigas e os predadores vorazes, ele fizeram talvez uma das mais importantes descobertas da humanidade: a casa.

Mas a inexistência de cavernas suficientes para abrigar toda uma população em crescimento demográfico vertiginoso fez com que muitos grupos de hominídeos ficassem desprovidos de abrigos, ficando a mercê de sua própria sorte. Como a inteligência funciona quando o corpo padece, o homem viu-se obrigado a desenvolver abrigos, semelhantes às cavernas, que os resguardassem das periculosidades que estavam sujeitos em seu ecossistema.

A adaptabilidade faz com que as espécies evoluam, e com os hominídeos não foi diferente. Eles utilizaram toda a sua habilidade para construir um abrigo que lhes desse a mesma proteção que a caverna propiciava.

Assim surgiram os primeiros abrigos elaborados com galhos e folhagens, pedras e barro; o primeiro ensaio que esboçaria os primeiros habitat construídos humanos, a primeira arquitetura humana: a casa.

“A casa sem sombra de dúvidas foi a grande invenção da humanidade. As experiências das cavernas tiveram um papel decisivo para realizá-la e qualificá-la como habitat humano propiciando abrigo e proteção, garantindo desta forma a sobrevivência da raça humana”.

Os riscos nos novos lares

Mas se por um lado a clausura espacial minoriza a exposição humana às condicionantes do meio ambiente local, torna o ser humano refém das ações benéficas e maléficas dos agentes inerentes aos espaços indoors. Veja alguns exemplos:

  • Umidade: propiciava a proliferação de fungos e bactérias e acabavam por gerar os mais diversos problemas nas vias respiratórias de seus moradores, assim como dermatites e demais infecções;
  • Pouca, ou até mesmo, falta de iluminação: tropeços e quedas que provocavam lesões ortopédicas, além de uma ambiente ideal para o habitat de animais peçonhentos.

Domoterapia: Evolução durante a História

À medida que o tempo vai passando, os ambientes também evoluem e a forma de se relacionar com eles também. Assim como a Domoterapia, confira:

Luz

Ao dominar o fogo por volta de 7000 a.C., o Homo erectus pode levar para dentro das cavernas a luminescência necessária. Assim, passou-se a evitar acidentes ortopédicos e também a afastar animais peçonhentos. Foi o fim dos problemas de visibilidade.

Calor

O calor também foi importante para contribuir para a melhora da salubridade dos espaços internos das cavernas, possibilitando um maior controle sobre a umidade e o conforto térmico dos espaços internos, resguardando a saúde de seus ocupantes das intempéries oriundas da era Glacial. Também propiciou o cozimento de alimentos reduzindo infecções por contato com bactérias nos alimentos.

“O fogo pode-se assim dizer foi à primeira forma que o homem utilizou em seus lares como tratamento terapêutico, resguardando e recuperando a saúde dos usuários dos espaços interiores”. 

Segurança Física e Psíquica

No entanto, a segurança física do abrigo não basta para garantir aos homens sua proteção, também é necessária segurança psíquica para certificar-lhes a sua felicidade. E a beleza é uma promessa de felicidade, segundo Bachelard. Nesse sentido, o fogo contribuiu para o embelezamento das cavernas possibilitando que se executassem pinturas sobre as paredes mais internas das cavernas, e principalmente que as visualizassem.

Decoração

Caverna La Cueva de Las Manos - Pinturas Rupestres

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em La Cueva de Las Manos, uma caverna que fica na Província de Santa Cruz, na Argentina, existe um sítio arqueológico no qual podem-se visualizar pinturas parietais pré-históricas compostas por inúmeras mãos impressas nas cores brancas, pretas, vermelhas, amarelas.

Juntas, elas compõem um interessante painel que além de ornamentar as paredes, certamente demarcava de forma etológica o domínio territorial de um determinado grupo social, propiciando-lhe conforto psicológico por saber ser possuidor de um abrigo que lhe propicia conforto físico, que aquele espaço lhes garante uma maior possibilidade de sobrevivência, pois neste estão menos suscetíveis às intempéries, aos predadores e a grupos rivais.

Decoração e Estímulos Nervosos

Ser detentor de uma caverna neste período significava, pois, possuir um espaço no qual se tem um maior controle sobre as forças externas da natureza. As mãos impressas, que acabavam por delinear a “decoração” das paredes. Além disso, certificavam-lhe a propriedade daquele espaço, e a simples visão destas, assim como a visão de seu grupo ao redor do fogo, de seus familiares protegidos e resguardados do mundo exterior, certamente lhe gerava prazer.

Essa sensação fazia liberar em sua corrente sanguínea endorfina, que é um neuro-hormônio, que chega a ser 400 vezes mais forte que a morfina, provocando sensações de anestesia e alívio, reequilibrando o organismo do estresse sofrido, propiciando-lhe melhoria no humor e na alegria e solução para algumas doenças físicas e psicossomáticas.

Desta forma a “decoração” da caverna também funcionava como um tratamento domoterápico para os seus habitantes, aliviando-lhes o estresse do dia-a-dia.

Mas a conversa sobre Domoterapia não termina aqui…

Como vimos, desde o início da humanidade a maneira de se relacionar com o lar, as condições do ambiente e a decoração, influenciavam sobre a maneira de ser e agir dos seus moradores. Inclusive sobre o seu bem-estar. No próximo texto, vamos mostrar como essa evolução da Domoterapia continuou ao longo das civilizações.

Continue acompanhando e deixe abaixo o seu comentário sobre esse tema!

 


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Sobre Glaucus Cianciardi

Mestre em Arquitetura e Urbanismo, pós-graduado em História da Arte e em Educação, professor do curso de Master em Arquitetura & Lighting do IPOG.

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