Capital de Giro: O coração do negócio
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11 de maio de 2017

Capital de Giro: O coração do negócio

Lidar com dinheiro é algo muito complexo, não é mesmo? Se lidar com ele na vida pessoal já envolve um certo controle, quem dirá quando isso é feito em larga escala, como por exemplo dentro das empresas? Negócios, independentemente do tamanho, possuem uma constante entrada e saída de dinheiro e esse recurso revertido para pagamentos de inúmeras despesas e manutenção do negócio é conhecido como capital de giro.

E, já que vamos falar sobre o assunto, você sabia que o capital de giro representa entre 30 a 40% do total de ativos de uma empresa? Esse capital permanente possui um peso maior sobre o total dos ativos, chegando a atingir o patamar entre 60 e 70%. Mesmo tendo uma participação discreta sobre os ativos totais de uma organização, lidar com o capital de giro requer grande esforço daquele que esteja ocupando o cargo.

Por quê? É simples! O profissional lidará diretamente com o coração da empresa, por assim dizer! A vida útil de um negócio também depende, e muito do capital de giro, afinal, uma organização, independentemente do seu tamanho, precisa do controle do que gasta e do que ganha!

Para exercer tal função é necessário um profissional que seja administrador financeiro ou controller. Ser especialista e entendido da área facilita, e muito, na hora de lidar com o dia a dia de um fluxo de caixa. Na maior parte dos casos é o controller quem assume essa missão em uma empresa mais desenvolvida ou em uma multinacional, por exemplo. Dentro dessas empresas maiores há dentro da vice presidência de finanças, dois administradores financeiros: o tesoureiro e o controller.

O especialista financeiro e professor do curso de Gestão de Negócios, Controladoria e Finanças do IPOG Ricardo Stephaniny explica que é o tesoureiro quem irá gerenciar as contas do dia a dia, o controller possui uma rotina um pouco mais específica. “O controller irá trabalhar as contas de médio e longo prazo e fazer uma estratégia empresarial para aquele período. Via de regra quem cuida do controle do capital de giro é mesmo o tesoureiro”, diz.

O especialista ainda dá uma dica àqueles que ocupam este lugar dentro de alguma empresa ou os que pretendem ocupar: estudar muito e manter-se atualizado. “É recomendável que esse tesoureiro responsável pelo capital de giro tenha especialidade em finanças, afinal a ciência está muito grande nos dias de hoje. São poucas as pessoas que absorvem o que a ciência fornece e finanças é um ramo da administração. Esse conhecimento exige uma dedicação de anos e prática. É algo muito complexo, por isso faz-se necessário ter conhecimento técnico e prática”, conta.

Na falta de alguém com habilidades e conhecimentos para lidar com a administração do caixa, seu negócio, com certeza, terá alguns problemas:

– Problemas de liquidez -> Esses contratempos podem levar a dificuldades da empresa para converter seus bens em dinheiro.

– Descontrole do estoque: Falta ou excesso prejudica a sua produção;

– Problemas na produção: Afetando a sua produção de mercadoria muito provavelmente você também terá que aumentar o custo dos materiais usados;

– Política de crédito: O que irá te levar a ter problemas com a política de crédito com o seu cliente, ou seja, eles podem não pagar o produto com o aumento do preço.

“Este é um mundo muito complexo, o que leva os profissionais a terem uma bagagem estudantil enorme, especializar-se e dedicar-se 100% para conseguir exercer bem todos os serviços de reter e para obter um bom desempenho da função”, alerta Stephaniny.

O especialista compara o capital de giro com um coração humano. Para ele este é o coração da empresa em curto prazo, mas ai é preciso de alguém para pensar também em estratégias para um médio prazo, uma estrutura de capital, etc. Dessa forma o controller passa a trabalhar juntamente com os demais no “comando” do coração da empresa. Se um fizer a atividade de forma inadequada ou desatenciosa poderá ter consequências para todos os outros.

Estudo feito pelo Instituto de Estudos Financeiros (IEF) constataram que, em geral, os problemas neste indicador aparecem por 4 fatores

  • Redução de vendas
  • Crescimento da inadimplência
  • Aumento das despesas financeiras
  • Aumento de custos
  • Combinação dos quatro fatores anteriores

Para sanar estes problemas há medidas paliativas, porém é preciso lembrar que uma empresa pode entrar em estado de falência por culpa de capital de giro mal monitorado. Um dos efeitos de ter este indicador mal administrado é o efeito tesoura, quando há um aumento da necessidade de capital de giro superior ao aumento do próprio capital. Isso leva a empresa a entrar em um overtrading. Esta é uma situação irreversível, onde o empreendimento quebra por falta de liquidez. Isso não atribui a culpa ao tesoureiro, mas quer dizer que houve um mal planejamento financeiro para o negócio.

O especialista afirma que há uma regrinha a ser seguida na vida empresarial e na pessoal, para obter sucesso e manter o controle financeiro: “O ideal é ter em mente ‘não gaste mais do que ganha! Não faça compromissos financeiros que você não conseguirá pagar! Seguindo esta dica é possível manter um bom controle pessoal e dentro de um negócio”, revela.


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Sobre Ricardo Stephaniny

Especialista financeiro e professor do curso de Gestão de Negócios, Controladoria e Finanças do IPOG

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