O que as ferrovias têm a ver com a economia de um país?
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09 de maio de 2018

O que as ferrovias têm a ver com a economia de um país?

Nos últimos 50 anos, as ferrovias brasileiras vem sofrendo com a falta de investimento na construção de novas linhas férreas, em detrimento do desenvolvimento do modal rodoviário, haja vista que poucas obras foram iniciadas pelo governo federal e, dessas poucas, nenhuma foi de fato concluída.

Esbarramos também em problemas como: metodologia de execução inadequada e ultrapassada, desvio de verbas das obras públicas nos últimos 20 anos, como as que temos acompanhado a partir da Operação Lava Jato, como também a falta de planejamento adequado para execução de grandes projetos ferroviários.

Todos esses fatores somados fizeram com que a malha ferroviária do Brasil decaísse de antigos 31.000 km para 26.000 km, sendo que desse montante, nem toda sua capacidade encontra-se conservada e em condições plenas de operação.

Ocorre também que a nossa economia estagnou. Para que ela volte a crescer com consistência, precisamos resolver o problema da infraestrutura brasileira, que passa pela ferrovia a partir da construção de novas linhas férreas, bem como pela recuperação das malhas existentes.

Nossa linha de exportação, falando de commodities agrícolas e minérios de ferro, que são os que mais contribuem para o crescimento do PIB brasileiro, precisa de modal ferroviário para sustentar o crescimento da economia nos próximos anos.

Com isso, creio que as oportunidades para o meio ferroviário serão enormes nos próximos 25 anos, pois teremos vários projetos que estarão prestes a serem liberados, entre eles a ferrovia Norte Sul que vai do trechos de Açailândia até Barcarena, ferrovia Norte-Sul de Estrela do Oeste até Panorama, a FERROGRÃO de Sinop até Miritituba, e a Fico de Campinorte até Lucas do Rio Verde, além da continuidade das obras das Transnordestinas.

Vantagens do modal ferroviário

  • Maior capacidade de volume de carga transportada (1 vagão do tipo Hopper, transporta o equivalente a 3 carretas de soja, com 35 toneladas cada);
  • Menor consumo energético de uma composição ferroviária (3 locomotivas e 82 vagões) se comparada ao comboio de carretas equivalente a 246 carretas;
  • Redução da perda de carga ao longo do trajeto de transporte, causado pela maior segurança e melhor acondicionamento da carga no vagão;
  • Redução do número de acidentes rodoviários, devido ao menor volume de carretas trafegando pelas rodovias federais e estaduais do país;
  • Maior segurança e equilíbrio ambiental, devido a redução dos acidentes rodoviários.

O que pode acontecer com países que não investem em Ferrovias?

Descubra o que pode acontecer com países que não investem em ferrovias, como o Brasil:

1) Perda de capacidade de atender o exterior

Economicamente, no Brasil, precisamos melhorar a infraestrutura de transporte, e quando falamos em transporte de cargas como commodities agrícolas (soja e milho), principais matérias-primas de exportação brasileira, cuja as principais regiões produtoras ficam no Mato Grosso e Pará, a mais de 2.000km dos principais portos do país, Santos (SP) e Paranaguá (PR), verificamos uma grande perda da capacidade brasileira em atender as fortes demandas do exterior por estes produtos, bem como uma impossibilidade de exportamos todo o montante coletado nas safras agrícolas do país;

2) Afeta o crescimento do PIB

Esta incapacidade de transportar com maior agilidade, bem como maior volume de carga, atrapalha o crescimento da economia brasileira, afetando diretamente o crescimento do PIB do país, que nos últimos anos vem decrescendo em larga escala;

3) Prejudica o índice de credibilidade para investimentos no país

Esta incapacidade de fazer escoar com agilidade todo o volume de carga gerado no Brasil, incluindo agora toda e qualquer matéria prima, como minério de ferro, soja, milho, carne, algodão, açúcar, etc, prejudica o índice de credibilidade para investimentos no país, avaliado pela Agência Internacional de classificação de riscos, Standard & Poor’s, que vem caindo nos últimos 3 anos no Brasil.

Então, por que vale a pena investir em ferrovias?

O que é possível observar como consequências positivas a partir de países que investiram em ferrovias como Estados Unidos e países da EUROPA:

1) Matriz de transporte equilibrada

Em um país com uma matriz de transporte mais equilibrada, dividida entre ferrovia, rodovia e hidrovia, é possível um escoamento das produções de forma mais ágil, tornando economicamente mais viável, com aumento do lucro dos produtores de matéria prima;

2) Oportunidades de emprego

Aumento das oportunidades de emprego, pois uma ferrovia, após construída, necessitará “eternamente” de mão de obra especializada para cuidar da manutenção da malha ferroviária existente, de forma a possibilitar um transporte de carga, ou passageiros, mais seguro e economicamente viável;

3) Contribui com o PIB

Contribuição para aumento ou manutenção do PIB do país sempre em números positivos, pois permite escoamento de toda matéria-prima produzida com maior agilidade e garantia da entrega dos produtos;

4) Melhoria no transporte de passageiros

Possibilidade da construção de linhas férreas para transporte de passageiros, interligando regiões próximas ou distantes, que geram aumento da competitividade entre os transportes rodoviário e aeroviário. Por consequência, o reflexo vem através da melhoria dos serviços prestados por cada modal, diminuição do preço das passagens e aumento da capacidade de fluxo de pessoas no dia a dia de uma cidade ou país.

São por esses motivos que é preciso repensar sobre a maneira como cada país trata o modal ferroviário. E com certeza, ter profissionais qualificados nessa área contribui para um maior desenvolvimento.

Além do ferroviário, conheça melhor quais são os outros modais brasileiros. e fique por dentro da proposta do nosso MBA em Logística, Supply Chain & Transportes.


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Sobre Rafael Barros Pinto de Souza

Coordenador de MBA em Engenharia Ferroviária pelo IPOG, Engenheiro Civil, Especialista em Engenharia Ferroviária e em Infraestrutura de Transporte e Rodovias, palestrante. Possui mais de 16 anos de experiência trabalhando com ferrovias, atuando em construção, manutenção e projetos.

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