Por que se tornar um Perito em Engenharia?
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06 de abril de 2018

Por que se tornar um Perito em Engenharia?

Você sabe o que faz um perito em Engenharia? Perícia (do termo latino perìtia, tem por significado a habilidade, o saber, derivado por sua vez de perìtus, “experto”) é a análise técnica de uma situação, fato ou estado, redigida, relatada por um especialista numa determinada disciplina. O perito é aquele que tem a habilidade, o saber.

O trabalho do perito é, portanto, um exame minucioso realizado por um profissional especialista (expert), legalmente habilitado, destinado a verificar ou esclarecer determinado fato, apurar as causas motivadoras do mesmo, ou o estado, o valor, a alegação de direitos, ou a estimação da coisa que é objeto de dúvida, litígio ou processo. O laudo técnico elaborado pelo perito é portanto o resultado relatado deste exame.

Quais são as possíveis áreas de atuação de um perito em Engenharia?

O perito pode atuar tanto no âmbito do judiciário, quanto no extra-judicial

Ele é acionado sempre que for preciso estabelecer as prováveis causas de um fato que gere dúvidas entre partes, ou que seja necessária a apuração do fato.

Como por exemplo, no judiciário, se nomeado pelo juízo: Em uma demanda judicial as partes envolvidas estão à priori convictas que tem razão e o objeto do processo é dar razão ou ganho a quem realmente a tem. Com esta tarefa, o julgador (magistrado) possui o conhecimento dos dispositivos legais a serem aplicados, porém em determinadas situações, torna-se necessária a produção de provas.

As perícias efetuadas por profissionais “experts” ou especializados em cada matéria ocorre todas as vezes que o Juiz considerar necessária a sua realização para provar fatos, fornecendo, desta forma, elementos que lhe possibilitam melhor decisão.

Em trabalhos de perícias judiciais (provas), o profissional de engenharia, arquitetura ou agronomia poderá estar sob duas situações:

  • Perito Oficial – nomeado pelo Juiz
  • Assistente Técnico – indicado (contratado) por uma das partes (reclamante ou reclamado na ação)

Na iniciativa privada, como consultor extrajudicial

Além de atuar como assistente técnico (contratado por partes envolvidas em uma disputa judicial), atua também:

  • Para estabelecer causas ou efeitos quando contratado por empresas ou particulares, como por exemplo, na avaliação de bens e imóveis urbanos ou rurais
  • Na Inspeção Predial, elaborando EIV – Estudo de Impacto de Vizinhança, com a patologia nas edificações
  • Na área tributária, no atendimento ao Código de Defesa do Consumidor
  • Na análise de viabilidade de contratos e negócios,  incorporações, permutas e etc.

Como ingressar no mercado?

O essencial é ter uma formação profissional sólida e generalista na área tecnológica, ter o gosto e a apreciação pela busca da verdade dos fatos. O perito é um cientista, pois se baseia na ciência para fundamentar suas conclusões.

As atribuições profissionais estão previstas nas Leis que regem as profissões envolvidas na perícia, mas mesmo assim, a formação continuada caracterizada por uma especialização de qualidade, com professores reconhecidamente atuantes neste mercado e com experiência didática na área, como é o caso da Pós-Graduação em Auditoria, Avaliação e Perícias de Engenharia do IPOG, faz uma grande diferença para aqueles que pretendem ingressar no mercado já com um diferencial positivo e forte.

Principais competências que um perito em engenharia deve ter

O conhecimento e atualização constante.

O perito deve ter além do saber e da habilidade, o compromisso com a verdade dos fatos e da postura ética reconhecida, que conferem o respeito e credibilidade às suas conclusões.

Mercado de Perícias em Engenharia no Brasil

A situação atual do país é propícia à geração cada vez maior de demandas (disputas) seja no campo da iniciativa privada, seja no âmbito do judiciário. A entrada em vigor da Norma de Desempenho da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas e das legislações municipais e federal que preveem a obrigatoriedade da Inspeção Predial, fazem com que a chamada Engenharia Legal esteja em franca ascensão, principalmente nos casos que envolvem o judiciário.

Em relação aos profissionais que têm dúvidas se seguem ou não essa carreira, direi que a “justiça não protege quem dorme” (dormientibus non sucurrit jus), ou seja, não perca mais tempo esperando ou procurando outra oportunidade para ingressar neste universo do conhecimento da Engenharia Legal.

É necessário buscar uma qualificação que prepare o profissional com maestria para atuar nessa área que vem crescendo de forma abrangente. Um mercado promissor para Engenheiros e Arquitetos.

 


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Sobre Luiz Capraro

Professor IPOG, Engenheiro Civil com 33 anos de experiência na Construção Civil e magistério superior. Possui graduação em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Santa Catarina (1983), mestrado em Educação pela Universidade Tuiuti do Paraná (2005) e especialização em Gestão Estratégica de Pessoas e em Auditoria, Avaliações e Perícias de Engenharia. Tem experiência na área de Engenharia Civil (Construção Civil) e na de Educação em Engenharia (professor de disciplinas técnicas), com ênfase em Processos Construtivos e em Tecnologia da Construção, atuando principalmente nos seguintes temas: arquitetura e engenharia, tecnologia da construção e ensino de disciplina técnica, profissional atuante na área de Avaliações e Perícias sendo filiado ao IBAPE e membro filiado da American Society of Civil Engineers – ASCE. Membro do CE 002:13 da ABNT. É membro atuante da ABENC - Associação Brasileira de Engenheiros Civis, da qual é Secretário Geral (2013-2015 e 2016 a 2018), da ABENGE - Associação Brasileira de Educação em Engenharia, através da qual foi Conselheiro no Conselho Nacional de Cidades - CONCIDADES (2014-2015) e do Instituto de Engenharia do Paraná – IEP. Conselheiro do CREA (2012 – 2017).

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