Logística: Diferença entre o planejamento estratégico, tático e operacional
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26 de outubro de 2018

Logística: entenda a diferença entre o planejamento estratégico, tático e operacional

planejamento estratégico, tático e operacional

Responsável por movimentar produtos em toda a cadeia produtiva, a área de logística, quando bem estruturada, contribui diretamente com o crescimento da organização através do aumento das vendas, e impacta diretamente no planejamento estratégico, tático e operacional da empresa.

É por meio do mapeamento dos custos logísticos que é possível aperfeiçoar e melhorar as margens operacionais da organização. Contudo, nem sempre os processos logísticos são bem estruturados, o que acarreta alguns problemas para as empresas que não cuidam bem dessa área.

Nesse sentido, quais são os pontos indispensáveis que caracterizam um excelente processo logístico?

Quem responde é Tarcísio Menezes, professor do MBA Logística, Supply Chain & Transportes. Para ele, o sucesso na prática das atividades de logística depende de alguns fatores, como por exemplo o nível de serviço que o seu canal de distribuição necessita.

Vejamos:

O seu cliente quer ser atendido no menor tempo possível, porém, ele não paga por este atendimento. Qual é a saída?

  • Planejar o corte de pedidos (horários);
  • Formar rotas de entregas (itinerário para veículos seguirem um caminho racional e lógico, evitando pedidos fora de rota);
  • Definir um pedido mínimo de vendas (definir um valor de venda que atenda os seus custos operacionais);
  • Planejar a sua estrutura de armazenagem visando maior fluxo operacional, o que pode ser alcançado a partir da revisão do layout;
  • Estar preparado para as mudanças que já ocorrem no mercado.

Planejamento: a palavra-chave em logística

Portanto, o objetivo crucial de logística é intermediar o produto de origem ao destino. Para isso, o professor alerta sobre três pontos indispensáveis que garantem o sucesso do processo logístico em uma empresa. São eles:

  • Planejamento estratégico;
  • Planejamento tático;
  • Planejamento operacional.

Você sabe qual é a diferença entre eles?

Saber essa diferença é compreender os níveis de planejamento, que se diferenciam no prazo das ações, nos níveis hierárquicos envolvidos e em como cada um influencia o resultado geral da organização.

Vejamos como funciona cada uma dessas etapas:

Planejamento Estratégico

Está relacionado ao que a alta gestão espera do processo. É o começo de tudo, é a visão do futuro da organização, que se estrutura nos fatores ambientais externos e nos fatores internos, em que são definidos os valores, visões e missão da organização. As decisões tomadas no planejamento estratégico são de responsabilidade da alta administração da empresa.

As ações são criadas pensando em longo prazo, normalmente feitas para o período de 5 a 10 anos. Nesse processo, busca-se uma visão ampla da organização, sem ações detalhadas, já que seria difícil acertar tantos detalhes para um período tão longo.

É importante lembrar que o planejamento deve ser revisado e atualizado continuamente, para que as informações sejam mais reais possíveis e sirvam como fatos e dados para tomada de decisão. Este passo ajuda a evitar grandes variações entre o que foi planejado e o que foi executado.

Planejamento Tático

Enquanto o planejamento estratégico se desdobra para toda a organização, o planejamento tático tem um envolvimento mais limitado, a nível departamental, o qual envolve às vezes apenas um processo de ponta a ponta. O planejamento tático é o responsável por criar metas e condições para que as ações estabelecidas no planejamento estratégico sejam atingidas.

Por se tratar de um nível mais específico, as decisões podem ser tomadas por pessoas que ocupam os cargos de alta direção, como executivos da diretoria e gerentes.

Aqui os planos começam a ser mais detalhados e funcionam como a decomposição do planejamento estratégico. O nível tático interpreta o plano estratégico para transformá-lo em planos concretos, em que é desenvolvido estratégias de marketing, de produção, pessoal e o financeiro empresarial, por exemplo.

Outra característica que diferencia o tático é o tempo em que as ações são aplicadas. Geralmente leva-se o período de 1 a 3 anos, espaço onde são mensuradas as ações para um futuro mais próximo do que o visado no planejamento estratégico, ou seja, médio prazo.

Planejamento Operacional

Aqui, é preciso ter assertividade no desenho das atividades, pois é a partir dele que os tempos e movimentos na execução podem ser reduzidos.

É no planejamento operacional que se executam as ações e metas traçadas pelo nível tático, para atingir os objetivos das decisões estratégicas. Nesse planejamento, os envolvidos são aqueles que executam as ações aplicadas em curto prazo, geralmente no período de 3 a 6 meses.

No operacional, todos os níveis da organização se envolvem e cuidam do acompanhamento da rotina, o que garante a execução de tarefas e operações, de acordo com os procedimentos estabelecidos para o alcance de resultados específicos.

É importante entender que um planejamento estratégico não vai sair do papel se os planos do nível tático e operacional não forem bem estabelecidos, pois é um processo integrado e interdependente.

Todos os níveis são necessários:

  • O estratégico para orientar a visão;
  • O tático para desdobrar essa visão em planos menores de ação;
  • O operacional para levar os planos à execução.

Por isso, os planejamentos devem envolver todos os colaboradores da empresa. É um incentivo para que as pessoas se comprometam com os resultados.

Os desafios e erros do mercado atual

Para Tarcísio, o principal desafio em relação à estruturação e execução do planejamento estratégico, tático e operacional está em conhecer as reais necessidades dos níveis de serviço exigidos pelos clientes.

Em logística, a falta de planejamento de uma das etapas da cadeia reflete de forma muito rápida em outro ponto. O professor exemplifica:

Imagine um cliente de varejo que não consegue realizar uma compra em uma distribuidora, pois o sistema de estoque da empresa, apesar de apresentar determinada quantidade de produtos, não bate com o estoque físico. Quando isso acontece, é bem comum que o funcionário ligue para o seu distribuidor para enviar novos produtos em curto prazo. No entanto, ele pode não estar com estoque posicionado para atender a demanda e isso pode gerar mais custos.”

Além disso, é comum que as empresas cometam erros por não trabalharem bem o planejamento estratégico, tático e operacional. Os principais, segundo Tarcísio, são os seguintes:

  • Empresas que atendem clientes fora de rota;
  • Entrega de pedidos todos os dias;
  • Vários veículos que se cruzam nas entregas sem uma coordenação entre eles.

O professor destaca que é preciso reconhecer esses erros e trabalhar pelas melhorias, caso contrário, a empresa continuará com o excesso de custos.

Essa mudança deve ser lenta e coordenada. É necessário envolver todas as áreas da organização para isso”, diz.

Nesse sentido, coloca-se como outro desafio do mercado atual encontrar profissionais especializados para desenvolver as equipes estratégicas, táticas e operacionais, uma vez que um time bem treinado também garante o sucesso das instituições.

Algo a ser considerado!

O Brasil é um país que vive de commodities, isto é, produtos baratos, de grandes volumes físicos e de pouco valor agregado. A maioria desses produtos é deslocada da região Centro-Oeste até o Sul e o Sudeste. Automaticamente, isso gera maior custo operacional por um produto barato, o que torna a atividade pouco viável.

Portanto, vale a pena considerar as dicas do professor Tarcísio para estruturar os planejamentos logísticos de forma adequada e eficiente. Confira:

  • Procure atender princípios básicos em logística, como os indicadores de custos para operações cruciais;
  • Faça a gestão de estoques;
  • Faça também a separação e preparação de pedidos;
  • Identifique os níveis de serviços desejados pelo canal e o nível de serviços que a sua empresa pode oferecer;
  • Procure fazer visitas técnicas e avaliar operações de outras instituições que tenham realidade próxima à da sua empresa, afim de realizar um comparativo e melhorar os processos do seu negócio.

E lembre-se sempre, em logística as mudanças não ocorrem em dias, são meses e anos para trabalhar as transformações.

Para que os planejamentos deem certo, é preciso envolver colaboradores de vários níveis, se comunicar claramente com eles e garantir que todos conheçam os propósitos da empresa.

Além disso, como afirma o professor, um primeiro passo deve ser o de conhecer os atuais níveis de serviços, indicadores operacionais e custos. A partir disso, é possível criar um diagnóstico da situação e atacar os pontos de maior impacto nas visões de curto, médio e longo prazo!

Quer saber mais sobre este universo? Então confira 5 dicas para ser um bom líder em Gestão de Logística e Produção! 

 


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Sobre Tarcísio Menezes

Especialista em logística empresarial. Profissional com 20 anos de atuação na cadeia logística e em empresas nacionais e multinacionais como: Spaipa, Alcatel, Cotia Penske Logístics, Cocamar, Grupo Muffato,  onde exerceu cargos de gestão. Professor em diversas instituições do Brasil, coordenador de cursos de pós-graduação nesta área. Consultor na área de logística com 72 projetos implementados. Consultor do Sebrae PR e palestrante em eventos nacionais.

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