Engenharia de Segurança dos Alimentos: carreira promissora
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07 de julho de 2017

Engenharia de Segurança dos Alimentos: carreira promissora

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O hábito de se alimentar fora de casa tem sido cada vez mais comum na rotina dos brasileiros. Com o crescimento desta demanda, aumenta a procura por profissionais da área de Engenharia de Segurança dos Alimentos, isso você vai entender um pouquinho mais adiante do texto.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população gasta em média 25% da sua renda com alimentação fora do lar. Em 2016, o setor de food service faturou R$ 184 bilhões segundo o Instituto Foodservice Brasil – IFB e já existem pesquisas que apontam para um crescimento de 10,9% em 2017.

A quantidade de números positivos mostra que apesar dos momentos econômicos críticos no Brasil, o setor se manteve em expansão, mesmo com dificuldades. Soube aproveitar o fato da rotina do brasileiro ser corrida e de grande parte da população buscar uma alimentação saudável. Foi resiliente, se reinventou e conseguiu passar por tudo isso!

Hábitos movimentam o mercado

Este costume de comer fora de casa, esse movimento de consumo, aumenta a demanda por engenheiros de segurança dos alimentos. Isso porque há um crescimento na produção de alimentos processados industrialmente e mesmo entre aqueles que preferem os orgânicos, existe um alto nível de exigência quanto à segurança dos alimentos, também chamada de food safety (qualidade, higiene, produção, etc.).

Segundo o coordenador do MBA em Gestão e Engenharia em Segurança dos Alimentos do IPOG, Marco Tulio Bertolino, só o setor de alimentos, em geral, emprega mais de 1,7 milhões de trabalhadores. Números que cresceram mais de 90% desde a década de 90, devido ao constante aumento do consumo de alimentos processados industrialmente, empurrando o setor a um crescimento de cerca de 3% ao ano.

O coordenador destaca que o segmento é responsável por cerca de 9,5% do PIB do Brasil, pois fatura mais de R$ 450 bilhões por ano entre alimentos e bebidas, e que responde em exportações por mais de 45 bilhões. Como justificativa para se manter em crescimento, ele pontua:

“Você pode deixar de comprar um carro, uma casa, um fogão ou um guarda-roupa novo, mas tem que comer”

Mas o que o Engenheiro de Segurança dos Alimentos faz?

O segmento abrange a indústria de alimentos, a qual engloba produtores de diversos produtos, como preparados prontos, biscoitos, balas, conservas, cereais, massas, sorvetes, chocolates, doces em geral, pescados, geleias, bebidas prontas, refrigerantes, enfim, todos alimentos processados, além de embalagens para este setor.

O profissional que atua como Engenheiro de Segurança dos Alimentos trabalha para:

  • Garantir a qualidade dos alimentos comercializados, desde as etapas de manipulação e preparo até o consumo;
  • Fiscalizar que não haja presença de contaminantes químicos (como resíduos de agrotóxicos e metais pesados), físicos(partes de pedras e insetos, por exemplo) e biológicos (como bactérias);
  • Garantir que os alimentos não causem danos à saúde do consumidor.

Para os profissionais que buscam ou já exercem o papel de gestores na área, entre as tarefas está a implementação de programas de gestão de qualidade e segurança de alimentos para garantir a comercialização de alimentos seguros. Também são focados para que a equipe esteja capacitada para as práticas de higiene que os manipuladores devem obedecer.

De acordo com Marco Tulio Bertolino, a gestão nas organizações é fundamental para garantir a produção, estocagem e distribuição de alimentos seguros, ou seja, livres de contaminantes químicos, físicos e microbiológicos.

Qual a tendência para os próximos anos nessa área?

Como já citamos anteriormente, a expectativa é de um crescimento de quase 11% só no segmento food service. O Brasil passou um grande sufoco nos últimos anos, mas as coisas estão voltando aos eixos, felizmente!

O coordenador do MBA do IPOG acredita que com a retomada da economia, o setor alimentício, como um tudo, certamente expandirá. Para justificar sua opinião, Marco Tulio Bertolino cita 3 fatores:

  1. Facilidade de acesso à compra de alimentos e bebidas: segundo o professor, as famílias hoje podem gastar mais com sobremesas e produtos de maior valor agregado (linha premium e semi-prontos);
  2. Mudanças de hábitos alimentares: hoje, 85% dos alimentos consumidos no país passam por algum processamento industrial, contra 70% em 1990 e apenas 56% em 1980;
  3. O Brasil é um grande exportador de alimentos: Mas para isso precisa atender às exigências do mercado internacional que é extremamente rigoroso no tema food safety (segurança dos alimentos). Buscam efetivas garantias de que os produtos adquiridos no Brasil são seguros às populações dos países clientes. Uma falha neste tema pode cancelar exportações e trazer prejuízos bilionários ao Brasil.

“Por isso um profundo conhecimento em segurança de alimentos é uma exigência das indústrias em relação aos profissionais que contratam, além de ser um diferencial imprescindível para aqueles que atuam na indústria de alimentos e bebidas, seja em áreas de qualidade, processamento, logística ou distribuição”.

Média Salarial

Marco Tulio Bertolino explica que existe ampla abrangência em relação à questão salarial. Dependerá do tipo de produto, porte da empresa e do cargo que ocupe.

“Digamos que pode variar de R$ 6.000 em média para supervisores iniciantes, em torno de R$ 15.000 a R$ 25.000 para gerentes, até R$ 50.000 ou mais para diretores em indústrias de grande porte. Mas repito, isto varia, diria que como no futebol, os craques terão os melhores salários!”, ressalta.

E como se destacar na Engenharia de Segurança dos Alimentos?

Para Bertolino, vai ter mais destaque o o profissional de Engenharia de Segurança dos Alimentos que mais trouxer resultados. Aquele que tiver a melhor capacitação, a qual lhe prepare com competências que tenham o foco na garantia da produção eficiente de alimentos e bebidas, com qualidade e seguros.

Profissionais com expertises em segurança de alimentos e ao mesmo tempo, capazes de potencializar para as organizações seus resultados pela redução de custos de não qualidade internos e externos, como retrabalhos, reprocessos, perdas de lote que precisem ser destruídos, devoluções, indenizações pagas a clientes por falhas de qualidade, perda de imagem de marcas por problemas com contaminações, etc. Uma outra competência importante é a gestão de pessoas, que é a base do crescimento de qualquer organização.

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Sobre Marco Bertolino

Coordenador e Professor no MBA Gestão da Qualidade & Engenharia de Produção do IPOG. Possui mais de 20 anos de experiência em gestão no segmento industrial e alimentício, com foco em Gestão de Processos, Gerenciamento da Qualidade, Segurança de Alimentos e Gestão Ambiental.

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