Gestão de pessoas no Agronegócio: uma visão humanizadora diante do tecnicismo
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27 de fevereiro de 2018

Gestão de pessoas no Agronegócio: uma visão humanizadora diante do tecnicismo

O Brasil é um país de dimensões continentais surpreendentes, permitindo que em um mesmo território possa-se adaptar diferentes tipos de cultivos e culturas, de acordo com as melhores condições climáticas e de solo, apresentadas pelas suas cinco regiões.

A sua vocação secular agrícola tem permitido que o país ocupe os primeiros lugares nos rankings de produtores de laranja, carne bovina e aves, soja, cana de açúcar, dentre outros produtos e commodities que movem as principais bolsas de mercado futuro do mundo.

A evolução tecnológica agregou ao campo facilidades que potencializaram o resultado dos plantios, conferindo maior eficiência e assertividade tanto ao início da safra, quanto na hora da sua colheita. O processo irreversível de mecanização do campo cobrou de seus trabalhadores maior aprimoramento para lidar com a tecnologia aplicada à lavoura, relegando algumas funções, antes feitas manualmente, à sua extinção.

Gestão de pessoas no Agronegócio: Expertise

Como agrônomo, psicanalista e executivo coach, sempre desenvolvi um olhar voltado para as pessoas que compõem as estruturas organizacionais as quais me dedico. Tenho em meu currículo desenvolvimento de consultoria a fortes grupos ligados diretamente ao agronegócio, podemos citar como exemplo a maior cerealista do Centro-oeste brasileiro, Grupo Cristal Alimentos, dentre outros. Em mais de três décadas de atuação, consegui observar o seguinte:

  • Produtor rural tem que entender de gente, além de entender do campo;
  • A mecanização não pode superar o poder do ser humano de trazer resultados;
  • Pessoas precisam ser estimuladas para que produzam melhor. Afinal, são elas que comandam as máquinas, e não o contrário;
  • A singeleza do homem do campo está no seu olhar para tudo aquilo que o une à terra e à sua família. Importe-se com aquilo que lhe é mais valioso e colha grandes resultados.

Liderança aplicada ao Agronegócio

Duas vezes ao ano sou convidado por um dos maiores produtores de soja do país para ministrar palestra aos seus funcionários, em um grande evento de celebração dos resultados alcançados com as safras. A pedido deste agropecuarista, por incrível que pareça, o teor das minhas palestras não é focado em produtividade, em bons resultados, em comprometimento profissional. Mas sim em aspectos gerais da vida, sobre a importância da família e do trabalho como fonte dignificadora da existência humana.

Costumo dizer que me preparo para falar com aqueles que falam com Deus. Porque para o homem do campo, todo o desempenho da safra está nas mãos de Deus. O que mais escuto é: “Se Deus quiser teremos uma boa safra este ano!” O Brasil possui solos tão férteis para se produzir, mas precisa enxergar com mais humanidade aqueles que se dedicam ao seu cultivo.

Tipos de lideranças que podem ser exercidas na gestão de pessoas no Agronegócio

Em uma pesquisa feita pela consultoria norte americana Hay Macber foram entrevistadas mais de 20 mil profissionais, nos mais diversos segmentos, para se delimitar os estilos de lideranças mais evidentes. Tais características levaram em conta o quociente de inteligência emocional de cada um dos entrevistados. Acompanhe a seguir quais foram os perfis identificados:

1. Coercitivo

Esse tipo de liderança requer pulso firme. Característica de pessoas em situações que demandam um ordenamento. Ideal para momentos em que se exige do líder um direcionamento, que ele diga como e quando será feita tão ação. Espera-se que o gestor de agronegócio aplique essa postura nos períodos de início de safra. Uma época em que precisam ser determinadas as metas, a forma de plantio, os resultados almejados e a forma que se espera alcançar tais resultados.

2. Agregador

O estilo agregador de liderança se mostra necessário em tempos onde o foco possa ser voltado para a pessoa, e não meramente para os resultados. Uma forma de se estabelecer vínculos e laços com aqueles que se dedicam aos seus objetivos. Geralmente, se mostra possível aplicá-lo em períodos em que os prazos estão ajustados e as metas todas alinhadas e próximas de serem batidas. No agronegócio, o estilo agregador se mostra saudável na entre safra, no período de preparação para o próximo plantio, onde se há tempo hábil para ouvir do trabalhador do campo suas ideias para melhorar os resultados.

3. Democrático

Perfil de líder envolvente, que concede voz à sua equipe. O gestor democrático discute junto aos envolvidos caminhos para se alcançar seus objetivos. Ouve sugestões, analisa conjuntamente e toma decisões baseadas em consensos coletivos. Neste estilo de liderança, todas as conquistas são resultado do trabalho conjunto, e nunca de uma só pessoa.

4. Centralizador

O líder centralizador detém características importantes como autonomia e pró- atividade. No entanto, busca se cercar de pessoas operacionais que apenas aceitam os seus comandos, sem questionamentos ou troca de experiências. Uma pessoa que, muito provavelmente, sabe o seu potencial, mas não se abre para enxergar o potencial alheio. Esse tipo de liderança costuma promover o seu reconhecimento próprio, e nunca da equipe. E ele funciona por um tempo, até levar à estagnação pois fica restrita às análises e à ótica de uma única pessoa, ele mesmo.

5. Confiável

O líder confiável é aquele que consegue imprimir coerência na sua atividade profissional. A sua fala condiz com as suas atitudes, e essa característica fica evidente para sua equipe. Age com firmeza na tomada de decisões, mas consegue ser maleável e cordial com todos ao seu redor, a ponto de suas cobranças não serem mal interpretadas.

A gestão de pessoas no Agronegócio

Assim como no meio empresarial, a gestão de pessoas voltada para o campo deve ser feita levando em conta o momento que se vive. (Confira o nosso MBA Gestão de Pessoas por Competências, Indicadores e Coaching). Cada etapa da safra pede que se adote um tipo de liderança, mais condizente com o que se espera alcançar. O tempo de plantar pede um líder mais centralizador, que sabe delegar e definir metas, sem precisar debatê-las com os trabalhadores.

O período de cuidado com a safra pode ser intercalado com lideranças mais democráticas e agregadoras, momento em que se ouve mais do que se fala. Que se dá voz a quem está percorrendo o campo, vendo formas de se combater as pragas, atendo às condições climáticas e como amenizar a escassez de chuva, por exemplo, ou o seu excesso.

A época da colheita pede uma liderança coercitiva, mais enérgica e de certa forma estimuladora. Neste época é preciso empenhar todas as forças para se obter os melhores resultados de tudo que se plantou. Não se aceita falta de vontade, de energia e de empenho dos trabalhadores.

É chegada a hora de ver o resultado de todo o tempo que se levou desde o seu plantio. O gestor que conseguir estabelecer uma relação de confiança ao longo do trabalho, vai poder ser coercitivo neste período, sem ser mal interpretado.

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Sobre José Rafael de Medeiros

Presidente da Academia Nacional de Liderança e Coach um dos mais requisitados palestrantes motivacionais do Brasil, com formação em Agronomia, psicanálise e executivo coach. Sua credibilidade e capacidade em inovar a cada ano faz dele um profissional diferenciado no mercado competitivo do século XXI. Atua no mercado de gestão de pessoas, liderança e coaching há mais de três décadas, a vivência, a experiência e maturidade profissional é outro grande diferencial do seu trabalho. Possui MBA Internacional com ênfase em Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas, em parceria com a Universidade de Ohio-Estados Unidos. É um auto-didata da psicologia humana, leitor assíduo de: Abraham Maslow, Teilhard Chardin, Freud, Jacques Lacan e Carl Jung, que muito tem influenciado no seu trabalho. Mais recentemente esteve na Alemanha participando de um curso “Humanistic Coach”, com 150 horas de duração, onde se deu ênfase na singularidade humana, como fator diferencial para o crescimento de uma equipe múltipla e produtiva.

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