O papel do profissional em educação inclusiva no Brasil
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16 de novembro de 2021

Educação inclusiva no Brasil: entenda os desafios na inserção escolar de alunos com TEA

O papel do profissional em educação inclusiva no Brasil

A educação é um direito fundamental. Assim, todas as crianças com idade escolar devem ter acesso a um ensino de qualidade, tenham elas deficiência ou não. Sendo assim, é necessário entender e debater o cenário da educação inclusiva no Brasil, processo importante para adequar o ambiente escolar e nivelar as oportunidades para todos.

Quando todas as crianças, independentemente de suas diferenças, são educadas juntas, todos se beneficiam. Esse é um dos pilares da educação inclusiva.

Com isso em mente, entrevistamos Dr. Fernando Silveira, mestre e doutor em Psicologia, com área de concentração em Avaliação Psicológica e membro do IPOG. Ele esclarece algumas dúvidas sobre a educação inclusiva no Brasil, com foco nos estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O que é educação inclusiva?

A educação inclusiva é um modelo de ensino em que todos os estudantes, independentemente da deficiência ou particularidade, recebem as mesmas oportunidades de escolarização em um mesmo ambiente, respeitando as diferenças individuais. Além disso, é preciso que o plano de ensino atenda a todos.

Ou seja, o ambiente escolar deve proporcionar oportunidades reais de aprendizagem para todos os grupos, e, assim, incentivar a vida em comunidade, com pessoas diversas e sem preconceitos.

Apesar de ser um direito garantido por lei, nem todas as escolas estão aptas a receber alunos com TEA, como explica Dr. Fernando Silveira:

“Toda escola deveria estar capacitada para receber nossas crianças, mas, infelizmente, não é assim que vemos na prática. Ainda temos muito o que avançar no que diz respeito à igualdade social e direito da pessoa com deficiência.”

Por exemplo, para receber estudantes com TEA, é indicado que o espaço tenha professores auxiliares, sala de recursos, acessibilidade e abertura para orientação interdisciplinar.

Para um ambiente educacional verdadeiramente inclusivo, é preciso seguir os 5 princípios da educação inclusiva:

5 princípios da educação inclusiva no Brasil

  1. Toda pessoa tem o direito de acesso à educação
  2. Toda pessoa aprende
  3. O processo de aprendizagem de cada pessoa é singular
  4. O convívio no ambiente escolar comum beneficia todos
  5. A educação inclusiva diz respeito a todos

Educação inclusiva no Brasil: qual é a situação atual?

Atualmente, as escolas com ensino regular no Brasil recebem alunos com diversos tipos de deficiência e transtornos do desenvolvimento e aprendizado, sem que seja necessário que esses estudantes frequentem instituições com ensino especial.

Por isso, uma escola inclusiva precisa passar por adaptações na sua estrutura, como a implementação de rampas de acesso, além de outros recursos físicos e pedagógicos para o processo de aprendizagem de todos os estudantes.

No entanto, Dr. Fernando Silveira salienta:

“Dentro da minha prática profissional, eu ainda percebo a necessidade de profissionais realmente capacitados para atender a essas crianças. Educação inclusiva vai para além da convivência e da socialização. Demanda recursos, mão de obra qualificada, capacitação para gestão de comportamentos e práticas educativas especializadas.”

Quais são os principais desafios para a inclusão de estudantes com autismo?

Antes de explicar a importância da escola ser adaptada para esses estudantes, é preciso entender como o TEA funciona.

O TEA, conhecido como autismo, é uma condição que afeta o desenvolvimento neurológico, causando déficit no desenvolvimento e influenciando a aprendizagem e interação social. Os primeiros sinais surgem já na infância. Por isso, esses alunos precisam de estímulos específicos.

Dr. Fernando explica, de forma detalhada, quais são os principais desafios para a inclusão de estudantes com TEA.

  • Identificar e entender as características de cada aluno 

Cada pessoa com autismo tem particularidades distintas. Algumas são mais agitadas e têm dificuldade de seguir regras sociais ou de ficar sentadas numa cadeira, enquanto outras são mais calmas e retraídas.

Entretanto, por falta de conhecimento e capacitação adequada, nem todo profissional de educação sabe reconhecer e lidar com as características de cada pessoa com TEA e podem achar que o estudante é mal educado ou preguiçoso.

  • Instituições de ensino se recusam fazer a matrícula de alunos com TEA

É comum que familiares de pessoas com TEA relatem dificuldades de encontrar uma escola que aceite alunos com autismo, e essa é uma das principais dificuldades para a efetivação efetiva da educação inclusiva no Brasil.

Entretanto, uma escola não pode recusar uma criança com TEA. Acesso à escola é um direito garantido na Constituição.

  • Idade

O ideal é que a criança seja matriculada o mais precocemente possível, visto que se encontra em um período cognitivo importante para a aprendizagem.

Ao lado disso, o ambiente escolar favorece práticas psicomotoras, vivências lúdicas, convívio com outras crianças e repertórios básicos previstos para sala de aula.

Porém, como muitas crianças com autismo têm dificuldade de encontrar uma escola, elas podem começar a vida escolar de forma tardia.

  • Plano de ensino não adaptado para alunos com TEA

Pessoas com TEA têm dificuldades na aprendizagem e, por isso, precisam de estímulos específicos para desenvolver suas habilidades. Com isso, as escolas devem adaptar o plano de ensino para abranger esses estudantes.

Uma criança com TEA, quando bem estimulada (e com os recursos apropriados), é capaz de aprender e se desenvolver, assim como uma criança neurotípica.

  • Profissionais sem capacitação adequada

Segundo Dr. Fernando Silveira, existem profissionais de educação sem preparação adequada.

“Infelizmente, eu não vejo um preparo satisfatório na minha vivência clínica. A realidade brasileira é diversa, e percebo que não há um alinhamento de políticas públicas. Assim, alguns municípios podem investir bastante na formação profissional, ao passo que outros não. O ideal seria que toda instituição tivesse uma equipe técnica especializada para avaliar e intermediar as possíveis dificuldades apresentadas pelo aluno.”

  • Falta de protocolo a ser seguido pelas instituições

No Brasil, não existe um protocolo específico para alunos com TEA. Todas as instituições seguem as normativas da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para todos os alunos.

Porém, o que se exige para a criança com TEA é um plano de ensino individualizado e um programa de desenvolvimento individual que adapte as metas pedagógicas à capacidade de cada criança.

Como o processo de inclusão de estudantes com TEA pode ser realizado com sucesso?

Quando todos esses desafios são superados, o processo de inclusão de estudantes com autismo pode ser realizado com sucesso, e os benefícios são notáveis, tanto para o próprio aluno como para os colegas e profissionais.

Por exemplo, quando questionado sobre as mudanças mais significativas observadas nas crianças que ingressam no convívio escolar mais cedo, Dr. Fernando Silveira disse que é possível observar vários benefícios:

“Melhoria nos repertórios de imitação, comunicação (compreensão e expressão), capacidade de atender tarefas e seguir instruções, brincar funcional, independência na vida diária, brincar social, ludicidade e convivência.”

Sem dúvida, saber como orientar crianças e adultos diagnosticados com TEA ou outra condição que dificulte o processo de aprendizagem é fundamental para garantir o acesso à educação para todos os alunos, sem distinção.

Como dito neste artigo, também é imprescindível que o profissional esteja devidamente capacitado para receber alunos com autismo, e, assim, contribuir para a educação inclusiva no Brasil.

A seguir, vamos mostrar como se tornar um profissional habilitado. Acompanhe!

Conheça o MBA em Intervenção ABA do IPOG

Saiba como orientar crianças e adultos diagnosticados com TEA e/ou deficiência intelectual utilizando a Análise do Comportamento Aplicado (ABA).

A análise do comportamento aplicada, ou ABA (Applied Behavior Analysis), é uma abordagem da psicologia utilizada na compreensão do comportamento e práticas interventivas de pessoas diagnosticadas com Transtorno de Espectro Autista (TEA) e/ou deficiência intelectual.

Ao se tornar um especialista ABA, você estará preparado para atender a todas as exigências desses alunos, sendo capaz de avaliar e estruturar um plano de ensino individualizado, bem como intervir utilizando as ferramentas comportamentais, atendendo às mais diversas demandas.

O curso conta com módulos que contemplam desde os conceitos básicos a respeito da Análise do Comportamento Aplicada até os modelos de intervenções mais utilizados pelos melhores profissionais de todo o mundo.

A especialização apresenta, ainda, práticas de atuação junto às escolas e à família, bem como a disponibilização de protocolos para serem utilizados em clínicas particulares com crianças e adultos.

Por fim, contempla a ética, as práticas interventivas para a alfabetização e o desenvolvimento das habilidades sociais.

Professores com experiência

O MBA em Intervenção ABA do IPOG conta com os melhores professores, incluindo o já citado Dr. Fernando Silveira, que tem graduação em Psicologia e especialização em Neuropsicologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP).

O professor é mestre e doutor em Psicologia pela Universidade São Francisco, com área de concentração em Avaliação Psicológica, bolsista pela Capes.

Além disso, ele atua como diretor clínico e psicoterapeuta na Clínica Luria – Espaço Terapêutico, Desenvolvimento e Pesquisa, atuando na avaliação neuropsicológica e estimulação de indivíduos com atraso no desenvolvimento, no tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA), nos transtornos de aprendizagem e alterações comportamentais, assim como na avaliação e reabilitação neuropsicológica de adultos e idosos.

No IPOG, ele atua como coordenador da Especialização em Neuropsicologia, onde também desempenha a função de supervisor de estágio profissional em Neuropsicologia.

Ao lado disso, é autor de “Turma da Luria: Guia Prático de Intervenção Infantil” pela Editora Vetor.

Grade curricular

Quem escolher o MBA em Intervenção ABA do IPOG pós-graduação terá a oportunidade de aprender por meio de uma metodologia teórico-prática os seguintes temas:

  • Princípios Básicos da Análise do Comportamento
  • Análise do Comportamento Aplicada (ABA) I
  • Comportamento Verbal
  • Procedimentos de Intervenção – Gestão de Comportamentos
  • Procedimentos de Intervenção Sensorial, Psicomotora e Brincar Social
  • Protocolos de Avaliação e Intervenção
  • Procedimentos de Intervenção na Linguagem
  • Práticas Interventivas para a Alfabetização
  • Educação Inclusiva, Orientação Escolar e Construção do Plano de Ensino Individualizado
  • Orientação Familiar e Práticas Interventivas Naturalísticas
  • Transtorno do Espectro Autista na Adolescência e Vida Adulta
  • Desenvolvimento Integral do Potencial Humano

Um curso bem completo, percebeu?

Conheça o IPOG

Uma instituição de ensino com nome e reconhecimento no mercado, que faz total diferença no currículo.

O IPOG – Instituto de Pós-graduação e Graduação – oferece diversos cursos de ensino superior e tem em seu quadro de docentes professores de excelência e renome no mercado. A proposta é um ensino humanizado que estimula o desenvolvimento das potencialidades de cada aluno.

O IPOG está presente em todos os estados do país e no Distrito Federal e conta com quase 20 anos de experiência em formar grandes profissionais.

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Sobre Fernando José Silveira

Possui graduação em Psicologia e especialização em Neuropsicologia pelo CEPSIC – HCFMUSP. Mestre e doutor em Psicologia pela Universidade São Francisco/SP, com área de concentração em Avaliação Psicológica, bolsista pela CAPES. Diretor Clínico e psicoterapeuta na Clínica Luria - Espaço Terapêutico, Desenvolvimento e Pesquisa, atuando na avaliação neuropsicológica e estimulação de indivíduos com atraso no desenvolvimento, no tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA), nos transtornos de aprendizagem e alterações comportamentais, assim como na avaliação e reabilitação neuropsicológica de adultos e idosos. Atualmente, é coordenador da Especialização em Neuropsicologia no Instituto de Pós-graduação e Graduação de Goiânia/GO – IPOG, onde também desempenha a função de supervisor de estágio profissional em Neuropsicologia. Ao lado disso, é autor do Turma da Luria: Guia Prático de Intervenção Infantil pela Editora Vetor.

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