Desenvolvimento cognitivo infantil: telas digitais sim ou não?
7 minutos de leitura
20 de fevereiro de 2020

Desenvolvimento cognitivo infantil: como a utilização das telas digitais interfere no crescimento das crianças

Desenvolvimento cognitivo infantil: como a utilização das telas digitais interfere no crescimento das crianças

Crescer no século XXI nada tem em comum com a infância de quem está lendo este artigo.

Ainda que as TVs tenham se popularizado em meados dos anos 1950, nada se compara à explosão dos “celulares inteligentes”, que se tornaram praticamente uma extensão do corpo e alteraram o modo como vivemos em sociedade.

Por mais que essas telas tenham trazido inovação para a educação e novas formas de aprendizado, elas influenciaram mais que o meio social: diversos estudos já concluem a alteração do desenvolvimento cognitivo infantil causado pela exposição exagerada às telas.

Uma pesquisa desenvolvida por estudiosos canadenses com 4.500 crianças estadunidenses, entre 8 e 11 anos, e publicada na revista The Lancet Child & Adolescent Health, mostra que mais de 2 horas de exposição diária às telas estão associadas a uma piora do desenvolvimento intelectual. 

Os aspectos analisados foram habilidades linguísticas, memória, função executiva, atenção e velocidade de processamento. 

Quer saber mais sobre o tema? Então acompanhe este artigo!

Desenvolvimento cognitivo infantil

Telas digitais: como elas impactam no desenvolvimento cognitivo infantil

Hoje, não é incomum ver crianças ligadas em telas de celulares, televisões, video games e tudo o que seja altamente estimulante aos olhos desde a primeira infância. 

Contudo, se por um lado o ato de estar conectado habilita para o mundo digital, em alguma medida, por outro, o uso excessivo pode acarretar prejuízos.

A cognição é um dos pilares intelectuais da vida humana, está relacionada à nossa capacidade de aprender, de ter atenção, mas também ao uso da linguagem, do raciocínio-lógico e demais habilidades úteis para a vida em sociedade.

Nesse contexto, especialistas apontam que o abuso das telas pode estar interferindo no desenvolvimento mais adequado da cognição. 

A tela não traz a riqueza da interação humana, do mundo multidimensional. Muito do que é consumido não fomenta a criatividade, o raciocínio. Ademais, a engenharia dessas tecnologias é pensada para reter as pessoas e nem sempre desenvolvê-las.

O roubo do sono

Um ponto inicial sobre o impacto das telas digitais no desenvolvimento cognitivo infantil é a questão do sono. 

Inúmeros estudos mostram que a qualidade de sono é essencial para o desenvolvimento cerebral. No entanto, nos últimos anos, especialistas têm levantado dados sobre a conexão entre perda de sono e uso exacerbado de dispositivos.

A razão disso é que a luz emitida pelas telas atrofia a secreção da melatonina, o hormônio do sono. Isso causa a dificuldade para dormir. 

Não é sem motivo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem recomendações categóricas para que crianças de até dois anos não sejam deixadas em frente às telas e, acima dessa faixa etária, que a exposição seja mínima.

A exposição sem critério às telas limita o avanço da cognição infantil porque limita o desenvolvimento dos diferentes potenciais das crianças, não se estimula a curiosidade e a atenção e não se enriquece a experiência.

Como o desenvolvimento cognitivo infantil interfere no intelecto de adultos

Muito embora já se saiba que o cérebro humano se desenvolve ao longo de toda a vida, é na primeira infância que esse processo é mais acelerado.

Os estímulos têm impacto mais marcante, as sinapses são mais numerosas, e tudo isso serve de base para a vida adulta e um intelecto desenvolvido.

Desenvolvimento cognitivo infantil

Durante o desenvolvimento da criança, o controle da atenção é aprendido de forma mais complexa.

Isto é, se nos primeiros meses de vida são os brinquedos dinâmicos, como de chacoalhar e objetos em movimento, que recebem mais atenção dos pequeninos, ao longo do tempo esse foco se torna capaz de ser direcionado a elementos estáticos. 

É essa habilidade que, ainda mais refinada, permitirá ao adulto se concentrar adequadamente no volante diante de uma longa estrada, por exemplo, ou ainda na sala de aula e em atividades que exigem foco.

É verdade que alguns adultos com dificuldades de atenção não enfrentarão problemas em suas jornadas diárias.

Contudo, há outros que terão muitas dificuldades sem saber que a origem disso está numa falha dos seus processos de atenção que começaram na infância.

Quais são as consequências das telas digitais no desenvolvimento cognitivo infantil?

Especialistas alertam que há várias áreas da vida de uma criança que podem ser prejudicadas pelo excesso de exposição a telas digitais. Vejamos algumas:

Como dissemos acima, rotinas de sono saudáveis são cruciais para a melhoria da capacidade de aprendizagem, de foco, de retenção. As telas digitais em excesso têm impactado negativamente, contribuindo para a falta ou piora da qualidade do sono.

Os diagnósticos de Transtorno do Déficit de Atenção (TDA) aumentaram nos últimos anos, o que ocorreu por motivações diversas e complexas, mas algumas pesquisas já mostram que o uso desregrado de tecnologia tem sua parcela de interferência nesse cenário.

  • Linguagem

Especialistas têm apontado um atraso no processo de aquisição da linguagem. Isto é, as crianças levam mais tempo para desenvolver a fala porque essa competência precisa da interação humana e de estímulos que a tela de vidro não é capaz de fornecer.

  • Raciocínio lógico-matemático

Ao ficar longos períodos diante de uma tela, as crianças ficam passivas, hipnotizadas, não sendo desafiadas para o desenvolvimento do raciocínio lógico.

Como os pais podem lidar com isso?

Os pais do Vale do Silício, maior centro tecnológico do mundo, estão indo na contramão da tecnologia quando o assunto é o desenvolvimento cognitivo de suas crianças.

As escolas frequentadas pelos herdeiros dos cérebros por trás de empresas como Apple e Google têm pedagogias inovadoras, mas não pautadas em tecnologia. 

Ao contrário do que se imagina, os processos de aprendizagem nessas instituições de ensino estão focados na experimentação do mundo real, na criatividade e na curiosidade dos pequenos.

E não é só na escola que a restrição ao uso de tecnologia acontece. Em 2011, Steve Jobs, criador da Apple, admitiu que limitava o uso de telas dos filhos em casa. Bill Gates, pai da Microsoft, é conhecido por ação semelhante.

Pierre Lauren, diretor de uma escola Waldorf na região, afirma:

“Quando você é criança, você não pode aprender a partir de um pequeno pedaço de vidro. Você precisa estimular os seus sentidos, você precisa alimentar o cérebro com tudo o que puder”.

Pais necessitam organizar para crianças rotinas mais saudáveis, com menos tempo de tela, horário de sono adequado, mais exercícios físicos, maior contato com outras crianças e variedades de atividades.

Essa é uma equação da qual não se pode desviar se o objetivo é otimizar a saúde cognitiva que servirá de base para um adulto mais bem desenvolvido.

A prática de oferecer telas para as crianças como entretenimento e distração não deve se tornar um hábito diário, especialmente se considerarmos que essas tecnologias são projetadas para levar o usuário a ficar mais tempo imerso.

Portanto, o desafio dos pais nesse cenário é encontrar o ponto de equilíbrio, saber quando é benéfico usar tecnologia e fazer ajustes conforme a idade da criança. 

Dicas para estimular o desenvolvimento cognitivo infantil

As pesquisas realizadas até o momento esbarram em limitações relevantes, afinal o campo de estudos sobre o abuso de telas digitais é ainda recente. O escopo de faixa etária tem sido limitado, restam ainda anos de acompanhamento para resultados mais concretos.

Além disso, não se avaliou ainda a qualidade dos materiais, isto é, o impacto dos tipos de conteúdos consumidos e das atividades realizadas diante das telas.

Diante de um campo complexo como este, é necessário buscar alternativas. Confira algumas dicas que podem auxiliar pais diante desses desafios.

  • Não precisa proibir!

Não é necessário cancelar o uso da tecnologia, afinal, as crianças precisam desenvolver competências do mundo digital.

Na prática, cada família deve buscar o ponto de equilíbrio que servir bem aos interesses da criança e à dinâmica familiar. 

A Organização Mundial da Saúde  já tem uma cartilha com indicações que servem de orientação.

Bebês de até 1 anoNão devem ter contato com telas digitais 
Crianças de 1 a 4 anosAs telas não são recomendadas para crianças de 1 ano. A partir de 2 anos, não deve superar uma hora por dia

Fonte: OMS, 24 de Abril de 2019

  • Esteja atento a cada fase do desenvolvimento cognitivo infantil

Há diversos pensadores da cognição infantil. Jean Piaget, por exemplo, considera quatro estágios do desenvolvimento cognitivo infantil e, em cada um deles, há desafios e objetivos.

Conhecer essas fases auxilia a entender quais ações geram os melhores estímulos para o crescimento das crianças.

  • Incentive o brincar livre

Brincar livre é deixar a criança se divertir sem direcionamento. Ela é deixada para explorar o ambiente e usar a criatividade, criando a brincadeira que desejar, no seu ritmo e vontade.

Essas brincadeiras estimulam a imaginação e ampliam o horizonte dos pequenos. Tão nocivo quanto o excesso de tela são as rotinas superlotadas de atividades direcionadas.

  • Informe-se para tomar melhores decisões

Buscar informações em livros e sites sobre o tema pode ser um caminho útil para os pais se orientarem diante dos desafios nesse cenário. Afinal, com base em dados, as decisões costumam ser mais adequadas.

O site americano Common Sense Media oferece um acervo de materiais para pais e filhos sobre tempo de tela, conteúdo por idade e outros temas. 

  • Avalie a tecnologia na escola dos seus filhos

É preciso observar de que forma a tecnologia chega até os filhos nos espaços fora de casa. A escola merece ser avaliada nesse aspecto. Busque entender se a tecnologia faz parte de um projeto pedagógico adequado e com real intenção de educação.

Além dos processos cognitivos, pesquisadores têm alertado também para a suspeita de que o uso exacerbado de telas digitais contribua para o aumento da obesidade infantil. Isso por que, ao se distrair com tecnologia, os pequenos prestam menos atenção no que e no quanto estão comendo.

Seja como for, o desafio de cada pai e mãe é encontrar as melhores condições possíveis para o pleno desenvolvimento da capacidade de concentração, socialização e aprendizado das crianças.

E, caso haja algum problema, recorrer à terapia cognitivo-comportamental para auxiliar nesse processo.

E a terapia cognitivo-comportamental?

Profissionais da área de terapia cognitivo-comportamental são, cada dia mais, um ponto de apoio crucial para pais e crianças nesse cenário, além de muitos outros do desenvolvimento humano. 

Buscando reorganizar o sistema de significados de cada paciente por meio de diversas técnicas, os terapeutas podem orientar de forma adequada a reversão de hábitos inadequados.

Mais do que isso, eles podem auxiliar a implementação de uma nova dinâmica de vida, fundamental para o desenvolvimento cognitivo infantil mais pleno.

Por essa razão, profissionais interessados nessa área devem buscar cursos de pós-graduação capazes de oferecer uma formação de qualidade, que instrumente para uma atuação eficaz em todas as frentes.

Uma das instituições com abrangência nacional que oferecem o curso Pós-Graduação em Terapia Cognitivo-Comportamental é o IPOG.

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Sobre Vinicius Xavier

Vinícius Pereira Pinto Xavier - Graduado em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (2008). Mestre em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (2010). Doutor em Psicologia (2017) com área de concentração em Processos Clínicos, Psicologia Experimental, Análise Experimental do Comportamento e Psicologia. Tem experiência na área de Psicologia Comportamental, com ênfase em Psicologia Experimental e Clínica atuando principalmente nos seguintes temas: Comportamento do Consumidor, Análise Clínica do Comportamento e Behaviorismo Radical. Em atuação clínica intervém nos comportamentos humanos complexos, tais como dependência químicas e comportamentos adictivos, transtornos de ansiedade, de personalidade, de humor, esquizofrenia. Membro da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC), Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental (ABPMC) e Análise do Comportamento Brasil (ACBr).

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