5 passos essenciais para realizar a perícia forense em celulares
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17 de julho de 2017

5 passos essenciais para realizar a perícia forense em celulares

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Até maio deste ano, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) registrou que no Brasil existem 242,3 milhões de celulares. Esse grande número de aparelhos disponíveis e o desenvolvimento de novos recursos tecnológicos em dispositivos móveis trouxeram desafios para a perícia forense em celulares.

A grande variedade de modelos de celulares com diferentes características, softwares, aplicações, funções, memórias e diversos recursos de proteção de dados com senhas e biometria, demandam novas técnicas e soluções avançadas para a investigação forense.

Inteligência investigativa

Todos os anos surgem novos modelos de celulares que detém de novas tecnologias. Os peritos digitais precisam acompanhar esse mercado e estar sempre atualizados com os novos recursos e aplicações.

Os profissionais devem buscar soluções e métodos eficientes para extrair dados e examinar novas versões e modelos de aparelhos. Seja por meio da compra de novas ferramentas disponíveis no mercado ou do desenvolvimento de programas com tecnologia forense.

O Sistema IPED é um importante exemplo de software desenvolvido por peritos da Polícia Federal do Brasil. Ele foi criado para contribuir com as investigações da Operação Lava Jato.

Além disso, esse tipo de investigação exige que os peritos digitais estudem para compreender a tecnologia que será periciada. É necessário ter acesso ao manual do celular, checar sua vulnerabilidade e verificar informações técnicas.

Ferramentas forenses

O avanço da tecnologia forense permitiu realizar a perícia em celulares com agilidade e precisão. Com o uso de equipamentos e programas específicos, é possível, em minutos, recuperar dados, mensagens, imagens, registros de ligações e arquivos apagados.

Existem várias ferramentas para a extração de dados, como softwares e kits com diversos cabos de conexão compatíveis com inúmeros modelos de celulares.

O Cellebrite UFED Touch, equipamento forense, e o Physical Analyzer, software forense, são destaques nos importantes órgãos policiais e de inteligência do mundo para a análise forense de dispositivos móveis. O FBI, INTERPOOL e a Polícia Federal brasileira são exemplos de organizações que utilizam essas tecnologias. Essas ferramentas computacionais também são utilizadas nas investigações da Operação Lava Jato. Toda investigação pericial exige processos e técnicas.

Confira 5 passos essenciais que devem ser seguidos para realizar a perícia forense em celulares.

Apreensão do dispositivo:

Essa fase exige muita cautela. Os celulares e os dados contidos nele precisam ser preservados. A apreensão deve ser realizada mediante ordem judicial. Para cada tipo de dispositivo é preciso ter métodos adequados para o acondicionamento e transporte.

Documentação:

Os celulares apreendidos devem ser identificados no processo de cadeia de custódia. O registro precisa conter dados de fabricação, modelo, operadora, número do chip e detalhes do local do crime e identificação dos peritos que manusearam o dispositivo.

Aquisição de dados:

Para obter informações e arquivos de um celular, o processo de extração de dados é realizado em um laboratório pericial específico com a utilização de softwares e ferramentas forenses adequadas para cada tipo de dispositivo. Antes de iniciar a aquisição de dados, o equipamento deve estar isolado das redes de comunicação.

o perito deve analisar todos os meios que possuem informações, seja em aplicativos, cartão de memória e até na nuvem.

As informações extraídas são fundamentais para a análise pericial, portanto, os peritos devem conferir se todos os dados foram realmente extraídos, inclusive os que estão criptografados. Existem ferramentas específicas para o desbloqueio de celulares e arquivos.

Exame pericial:

Nessa etapa o perito analisa os dados extraídos do passo anterior. O exame deve ser direcionado para um profissional que conheça o caso investigado para conseguir produzir um laudo assertivo para a investigação.

O perito deve examinar todos os dados extraídos, como acessos, registros de ligações, anotações, e-mails, mensagens, uso de aplicativos, imagens e todos arquivos disponíveis. Além disso, precisa buscar informações sobre quem está envolvido, o que, quando, onde e porque aconteceu o crime.

As informações obtidas após a extração de arquivos e exame pericial podem servir para esclarecer um crime.

Produção do laudo: 

O laudo pericial descreve o processo e os métodos de como a perícia foi realizada e registra as principais informações colhidas das etapas de apreensão, extração de dados e exame. As provas encontradas no celular investigado, devem ser anexadas ao relatório. É essencial que o documento seja sucinto e escrito com uma linguagem clara.

Tecnologia a favor da justiça

O celular é um importante dispositivo para a investigação forense, pois gera uma grande quantidade de evidências que contribuem para a agilidade na solução de crimes.

A área de computação forense possui um mercado amplo e vários campos de atuação para exercer a profissão de perito digital em órgãos públicos ou empresas, seja em âmbito judicial, criminal e extrajudicial. Os peritos digitais têm a grande contribuição de identificar, analisar e reconstruir evidências para fornecer provas para a justiça.

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Sobre Walber Pinheiro

Doutorando em Ciências da Informação pela Universidade Fernando Pessoa em Porto (Portugal) e coordenador do curso de Computação Forense e Perícia Digital do IPOG.

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