Criminal profiling: 5 métodos para a autoria de um crime
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10 de março de 2022

Criminal profiling: entenda como os vestígios comportamentais auxiliam na resolução de crimes

Criminal profiling: entenda como os vestígios comportamentais auxiliam na resolução de crimes

Séries, filmes e literatura, como Mindhunter (2017), O Silêncio dos Inocentes (1991) e as histórias de Sherlock Holmes, trouxeram visibilidade nas últimas décadas para uma atividade essencial nos processos investigativos: o criminal profiling, também chamado de perfilamento criminal.

Quando crimes são cometidos, a investigação tem início com o levantamento de dados, em especial da perícia, que visa subsidiar o trabalho de inteligência da polícia em elucidar o evento e o processamento judicial. É nesse contexto que o criminal profiling é acionado, para auxiliar a estabelecer um perfil criminal.

Em linhas gerais, esse campo de estudos e atuação profissional envolve diferentes áreas, como a criminologia, a antropologia e a psicologia, no intuito de identificar padrões de comportamento do ofensor ou autor de um crime.

Neste artigo, entenda o que é criminal profiling, quem é o profissional que exerce essa função e a importância de investir em uma especialização na área. Boa leitura!

O que é criminal profiling?

Criminal profiling ou perfilamento criminal é uma técnica e área de estudos multidisciplinar ligadas ao escopo da criminologia, que tem por objetivo estabelecer o perfil de um criminoso. Para tal, vale-se de ferramentas e abordagens diversas, como entrevistas.

Em linhas gerais, o perfilamento criminal trabalha com vestígios físicos, psíquicos e comportamentais deixados em vítimas vivas ou mortas e em locais de crime que permitirão a identificação do criminoso ou ainda a redução da lista de suspeitos.

Além da fase investigativa, é comum a colaboração com intervenientes judiciários, a exemplo de juízes em processos, ofertando conhecimento especializado para maior assertividade na tomada de decisões.

A importância de traçar o perfil criminal

O Brasil tem altos índices de crimes violentos com baixa taxa de resolução . Ao longo de décadas, as diferentes abordagens de construção do perfil do ofensor têm se mostrado uma ferramenta valiosa para auxiliar nas investigações criminais.

Esse tipo de trabalho possibilita uma melhor compreensão das ações delituosas e pode apontar melhores caminhos para entrevistar suspeitos e identificar assassinos em série.

Portanto, fazer uso dessa técnica, tanto no setor público quanto no privado, se mostra uma ferramenta importante para aumentar a resolução de crimes, reduzir o tempo de investigação e entre outros benefícios. Além disso, não requer tanto investimento em infraestrutura, o que reduz os custos.

Quem faz perfil criminal?

Quem atua na área de criminal profiling é chamado de profiler. Embora a profissão não esteja prevista na legislação brasileira, o trabalho de análise costuma ser feito por uma equipe multidisciplinar unindo o investigador criminal e o especialista em comportamento humano, seja ele psicólogo investigativo, criminólogo, psicanalista ou psiquiatra forense.

Esse especialista analisa a cena do crime e os demais dados reunidos na fase de investigação a fim de encontrar padrões de comportamento e demais características, como as habilidades empregadas no delito, a familiaridade com as vítimas, o modus operandi etc.

Como ser perfilador criminal?

A profissão profiler não existe, trata-se mais de uma função exercida por um policial, perito ou outro profissional ligado à área de criminologia. Nos Estados Unidos, por exemplo, para se tornar um profiler, é necessário ser policial e atuar em equipes de inteligência ou ingressar no FBI.

Entender o comportamento humano já é muito complexo e precisa mobilizar várias áreas do conhecimento; no contexto de crimes isso ganha mais uma camada, por isso vários profissionais investem na especialização de forma a ter mais assertividade e obter melhores resultados.

Cursos de pós-graduação que trazem o criminal profiling para uma formação têm uma grade curricular robusta que cobre as principais abordagens existentes e criam todo o repertório para que o estudante possa atuar no mercado de forma plena.

Pessoas graduadas em qualquer área podem ingressar nessas especializações. Contudo, profissionais de Direito, peritos, psicólogos e psiquiatras são os que mais se interessam pela área.

Quanto ganha um profissional de criminal profiling?

Não há um valor específico de remuneração salarial para um perfilador. O que há são as remunerações de policiais, peritos, psicólogos e outros profissionais atuando em setores públicos, privados ou em consultoria autônoma.

Segundo o site de recrutamento vagas.com.br, no cargo de investigador policial, por exemplo, a média salarial é de R$ 5.300,00. Já no caso de peritos criminais servidores públicos, as remunerações dispostas nos últimos concursos foram de R$ 11.000 a R$ 16.000.

Há ainda a possibilidade de atuar como perito assistente técnico, um especialista autônomo que receberá em função de vários fatores, como a carga horária.

O psicólogo forense ou criminal tem uma média salarial de R$ 3.064 para 35 horas no setor privado e de R$ 3.298 para profissionais concursados, sem contar os valores da estabilidade profissional. Os dados são do site salario.com.br.

Cinco abordagens do criminal profiling

No criminal profiling, há diferentes perspectivas e metodologias que implicam mudanças importantes no processo e na construção das hipóteses sobre o crime e seu autor.

Quanto às abordagens epistemológicas, elas podem ser divididas em duas: ideográfica e nomotética. A primeira trabalha com dados concretos; a segunda, com mais abstração e leis universais. Dentro da nomotética se desenvolvem quatro vertentes, que veremos a seguir.

Método FBI ou análise da cena do crime

O método desenvolvido pelo FBI, de índole nomotética, é o mais famoso em uso na criminologia. Fundamenta-se sobre a dicotomia organizado e desorganizado para caracterizar o agressor. Essa abordagem surgiu do estudo realizado com vários agressores por meio de entrevistas e análises dos seus crimes.

Os criminosos do tipo organizado normalmente têm QI mais elevado, com vida social plena e atacam pessoas estranhas. Os do tipo desorganizado costumam ser o oposto: têm QI mais baixo, são solitários e atacam conhecidos.

Para construir seu método, o FBI entrevistou criminosos famosos, como Charles Manson.

Avaliação diagnóstica

Refere-se às análises sobre o agressor, a vítima ou o local de crime realizadas por psiquiatras e psicólogos forenses. É um método nomotético, no qual a capacitação em comportamento humano e psicopatologia facilitam o levantamento de dados sobre a personalidade do ofensor, especialmente em assassinatos em série.

Psicologia investigativa

Método nomotético de origem inglesa, é focado nas investigações e mais interessado nas ações do que nas motivações. Tem por base os fundamentos da psicologia ambiental.

Profiling geográfico ou geoprofiling

Conforme o nome indica, trata-se de uma perspectiva nomotética de análise que considera o local do crime e o comportamento espacial do ofensor, buscando estabelecer a relação entre suas zonas sociais (moradia, trabalho, rotina) e a localidade em que o delito ocorreu.

Análise das provas comportamentais

Neste método ideográfico, a análise é feita por dedução. Focado em um único caso, busca reunir um conjunto de características específicas a partir de vestígios físicos e concretos, como documentos, testemunhas, manchas de sangue etc.

Interessante, não é mesmo?

No IPOG, o curso de pós-graduação em Perícias Forenses tem uma disciplina focada em criminal profiling para que o estudante tenha mais assertividade ao trabalhar nessa fase investigativa. A capacitação conta com outras 11 matérias para auxiliar na construção de um perfil profissional completo para o mercado de trabalho.

Se você quer alavancar a sua carreira com uma formação nessa área, antes de escolher uma instituição de ensino fale conosco e descubra as vantagens de cursar uma pós-graduação no IPOG.

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